Soja de MS sobe 3,9% só com o dólar e já recua a R$ 143; Índia triplica compra de óleo do estado
Em dólar, a saca sul-mato-grossense perdeu 5,3% na semana da eleição, e Chicago caiu 2,55% entre a sexta (23) e a quarta (28). Os indianos levaram 84% do óleo de soja exportado por MS até setembro, 122 mil toneladas.

O preço médio da saca de soja em Mato Grosso do Sul subiu 3,88% na semana da eleição, de R$ 140,25 em 20 de outubro para R$ 145,69 na segunda-feira (26), segundo o Boletim Casa Rural, do Sistema Famasul e da Aprosoja-MS, divulgado na terça-feira (27). Os oito municípios pesquisados tiveram alta, e Chapadão do Sul chegou a R$ 147,50, o maior valor do levantamento. O ganho veio do câmbio: pelas contas do Campo em Pauta, convertida pela Ptax de cada dia, a saca média do estado caiu de US$ 27,97 para US$ 26,49, perda de 5,3% em dólar.
Sonora teve a maior alta da semana, 5,80%, de R$ 138 para R$ 146, seguida de Ponta Porã, com 4,68%, a R$ 145,50. Sidrolândia subiu 4,38%, para R$ 143, e seguiu com a menor cotação; Dourados fechou a R$ 146,50, e Campo Grande teve a menor variação, 1,39%, a R$ 146. A média do período ficou 12,9% acima da de um ano antes, R$ 141,43 contra R$ 125,27, mas o acumulado de outubro ainda mostra leve queda de 0,02%.
Em Mato Grosso do Sul, o interior subiu mais que o porto. O indicador Cepea/Esalq de Paranaguá (PR) foi de R$ 153,40 em 20 de outubro para R$ 155,55 na segunda, alta de 1,40%. Pelas contas do Campo em Pauta, a diferença entre o porto e a média sul-mato-grossense caiu de R$ 13,15 para R$ 9,86 por saca. Em Mato Grosso, a distância aumentou na mesma semana, como mostrou o Campo em Pauta.
A alta já perdeu força. Na terça, a Granos Corretora indicava R$ 143 em Chapadão do Sul, queda de 2,05% no dia, e também em Dourados, com recuo de 3,05%; Maracaju foi a R$ 142, e Sonora, a R$ 141, segundo o Notícias Agrícolas. Na quarta-feira (28), a VA Corretora de Cereais pagava R$ 142 em Campo Grande e R$ 140 em Maracaju e São Gabriel do Oeste. O boletim da Famasul ressalta que os valores são referências de mercado e não necessariamente o que o agricultor recebe: até segunda, os produtores do estado já tinham vendido 94,5% da safra 2025/26, segundo a Granos.
No restante do Centro-Oeste, a saca vale menos. Na quarta, o Imea apontava R$ 139,35 em Rondonópolis, R$ 133,45 em Sorriso e R$ 132,90 em Lucas do Rio Verde, e a soja era cotada a R$ 132 em Rio Verde, pela Comigo, e em Jataí, pelo sindicato rural. Em Paranaguá, o indicador do Cepea subiu 0,01%, para R$ 157,42, ou US$ 29,42. Pelas contas do Campo em Pauta, Rio Verde fica R$ 25,42 abaixo do porto, e Campo Grande, R$ 15,42; o produtor goiano recebe R$ 10 a menos por saca que o da capital sul-mato-grossense.
Os negócios seguem curtos. “O spread entre comprador e vendedor diminuiu, mas os negócios ainda são muito pontuais, sem grandes volumes”, disse Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, à Globo Rural. Na segunda, dia do pico do dólar, produtores e tradings aceleraram as vendas de soja, milho e açúcar para garantir preço e proteger a receita em reais, segundo o comentarista Cassiano Ribeiro, da CBN.
Chicago em queda
A bolsa de Chicago foi na direção oposta à do câmbio. O contrato de novembro fechou a quarta a US$ 12,2450 por bushel, terceira queda seguida, e acumula perda de 2,55% sobre os US$ 12,5650 de sexta: recuou 1,21% na segunda, 0,97% na terça e 0,39% na quarta, segundo o Notícias Agrícolas. Nesta quinta, às 8h41, caía mais 0,67%, a US$ 12,1625.
Pesam a colheita americana, que chegou a 79% da área até domingo (25), acima da média de cinco anos, de 77%, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), e o real mais fraco, que torna a soja brasileira mais competitiva lá fora, segundo a StoneX. As vendas americanas da safra 2026/27 somaram 2,576 milhões de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, dentro do esperado, com 1,627 milhão para a China, segundo o USDA, citado pelo Canal Rural.
Índia compra recorde, mas não o grão brasileiro
A Índia importou o recorde de 1,1 milhão de toneladas de soja no ano comercial encerrado em setembro, contra cerca de 2 mil toneladas no ano anterior, informou na quarta a Associação dos Processadores de Soja da Índia (Sopa), segundo a Reuters. O país só aceita soja não transgênica, o que limita as compras a países africanos como Benin, Níger, Togo e Nigéria; o Níger enviou mais de 430 mil toneladas. Pela primeira estimativa da Sopa, a safra indiana de 2026 deve cair 2,11%, para 10,79 milhões de toneladas, mesmo com área plantada 5% maior, porque 776 mil hectares não puderam ser colhidos.
O Brasil, que planta soja transgênica, entra pelo óleo. Pelos dados do Comexstat, do governo federal, o país vendeu 1,35 milhão de toneladas de óleo de soja à Índia de janeiro a setembro, 66,7% a mais que no mesmo período de 2025, por US$ 1,59 bilhão; os indianos levaram 76,9% de todo o óleo de soja exportado. Pelas contas do Campo em Pauta, Mato Grosso do Sul foi de 39,6 mil para 122,3 mil toneladas, mais que o triplo, e a Índia comprou 84% do óleo embarcado pelo estado. Mato Grosso ficou estável, com 97,1 mil toneladas, e Goiás caiu 5,8%, para 107,9 mil.
A indústria mato-grossense segue moendo mais. As esmagadoras do estado processaram 10,42 milhões de toneladas de soja de janeiro a setembro, recorde da série e 4,74% acima de 2025, e devem chegar a 13,66 milhões no ano, segundo o Imea. Para Laysa Avalos, coordenadora de inteligência econômica do instituto, a maior oferta de grão e o uso mais eficiente das fábricas explicam o resultado.
Com informações de Campo Grande News (Boletim Casa Rural, Famasul e Aprosoja-MS), Banco Central (Ptax), Cepea, Notícias Agrícolas (cotações Imea, Granos, VA Corretora, Comigo, CME), Notícias Agrícolas, Notícias Agrícolas (Reuters), Notícias Agrícolas (Imea), Globo Rural, Globo Rural (CBN Agro), Canal Rural, Sopa (primeira estimativa da safra Kharif 2026) e Comexstat (MDIC).





