Exportação de DDG de MT cresce 35% e já supera 2025; China leva 423 mil t no primeiro ano de mercado aberto
Em setembro, os chineses ficaram com 87,6% dos embarques do coproduto do etanol de milho, vendido a US$ 229 a tonelada, 5,6% acima do milho em grão. Mato Grosso do Sul cresce 23%, e Goiás não exporta.

Mato Grosso exportou 754,9 mil toneladas de DDG, os grãos secos de destilaria que sobram da fabricação do etanol de milho e são usados na ração animal, de janeiro a setembro de 2026. O volume é 35% maior que as 559,1 mil toneladas do mesmo período de 2025 e já supera as 704,7 mil toneladas de todo o ano passado, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado na sexta-feira (16). A China, que abriu o mercado ao produto do estado em fevereiro, levou 423,2 mil toneladas, 56,1% do total, pelas contas do Campo em Pauta sobre o Comexstat, sistema de comércio exterior do governo federal.
Os números do Imea coincidem com os do Comexstat no código 2302.10.00, que reúne farelos e outros resíduos do milho e onde o DDG de Mato Grosso é registrado. Pelos mesmos dados, a receita das vendas subiu mais que o volume: US$ 173 milhões nos nove meses, alta de 40,9%, com preço médio de US$ 229,15 por tonelada, 4,4% acima dos US$ 219,58 de 2025.
Setembro foi o segundo maior mês da série. O estado embarcou 130,65 mil toneladas, 2,3 vezes as 56,6 mil de agosto, e 114,4 mil toneladas foram para a China, 87,6% do total do mês e o maior volume mensal comprado pelos chineses desde a abertura, segundo o Imea.
A China ocupou o espaço de compradores tradicionais. De janeiro a setembro, a Turquia comprou 173,2 mil toneladas do DDG mato-grossense, 21,5% menos que um ano antes; o Vietnã, 69,5 mil, queda de 58,9%; a Nova Zelândia, 43,9 mil, recuo de 33,5%; e a Espanha, 28,7 mil, 62,3% a menos. A Indonésia apareceu com 15,7 mil toneladas.
Mercado aberto em 2026
O protocolo sanitário para os grãos e proteínas derivados do etanol de milho foi acertado entre Brasil e China em maio de 2025. Em novembro, segundo o Ministério da Agricultura, Pequim habilitou as primeiras cinco empresas exportadoras, com quatro unidades em Mato Grosso e uma em Mato Grosso do Sul. O primeiro navio, com 62 mil toneladas, saiu do porto de Imbituba (SC) em fevereiro, quando 13 plantas já estavam habilitadas, segundo o Times Brasil.
O avanço no coproduto contrasta com o grão. De janeiro a setembro, a China comprou 575,7 mil toneladas de milho de Mato Grosso, só 5% dos 11,4 milhões de toneladas que o estado exportou; o DDG vendido aos chineses no período equivale a 73,5% desse volume. "Nos últimos anos, a China tem tido safras de milho excelentes, o que reduziu essa necessidade de importação deles. Então, hoje, apesar de não ocuparem uma posição de destaque no consumo do milho em grão de Mato Grosso, eles vêm ganhando bastante relevância nas importações de DDG", disse o analista de agroindústria do Imea Juan Porto.
O DDG também vale mais por tonelada. O milho em grão exportado por Mato Grosso saiu em média a US$ 216,90 por tonelada de janeiro a setembro, e o DDG, a US$ 229,15, 5,6% a mais, pelas contas do Campo em Pauta. A China pagou US$ 231 por tonelada, acima dos US$ 226,80 dos demais destinos.
MS cresce 23%, e Goiás fica de fora
Em Mato Grosso do Sul, as exportações de DDG somaram 101,5 mil toneladas de janeiro a setembro, 23,2% mais que as 82,4 mil de 2025, e a China comprou 56,4 mil, 55,6% do total. Os embarques sul-mato-grossenses aos chineses se concentraram de fevereiro a maio; em setembro, o estado exportou só 788 toneladas, para a Indonésia. Goiás não registra exportação de DDG no Comexstat nem em 2025 nem em 2026.
Mato Grosso também vende o coproduto em outro código, o 2303.30.00, de resíduos de destilaria. Por ele saíram 76,9 mil toneladas de janeiro a setembro, 87,9% mais que um ano antes, das quais 9,2 mil para a China. Somados os dois códigos, o estado embarcou 831,7 mil toneladas.
Etanol de milho puxa a demanda
A oferta de DDG cresce com as usinas. A consultoria Hedgepoint estima que o uso de milho para etanol no Brasil passe de 29 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 34 milhões em 2026/27, alta de 17%, com novas usinas entrando em operação nos próximos meses e ao longo de 2027, e cita a mistura de 32% de etanol na gasolina, em vigor de forma provisória desde 1º de agosto. Como mostrou o Campo em Pauta, as usinas de Mato Grosso produziram 2,7 milhões de toneladas de DDG em 2025; as 704,7 mil exportadas no ano equivalem a 26% disso, e o restante ficou no país, sobretudo na alimentação do gado.
Para o produtor de grãos, a usina segura parte da demanda num ano de safra menor. O Imea estima que Mato Grosso colha 53,7 milhões de toneladas de milho em 2026/27, 7,5% menos que no ciclo anterior. Em 2024, o estado chegou a exportar 773 mil toneladas de DDG, e o volume caiu 8,8% em 2025, antes da retomada com a China. Segundo o Imea, o crescimento das exportações amplia as opções de venda de um produto que sai do processamento do milho dentro do estado. "No mês de setembro, Mato Grosso exportou pouco mais de 130 mil toneladas de DDG, sendo o segundo maior volume mensal de toda a série histórica e também mais que o dobro do que a gente viu no mês de agosto", afirmou Porto.
Com informações de Canal Rural, NovaCana (Imea, via A Tribuna MT), Comex Stat (MDIC), NovaCana (Ministério da Agricultura), Times Brasil, NovaCana (Hedgepoint) e Imea.



