Valor do agro cai 3,2% em 2026, a R$ 1,44 tri; Goiás perde R$ 9,2 bi, e só o boi segura MT e MS
Na planilha do Mapa, a carne bovina sobe 11% e vale R$ 253,5 bilhões; sem ela, o faturamento do campo cairia 5,8%. Em Goiás, o milho perde 36,4%, e Mato Grosso do Sul cresce 2,8% com a soja.

O faturamento da produção agropecuária brasileira deve fechar 2026 em R$ 1,44 trilhão, 3,19% abaixo do de 2025, descontada a inflação, segundo a planilha do Valor Bruto da Produção (VBP) de setembro, divulgada pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na sexta-feira (23). São R$ 47,4 bilhões a menos que os R$ 1,487 trilhão do ano passado, em valores corrigidos pelo IGP-DI. A nota oficial do ministério destaca o total e a liderança da soja e da carne bovina, mas não menciona a queda.
Sem o boi, o tombo seria maior. O VBP da carne bovina subiu 11,03%, para R$ 253,5 bilhões, R$ 25,2 bilhões a mais que em 2025, e já equivale a 17,6% de tudo o que o campo fatura. Pelas contas do Campo em Pauta, sem esse ganho o VBP do resto da agropecuária cairia 5,8%, ou R$ 72,6 bilhões. O resultado acompanha o preço da arroba, que renovou recordes neste mês e chegou a R$ 386,30 no indicador Cepea/Esalq na terça-feira (27).
Nas lavouras, o faturamento cai 4,5%, para R$ 921,7 bilhões. A soja é a exceção entre as grandes culturas, com alta de 3,33%, para R$ 352,7 bilhões. O milho perde 5,97%, para R$ 162 bilhões; a cana, 7,28%, para R$ 112,3 bilhões; o café, 10,4%, para R$ 106,5 bilhões; e a laranja, 47,9%. Na pecuária, o total recua 0,76%, para R$ 517,9 bilhões, porque as outras carnes caem: o suíno perde 25,9%, o frango, 7,6%, e os ovos, 9%.
Goiás tem a maior perda do Centro-Oeste
O Centro-Oeste segue no topo, com R$ 431,2 bilhões, 29,95% do VBP do país, mas fatura 2,7% menos que em 2025, cerca de R$ 12 bilhões a menos, pelas contas do Campo em Pauta. As lavouras da região perdem 4,8%, e a pecuária cresce 2,8%, com o boi em alta de 9%.
Goiás tem a maior queda da região. O VBP do estado cai 7,2%, para R$ 118,25 bilhões, R$ 9,18 bilhões a menos, quarta maior perda em valor entre os estados, atrás de São Paulo, Paraná e Espírito Santo. O milho goiano perde 36,4%, de R$ 15,98 bilhões para R$ 10,17 bilhões, a soja, 4,2%, para R$ 38,99 bilhões, e a cana, 9,1%. As lavouras do estado faturam 10,6% menos; na pecuária, o boi sobe 8,3%, para R$ 24,7 bilhões, mas não compensa a queda do frango, do leite e do suíno.
Mato Grosso, maior produtor do país, com R$ 225,24 bilhões e 15,6% do total, fatura 2,2% menos, R$ 5,12 bilhões abaixo de 2025. A soja recua 2,5%, para R$ 96,7 bilhões, o milho, 10%, para R$ 44,93 bilhões, e o algodão, 4%, para R$ 23,5 bilhões. O boi é o que sobe: o VBP da carne bovina no estado cresce 10,6%, para R$ 45,74 bilhões, e passa a responder por 20,3% de toda a produção mato-grossense, ante 18% em 2025. Pelas contas do Campo em Pauta, sem o boi a agropecuária do estado faturaria 5% menos.
Mato Grosso do Sul vai na contramão e tem a maior alta em valor entre os estados: o VBP cresce 2,75%, R$ 2,3 bilhões a mais, para R$ 85,91 bilhões, puxado pela soja, que sobe 18,2%, para R$ 32,27 bilhões, e pelo boi, com alta de 6,7%, para R$ 23,77 bilhões. O milho sul-mato-grossense cai 14,7%. No Distrito Federal, o VBP recua 1,5%, para R$ 1,79 bilhão.
Boi do Centro-Oeste vale R$ 94 bilhões
Somados, os rebanhos de corte de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul faturam R$ 94,2 bilhões em 2026, 37,2% do VBP da carne bovina do país e R$ 7,8 bilhões a mais que em 2025, alta de 9%, pelas contas do Campo em Pauta. É mais que todo o milho da região, cujo VBP cai 16,1%, para R$ 67,3 bilhões.
A estimativa ainda vai mudar. Para 2026, o Mapa usa a produção do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE e da Conab de setembro e os preços médios de janeiro a setembro; na pecuária, a produção dos últimos quatro trimestres. Na planilha de agosto, a queda prevista para o ano era maior, de 4,2%. A diferença entre os dois levantamentos veio da soja, cuja alta passou de 1,3% para 3,3%, e das lavouras, que agora caem 4,5%, e não 6%.
Com informações de Ministério da Agricultura (nota do VBP), Ministério da Agricultura (VBP Brasil, setembro/2026), Ministério da Agricultura (VBP regional, setembro/2026), Ministério da Agricultura (VBP regional, agosto/2026) e Giro do Boi (Canal Rural).





