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Dólar abre sexta 7,8% acima do pré-urna; mercado já não vê corte da Selic, e prefixado de 2032 paga 15,38%

Ptax sobe 1% na primeira parcial, a R$ 5,4292, e cada US$ 100 mil em adubo ou defensivo custa R$ 39,2 mil a mais que na sexta anterior ao 2º turno. Dívida bruta vai a 82,9% do PIB, e a Bolsa já perde 17,5% na semana.

Por Redação Campo em Pauta ·

Prédio-sede do Banco Central em Brasília, uma torre alta de vidro escuro com uma faixa central de concreto, vista de baixo contra o céu azul, emoldurada por uma marquise.
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília, em 2023. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

O dólar voltou a subir nesta sexta-feira (30), quinto dia útil depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a Ptax, taxa do Banco Central usada nos contratos de insumos e de venda de grãos, abriu a R$ 5,4292 na primeira parcial, divulgada às 10h06. É 1,02% acima do fechamento de quinta-feira (29), de R$ 5,3744. Pelas contas do Campo em Pauta, a moeda está 7,77% mais cara que na sexta-feira (23), último dia útil antes do 2º turno, quando a Ptax fechou a R$ 5,0377: cada US$ 100 mil em adubo, defensivo ou peça importada custa agora R$ 39,2 mil a mais.

Às 10h31, o dólar à vista subia 0,94%, a R$ 5,439, e o contrato futuro para novembro avançava 0,88% na B3, a R$ 5,434, segundo o InfoMoney. Esta sexta é dia de formação da Ptax de fim de mês, que serve de referência para a liquidação de contratos e costuma provocar disputa entre comprados e vendidos nos horários de coleta do Banco Central. O Ibovespa saiu dos leilões de abertura em queda de 1,10%, a 167.206,86 pontos, a caminho da quinta baixa seguida, com bancos, varejo e frigoríficos no vermelho.

Na quinta, o dólar à vista fechou em alta de 0,76%, a R$ 5,3875, e chegou a R$ 5,4302 às 15h26. “As preocupações com o fiscal, com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção”, disse ao InfoMoney Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. A Bolsa caiu 1,06%, a 169.186,42 pontos, a quarta queda seguida, e acumula perda de 17,5% na semana e de 9,2% em outubro, segundo o Canal Rural.

Juro de dois dígitos por mais tempo

O mercado praticamente abandonou a aposta de corte da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima quarta-feira, 4 de novembro. Até o início da semana, uma redução de 0,25 ponto era dada como certa; agora, a maioria dos agentes espera a manutenção da taxa em 13,75% ao ano, segundo a Safras & Mercado. A incerteza também aparece nas projeções: no indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), o componente que mede a divergência entre as previsões de câmbio, Selic e inflação subiu 2,9 pontos em outubro, para 106,1, e a coleta terminou no dia 25, antes do resultado do 2º turno.

Nos títulos do Tesouro Direto, o Prefixado 2032 abriu esta sexta pagando 15,38% ao ano, ante 12,89% no fechamento de 23 de outubro, alta de 2,49 pontos em uma semana, segundo o InfoMoney. Pelas contas do Campo em Pauta, se essa diferença chegar inteira ao crédito a juro livre, um financiamento de R$ 1 milhão para armazém, trator ou capital de giro passa a custar R$ 24,9 mil a mais por ano. Na semana, o Tesouro cancelou todos os leilões de venda de títulos e fez três recompras, que somaram cerca de R$ 31,6 bilhões.

Houve alívio pontual. As taxas dos prefixados mais curtos abriram em leve queda nesta sexta: o Prefixado 2029 recuou de 14,95% para 14,89%. No fim da tarde de quinta, dólar e juros também cederam depois que a rádio CBN noticiou que Lula planejava viajar ao Piauí para convidar o governador Rafael Fonteles (PT) para o Ministério da Fazenda, nome que seria mais bem recebido pelos investidores, na avaliação de Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, ao Canal Rural. À noite, Fonteles negou ter tratado de cargos “com o Presidente Lula ou com qualquer outra pessoa” e disse não saber de visita ao estado, segundo a CNN Brasil. A escolha do ministro não deve ocorrer antes de dezembro, segundo relatos citados pelo InfoMoney.

A conta fiscal

O Banco Central informou na quinta que a dívida bruta chegou a 82,93% do PIB em setembro, o maior nível em mais de cinco anos. O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, lembrou que ela era de 71,7% do PIB no início do atual governo e que, em quatro anos, o PIB cresceu 11% e o gasto federal, 22%. “Para esse juro cair sem a inflação explodir, você precisa controlar o crescimento do gasto público. Não tem alternativa”, afirmou, segundo o Canal Rural.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, projeta déficit primário de 1,0% do PIB em 2027, já com as promessas de campanha, e calcula que seria preciso um superávit de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida. Do lado do governo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, escreveu nas redes sociais que a defesa de ajuste fiscal com corte de gastos sociais contraria o resultado da eleição, o que pesou no humor do mercado na quinta, segundo o Canal Rural.

Lá fora, o cenário também ajuda a encarecer o dólar. Os índices futuros de Nova York recuavam nesta manhã, com a Nasdaq em queda de cerca de 2,5% depois de balanços fracos de Amazon e Intel, e o petróleo Brent subia para cerca de US$ 117,7 o barril após ataques a navios-tanque no Estreito de Ormuz, segundo o InfoMoney.

“Não vemos nenhuma medida concreta do governo para controlar os gastos públicos”, disse ao InfoMoney Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management. Para Mansueto, os preços atuais “não são uma tendência, não é o novo normal” e vão depender do sinal que o governo der sobre a política econômica.

Com informações de Banco Central (Ptax), Tesouro Nacional (Tesouro Transparente, taxas do Tesouro Direto), InfoMoney, Canal Rural, Safras & Mercado e CNN Brasil.

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