Soja cai pela 5ª sessão em Chicago e vai ao menor valor em sete semanas; alta do dólar segura saca em Paranaguá
Contrato de novembro perde 2,4% na semana, a US$ 12,61 por bushel. Em dólar, a saca no porto cai 1,8%, mas o câmbio limita a baixa em reais a 0,09%; em Mato Grosso, a média fecha a R$ 135,78.

A soja fechou em queda pela quinta sessão seguida na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (16) e terminou a semana no menor valor em sete semanas. O contrato de novembro, referência do mercado, encerrou a US$ 12,6125 por bushel, baixa de 0,14% no dia e de 2,4% na semana, ante US$ 12,92 na sexta-feira anterior (9), pelos dados da CME Group compilados pelo Notícias Agrícolas. Durante o pregão, o contrato chegou ao nível mais baixo desde 27 de agosto, segundo a agência Reuters, citada pela CNN Brasil.
A perda foi diária: 0,33% na segunda-feira (12), 0,31% na terça (13), 0,51% na quarta (14), 1,12% na quinta (15), a maior da semana, e 0,14% na sexta. O contrato de janeiro fechou a US$ 12,7575. Em toneladas, o recuo semanal foi de US$ 11,30, para US$ 463,43, nas contas do jornal argentino La Nación.
O principal peso é a colheita nos Estados Unidos. Pelo último relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 46% da área de soja estava colhida até o domingo (11), e meteorologistas da Vaisala, citados pela Reuters, preveem tempo mais seco no Meio-Oeste a partir deste fim de semana, o que deve acelerar as máquinas. Analistas da Safras & Mercado apontam a expectativa de que os americanos colham a maior safra da história. No Brasil, a Conab estima a safra 2026/27 em 181,6 milhões de toneladas, recorde.
A China voltou às compras, mas não compensou a oferta. Na sexta-feira, o USDA confirmou vendas de 558 mil toneladas de soja americana aos chineses para entrega na temporada 2026/27, o que elevou a 1,358 milhão de toneladas o total confirmado em três dias, segundo a Reuters. Na semana até 8 de outubro, as exportações líquidas dos EUA somaram 574,9 mil toneladas, com 126,3 mil para a China, segundo a Safras.
“Os preços estavam em uma trajetória de alta pela expectativa de vendas robustas para a China, mas acontece que ela está comprando a ‘conta-gotas’”, disse à Globo Rural o analista Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica. Segundo ele, o país asiático comprou até agora pouco mais de 11 milhões de toneladas dos EUA, e o USDA projeta safras maiores nos principais produtores, o que abre espaço para novas quedas.
Câmbio segura a saca no porto
No Brasil, a alta do dólar amorteceu a queda. O indicador Cepea/Esalq da soja em Paranaguá (PR) fechou a sexta-feira a R$ 154,61 por saca de 60 quilos, recuo de 0,06% no dia e de apenas 0,09% sobre a sexta anterior (R$ 154,75). Em dólar, o mesmo indicador caiu de US$ 31,04 para US$ 30,47 por saca, baixa de 1,8%, pelas contas do Campo em Pauta sobre os dados do Cepea. A diferença veio do câmbio: a Ptax, taxa de referência do Banco Central, subiu 1,87% na semana, de R$ 4,9892 para R$ 5,0826. Desde o fim de setembro, quando estava em R$ 161,56, o indicador do porto acumula queda de 4,3%. O indicador Paraná, do interior do estado, marcou R$ 148,77, leve alta de 0,3% na semana.
O prêmio pago sobre Chicago para embarque em Paranaguá ficou parado nos cinco dias, em US$ 1,40 por bushel para outubro e US$ 1,55 para novembro, pelas cotações do Notícias Agrícolas, depois de recuar de US$ 1,70 para US$ 1,40 no dia 6. O mercado físico teve poucos negócios. “O produtor até ajustou um pouco o spread, mas não cedeu muito. As pedidas ainda estão acima da conta do comprador”, disse ao Canal Rural o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado.
Preços no Centro-Oeste
Em Mato Grosso, a soja disponível valia em média R$ 135,78 por saca na sexta-feira, queda de 0,39% no dia, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na quarta-feira (14), a média era de R$ 137. Em Sorriso, a saca saiu a R$ 135,20; em Primavera do Leste, a R$ 140,40; em Rondonópolis, a R$ 141,80. O frete de Sorriso a Santos (SP), calculado pelo Imea em R$ 493,13 por tonelada, equivale a cerca de R$ 29,60 por saca.
Em Goiás, a cooperativa Comigo pagava R$ 133 em Rio Verde, mesmo valor desde a sexta-feira anterior e R$ 3 abaixo do dia 2 de outubro, segundo as cotações publicadas pelo Notícias Agrícolas; o sindicato rural de Jataí também indicava R$ 133. Em Mato Grosso do Sul, a Granos Corretora apontava na quinta-feira (15) R$ 140,50 em Campo Grande e R$ 138 em Dourados, Maracaju e Chapadão do Sul, ligeiramente acima da semana anterior, quando Campo Grande e Dourados estavam em R$ 140 e R$ 137. No Distrito Federal, a Coopa-DF pagava R$ 141,50.
O plantio rápido reforça a perspectiva de oferta. Em Mato Grosso, a semeadura chegou a 51,86% da área até a sexta-feira, avanço de 18,6 pontos percentuais em uma semana, segundo o Imea; no médio-norte, passa de 69%. No país, a Pátria Agronegócios calcula 30,38% da área plantada, ante 22,80% um ano antes e média de 21,28% em cinco anos, o mais acelerado da história, segundo a consultoria. A Safras estima 29,5%.
Para Pacheco, da T&F, a tendência é de preços cada vez mais distantes das máximas do ano. “Os preços devem se acomodar, reflexo de uma safra muito grande no Brasil, de 181 milhões de toneladas, além das previsões favoráveis para a colheita na Argentina”, afirmou à Globo Rural. Com as pedidas acima das ofertas e o foco nas plantadeiras, o produtor segue retraído nas vendas, segundo a Safras. O próximo relatório de acompanhamento de safras do USDA sai nesta segunda-feira (19).
Com informações de Globo Rural, CNN Brasil (Reuters), Canal Rural (Safras News), La Nación, Cepea/Esalq, Banco Central (Ptax), Imea, Notícias Agrícolas (CME Group), Notícias Agrícolas (prêmio Paranaguá), Notícias Agrícolas (sindicatos e cooperativas) e Notícias Agrícolas (Granos Corretora, MS).



