Soja interrompe 8 quedas em Chicago, mas safra nova de MT cai 5%, a R$ 113,33; MS sobe na contramão
A venda para março paga R$ 21,18 menos que o grão disponível em Mato Grosso. Nos portos, saiu 27% menos soja que o programado na semana passada, e a Anec corta a previsão de outubro.

A soja interrompeu na quinta-feira (22) uma sequência de oito sessões de queda na Bolsa de Chicago, mas a alta foi pequena perto do que o produtor de Mato Grosso já perdeu no preço da safra que está plantando. O contrato de novembro, referência do mercado, fechou a US$ 12,53 por bushel, alta de 0,62%, depois de cair 3,62% entre 9 e 21 de outubro, pelos dados da CME Group compilados pelo Notícias Agrícolas; ainda está 3,02% abaixo do dia 9. O vencimento de março de 2027, que baliza a safra nova brasileira, subiu 0,41%, para US$ 12,715, e segue 3,58% abaixo. Na quarta-feira (21), as cotações tinham ido ao menor nível desde agosto, segundo a Safras & Mercado, citada pelo Canal Rural.
A queda veio da colheita nos Estados Unidos, favorecida pelo tempo seco no Meio-Oeste, segundo a corretora argentina Granar, citada pela CNN Brasil. A reação de quinta foi técnica, com compras atraídas pelos preços baixos, a alta do petróleo e a demanda chinesa, segundo a Safras: o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou vendas de 2,84 milhões de toneladas na semana até 15 de outubro, 2,18 milhões delas à China. O consultor Vlamir Brandalizze disse à Globo Rural que a tendência ainda é de baixa e que a pressão da colheita americana só deve terminar no fim de novembro.
No Brasil, o negócio travou durante a semana, com escassez de ofertas nos portos e produtores afastados da comercialização, segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado. “As indústrias apareceram mais na ponta compradora, mas os bids ficaram abaixo do que o vendedor espera”, disse ao Canal Rural na quarta. Na quinta, a alta de Chicago e do dólar permitiu negócios nos portos, mas a liquidez seguiu baixa, segundo ele. O prêmio pago sobre Chicago para embarque em Paranaguá (PR) seguiu parado em US$ 1,40 por bushel para outubro e US$ 1,55 para novembro, pelas cotações do Notícias Agrícolas. O indicador Cepea/Esalq no porto caiu pela quarta vez seguida na quarta, 0,83%, para R$ 152,13 por saca de 60 quilos, o menor valor desde 19 de agosto (R$ 151,65), pela série do Cepea. No mês, a perda é de 5,84%.
O dólar amorteceu parte da queda: a Ptax, do Banco Central, subiu 0,98% desde 9 de outubro, para R$ 5,0383 na quinta. Entre os dias 9 e 21, o indicador de Paranaguá perdeu 2,51% em dólar e 1,69% em reais, pelas contas do Campo em Pauta. O câmbio, porém, virou fonte de dúvida, porque a proximidade do segundo turno, no domingo (25), gera especulação, segundo o analista Allan Maia, da Safras.
Safra nova vale menos
Em Mato Grosso, a alta de Chicago não chegou ao interior. A saca disponível valia em média R$ 133,98 na quinta-feira, queda de 0,39% no dia, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), e 3,17% menos que em 9 de outubro (R$ 138,36). Em Sorriso, a cotação estava em R$ 133,40, e em Rondonópolis, em R$ 139,70. Em setembro, quando Chicago subiu 8,7% puxada pelas compras chinesas, a média em Sorriso foi de R$ 142, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA.
A queda é maior para quem vende a soja que ainda está indo para a terra. A paridade de exportação para março de 2027, que o Imea calcula a partir do preço no porto, descontados os custos até a fazenda, caiu para R$ 113,33 por saca na quarta-feira, 5% abaixo dos R$ 119,33 de 8 de outubro. Pelas contas do Campo em Pauta, a safra nova vale R$ 21,18 (15,7%) menos que o grão disponível no mesmo dia (R$ 134,51); em 8 de outubro, a diferença era de R$ 19,42 (14%).
