Soja sobe pela 5ª vez em Paranaguá, a R$ 158,28, mas cai 3,9% em dólar; Sorriso fica R$ 24,38 abaixo do porto
Esmagadoras pagam acima da paridade de exportação em algumas praças para garantir grão até dezembro, e a moagem de MT cai 12,8% em setembro com paradas de manutenção. Bunge vê lucro com processamento de soja subir 18,2% no trimestre.

O preço da soja no porto de Paranaguá (PR) subiu pela quinta sessão seguida na quinta-feira (29), sustentado só pelo câmbio. O indicador Cepea/Esalq avançou 0,55%, para R$ 158,28 por saca de 60 quilos, enquanto a bolsa de Chicago caiu pela quarta vez seguida. Pelas contas do Campo em Pauta, desde a sexta-feira (23), último pregão antes do 2º turno, a saca subiu 3,85% em reais, de R$ 152,41, mas caiu 3,93% em dólar, de US$ 29,33 contra US$ 30,53, pela conversão do próprio Cepea. No mês, o indicador ainda recua 2,03%.
“O câmbio elevado ainda traz suporte para os preços no Brasil, que estavam começando a ceder no início de outubro. Dá para dizer com alguma segurança que se não fosse a alta do câmbio, os preços estariam mais baixos”, disse à Globo Rural Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets. Segundo ele, há poucos negócios, com parte dos compradores à espera de uma direção mais clara do dólar.
No interior de Mato Grosso, a alta foi menor que no porto. Pelos dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a saca disponível subiu 0,34% em Sorriso, para R$ 133,90, e 0,36% em Rondonópolis, para R$ 139,85, na quinta. Lucas do Rio Verde ficou em R$ 133,40, e Canarana, com a menor cotação do estado, em R$ 130. Pelas contas do Campo em Pauta, o produtor de Sorriso recebe R$ 24,38 a menos por saca que o preço de Paranaguá, e o de Canarana, R$ 28,28.
Em Goiás, a saca ficou em R$ 132 em Rio Verde, pela Comigo, e em Jataí, pelo sindicato rural, R$ 26,28 abaixo do porto. Em Mato Grosso do Sul, a VA Corretora de Cereais pagava R$ 142 em Campo Grande e R$ 140 em Maracaju e São Gabriel do Oeste, e a Coopa-DF indicava R$ 141,50 em Brasília, segundo o Notícias Agrícolas.
Indústria disputa o grão
A demanda das esmagadoras ajudou a segurar o mercado interno. Na quinta, as indústrias elevaram as ofertas de compra em algumas regiões para garantir matéria-prima até dezembro, e em determinados mercados pagaram acima da paridade de exportação, segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, ao Canal Rural. “A alta recente do câmbio tem ajustado o mercado e pressionado as indicações dos compradores a subirem”, disse. No físico, as altas foram de até R$ 2 por saca, com a maioria das praças do interior subindo R$ 1; Rondonópolis ficou estável, e Rio Verde recuou R$ 1, pelos dados da consultoria.
Em Mato Grosso, as fábricas moeram 1,01 milhão de toneladas em setembro, 12,8% menos que em agosto, por causa das paradas anuais de manutenção, segundo o Imea. A queda do mês não muda o ano: o estado tem o maior volume de janeiro a setembro da série, como mostrou o Campo em Pauta. “O avanço do esmagamento demonstra o potencial de Mato Grosso para transformar parte da produção agrícola em produtos industrializados no próprio território”, afirmou Laysa Avalos, coordenadora de inteligência econômica do instituto. O farelo de soja, porém, está mais barato: a tonelada valia R$ 1.921,64 em Mato Grosso na quinta, pelo Imea, e o contrato de dezembro em Chicago caiu 1,91%, para US$ 329,30.
A margem da indústria aparece no balanço da Bunge, uma das maiores comercializadoras de commodities agrícolas do mundo e dona de esmagadoras no Brasil. A empresa lucrou US$ 318 milhões no terceiro trimestre, 91,6% mais que um ano antes. O lucro antes de juros e impostos (Ebit) ajustado do processamento e refino de soja subiu 18,2%, para US$ 565 milhões, com melhora no Brasil e na Argentina, mesmo com 3,24% menos grão processado, 11,745 milhões de toneladas. Na América do Sul, fertilizantes e refino tiveram resultados mais fracos, e a companhia passou a prever, para 2026, desempenho um pouco menor no processamento de soja do que havia projetado, segundo a Globo Rural.
Chicago pressionada pela safra americana
Na bolsa americana, o contrato de novembro fechou a quinta em queda de 0,38%, a US$ 12,1975 por bushel, com o avanço da colheita nos Estados Unidos, que caminha para a maior safra da história, segundo a Safras & Mercado. As vendas americanas da safra 2026/27 somaram 2,576 milhões de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, acima do esperado, com 1,627 milhão para a China, pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Nesta sexta-feira (30), às 10h35, o contrato reagia e subia 3,75 centavos, a US$ 12,235, segundo o Notícias Agrícolas. Em outubro, milho e trigo caíram mais de 8% em Chicago com a pressão da oferta, segundo a Globo Rural.
O prêmio pago em Paranaguá para embarque em novembro ficou estável em US$ 1,40 por bushel. Para esta sexta, a Safras espera preços firmes no Brasil no fechamento de outubro, ainda sustentados pelo câmbio, mas com negócios em volume pequeno.
Com informações de Cepea, Notícias Agrícolas (cotações Cepea, Imea, Comigo, VA Corretora, Coopa-DF, CME), Globo Rural, Canal Rural, CNN Brasil, Mais Soja (Imea) e Safras & Mercado (Imea).





