Campo em Pauta
Receba no WhatsApp
Campo em Pauta

Notícias do agronegócio

Mercado

Importação de fertilizantes cai 15,7% até setembro; em Goiás, compras de agosto e setembro recuam 53%

Ureia e nitrato de amônio lideram a queda, e consultoria vê risco de estoque baixo de nitrogênio para o milho safrinha; indústria nacional cobra menos dependência externa.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grânulos irregulares de cor alaranjada de cloreto de potássio vistos de perto
Cloreto de potássio compactado, de grau fertilizante. É o adubo que o Brasil mais importa em volume. Foto: Abbas cucaniensis (CC BY-SA 4.0)

O Brasil importou 28,46 milhões de toneladas de fertilizantes de janeiro a setembro de 2026, 15,7% menos que as 33,75 milhões de toneladas do mesmo período de 2025, segundo o Comex Stat, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor pago caiu bem menos, 3,4%, para US$ 11,18 bilhões, o que indica preço mais alto por tonelada.

A queda se acentuou nos últimos dois meses. Em agosto, chegaram 2,94 milhões de toneladas, 43,7% menos que em agosto de 2025. Em setembro, foram 3,11 milhões de toneladas, recuo de 27,9%.

Os nitrogenados, base da adubação do milho, estão entre os que mais caíram. No acumulado do ano, a importação de ureia recuou 21,5%, para 3,53 milhões de toneladas. A de nitrato de amônio caiu 32,3%, e a de sulfato de amônio, 18,6%. Entre os fosfatados, o MAP recuou 15,3%, e o grupo que inclui o superfosfato simples, 24,6%. O cloreto de potássio, item mais importado, teve queda menor, de 3,6%, para 10,82 milhões de toneladas.

Os percentuais batem com o levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pela consultoria StoneX. Segundo o analista Tomás Pernías, cresce o receio de que o atraso nas compras seja, na verdade, destruição de demanda, ou seja, produtor comprando e aplicando menos adubo por causa de preços altos e relações de troca desfavoráveis.

“Se a destruição de demanda em 2026 realmente se concretizar, isso significa que os brasileiros entrarão na safrinha de milho do ciclo 2026/27 com estoques de nitrogênio potencialmente mais baixos”, afirmou Pernías, segundo a Globo Rural. Ele ponderou que ainda não é possível dizer se haverá efeito na produtividade.

Queda maior em Goiás

No recorte por estado do Comex Stat, que mostra onde a importação foi registrada e não necessariamente onde o adubo será aplicado, Mato Grosso é o terceiro maior importador do país, atrás de Paraná e Rio Grande do Sul. O estado recebeu 3,98 milhões de toneladas até setembro, 6,7% menos que em 2025. Goiás importou 896 mil toneladas (-12,5%), e Mato Grosso do Sul, 116 mil toneladas (-21,9%).

Em agosto e setembro, a queda foi mais forte em Goiás e Mato Grosso:

  • Goiás: 150 mil toneladas, ante 316 mil no mesmo bimestre de 2025 (-52,6%). A importação de ureia do estado caiu 52,4% no acumulado do ano.
  • Mato Grosso: 940 mil toneladas, ante 1,30 milhão (-27,5%). No ano, o sulfato de amônio caiu 32,5%, enquanto o cloreto de potássio subiu 8,7%.
  • Mato Grosso do Sul: 31 mil toneladas, ante 22 mil (+42%), em volume pequeno. No ano, a ureia recuou 23,4%.

A retração já aparecia nas entregas ao produtor. Como mostrou o Campo em Pauta, as entregas de fertilizantes no país caíram 8,8% até julho, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), com recuo de mais de 14% em Mato Grosso do Sul.

Indústria cobra produção nacional

Também nesta terça, Dia Mundial dos Fertilizantes, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert) divulgou uma carta aberta em que defende reduzir a dependência externa. Segundo a entidade, o país importa cerca de 90% do adubo que usa, ante 55% há três décadas: 97% do nitrogênio e do potássio e 74% do fósforo vêm de fora.

A carta sai num momento de custo alto para a indústria. O enxofre, matéria-prima dos fosfatados, chegou a US$ 1,2 mil por tonelada em meados do ano, ante US$ 435 em janeiro, antes do conflito no Oriente Médio, segundo a Globo Rural. Fábricas chegaram a parar no Brasil.

“A produção nacional de fertilizantes e o desenvolvimento de tecnologias nacionais são o que permitirá ao Brasil determinar o próprio futuro”, afirmou o presidente do Conselho de Administração do Sinprifert, Elias Lima, segundo a Globo Rural. A entidade pede que as metas do Plano Nacional de Fertilizantes saiam do papel.

Com informações de Comex Stat (MDIC), Globo Rural e CNN Brasil.

Mais em Mercado