Boa parte da safra já tem preço. Até setembro, os produtores de Mato Grosso tinham vendido 43,73% da soja 2026/27, e os negócios fechados naquele mês saíram em média a R$ 119,94 por saca, segundo o Imea. Pela paridade de quarta, quem fechar contrato agora recebe R$ 6,61 a menos por saca que essa média; com a produtividade de 62,44 sacas por hectare projetada pelo instituto, a diferença chega a cerca de R$ 413 por hectare, pelas contas do Campo em Pauta. Como mostrou o Campo em Pauta na quarta-feira (21), com a produtividade estimada pela Conab, a saca precisa valer R$ 126,67 para pagar o custo total da lavoura no estado.
Portos embarcam menos soja e mais milho
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu na quarta-feira a previsão de embarque de soja em outubro de 6,55 milhões para 6,40 milhões de toneladas, queda de 2,2% em uma semana, volume praticamente igual ao de outubro de 2025. A estimativa para o milho subiu 7,2%, para 6,87 milhões de toneladas, 20,7% acima de um ano antes. A entidade usa dados da agência marítima Cargonave.
O embarque efetivo também ficou abaixo do previsto. Para a semana de 11 a 17 de outubro, a programação da própria Anec indicava 1,70 milhão de toneladas de soja; saíram 1,24 milhão, 27,4% a menos, pelas contas do Campo em Pauta sobre os dois últimos relatórios da entidade. Em Santos (SP), foram 197 mil toneladas, menos da metade das 405 mil programadas. A Anec ressalva que as estimativas dependem das condições operacionais dos portos.
MS sobe na contramão
Em Mato Grosso do Sul, o preço andou na direção oposta. Pelo boletim semanal da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), divulgado na terça-feira (20) com cotações da Granos Corretora, a saca subiu 1,82% entre 13 e 19 de outubro, para a média de R$ 139,75, mas ainda acumula queda de 4,09% no mês. Sidrolândia teve a maior alta, de 3,7%, para R$ 140, e Campo Grande chegou a R$ 143; só Sonora recuou, para R$ 136. A média do período, de R$ 138,10, ficou 11,69% acima da de um ano antes. Na quinta, a Granos indicava R$ 147 na capital, alta de 2,08% no dia, e a média das oito praças chegou a R$ 140,56, pelas contas do Campo em Pauta.
O valor depende de quem compra. A VA Corretora de Cereais apontava na quinta R$ 139 em Campo Grande e em Maracaju, depois de quedas de 2,11% e 0,71% na quarta, segundo o Notícias Agrícolas. Em Goiás, a cooperativa Comigo pagava R$ 132 em Rio Verde, R$ 1 abaixo de 9 de outubro; no Distrito Federal, a Coopa-DF pagava R$ 139. A Aprosoja/MS ressalva que as cotações não significam que o produtor esteja negociando a esse preço, já que a comercialização é gradual. No estado, 93,5% da safra 2025/26 já estava vendida até segunda-feira (19), 1,5 ponto percentual acima de um ano antes.
Com informações de Notícias Agrícolas (CME Group, soja em Chicago), Notícias Agrícolas (prêmio da soja em Paranaguá), Notícias Agrícolas (soja, sindicatos e cooperativas), Notícias Agrícolas (soja em MS, Granos Corretora), Canal Rural (Safras & Mercado), CNN Brasil (Granar), Anec (Shipment Flow, semana 41/2026), Anec (Shipment Flow, semana 40/2026), Canal Rural (Anec), Aprosoja/MS (Circular Casa Rural nº 683), Campo Grande News, Cepea/Esalq (indicador da soja), Cepea/Esalq (série histórica, Paranaguá), Banco Central (Ptax), Imea (indicadores da soja), Imea (Boletim Semanal da Soja nº 919), Imea (Boletim Semanal da Soja nº 918), Globo Rural (Itaú BBA), Globo Rural (Cepea em Paranaguá, 21/10), Safras & Mercado, Canal Rural (Safras & Mercado, 22/10), Canal Rural (Chicago, 22/10) e Globo Rural (Vlamir Brandalizze).



