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China leva 570 mil t de sorgo em setembro, mais que qualquer ano desde 1997; preço empata com o do milho

Embarques de agosto e setembro saíram em média a US$ 225 por tonelada, o mesmo valor do milho exportado. Goiás triplicou as vendas em um mês, e a Conab prevê sorgo 14,7% maior no Centro-Oeste em 2026/27.

Por Redação Campo em Pauta ·

Lavoura extensa de sorgo granífero com panículas avermelhadas em fileiras, sob céu limpo, com silos ao fundo no horizonte
Lavoura de sorgo granífero em Edmonson, no Texas (EUA), em 2010. Foto: USDA NRCS Texas (domínio público)

O Brasil exportou 570,2 mil toneladas de sorgo em setembro, todas para a China, segundo o Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em um único mês, o país vendeu mais do que em qualquer ano inteiro da série, iniciada em 1997: o recorde anual era de 2003, com 302,3 mil toneladas. Somado a agosto, quando os embarques ao mercado chinês começaram de fato, o volume chega a 755,6 mil toneladas e US$ 170,2 milhões em dois meses.

"Com a vinda da China para buscar sorgo aqui no Brasil, isso abriu uma perspectiva muito boa para o sorgo, inclusive com preços", disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Paulo Bertolini, em reportagem da Globo Rural publicada no sábado (17). O analista Raphael Bulascoschi, da StoneX, afirmou à CNN Brasil que, "entre agosto e setembro exportamos mais do que havíamos exportado em 20 anos". Os dados confirmam: de 2006 a 2025, foram 536,5 mil toneladas de sorgo em grão.

Com isso, de janeiro a setembro o país já vendeu 790,8 mil toneladas, incluindo uma carga de 35,2 mil toneladas para o Marrocos em março. O volume equivale a 10,7% da safra 2025/26, de 7,37 milhões de toneladas segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Um ano antes, as exportações de sorgo em grão tinham sido praticamente nulas.

Preço de milho

O cereal, historicamente cotado abaixo do milho no mercado interno, chegou ao porto valendo o mesmo. Pelas contas do Campo em Pauta, a tonelada de sorgo exportada em agosto e setembro saiu em média por US$ 225,21, ante US$ 225,10 do milho em grão no mesmo período. Em agosto, o sorgo foi vendido 8,2% acima do milho (US$ 230,48 contra US$ 212,93); em setembro, ficou 5,3% abaixo (US$ 223,52 contra US$ 235,95).

No mercado interno a diferença ainda existe, mas encolheu. O produtor Bernhard Kiep, de Itaberá (SP), disse à Globo Rural que vende o sorgo entre R$ 50 e R$ 60 a saca; segundo a revista, o indicador do milho do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) marcava R$ 65,59 em 13 de outubro. A vantagem, segundo ele, está no custo de produção, de 40% a 50% menor que o do milho.

Goiás na frente, MS no etanol

No Centro-Oeste, Goiás puxou a alta. O estado embarcou 124,1 mil toneladas para a China em setembro, o triplo das 41,4 mil toneladas de agosto. Mato Grosso vendeu 34,5 mil toneladas no mês e Mato Grosso do Sul, 9,7 mil. De janeiro a setembro, a região respondeu por 248,8 mil toneladas, ou 32,9% do que foi para os chineses. O recorte por estado é um piso: em setembro, 175,6 mil toneladas, 30,8% do total, saíram sem a origem declarada.

A fatia exportada varia muito entre os vizinhos. Pela produção da Conab na safra 2025/26, Goiás, maior produtor do país, com 2,04 milhões de toneladas, mandou 8,1% da colheita para a China; Mato Grosso, 13,5% de 436,1 mil toneladas. Em Mato Grosso do Sul, que colheu 1,03 milhão de toneladas, a fatia foi de 1,9%. Lá, o grão abastece sobretudo as usinas de etanol de cereais, como as da Inpasa em Dourados e Sidrolândia, motivo apontado pelo IBGE para a alta de 78,9% da safra estadual, como o Campo em Pauta mostrou na sexta-feira (16). A Inpasa fecha contratos antecipados com preço definido, para o produtor "travar também os custos", disse à Globo Rural o gerente regional Irineo Piaia Junior.

O escoamento passa sobretudo pelo Sudeste. Em setembro, o porto de Santos embarcou 300,6 mil toneladas do sorgo vendido à China, 52,7% do total, seguido de Vitória (144,4 mil) e São Francisco do Sul (72,6 mil). Segundo a CNN Brasil, a VLI começou a levar o grão de trem pela Ferrovia Centro-Atlântica e pelo tramo norte da Ferrovia Norte-Sul e prevê transportar mais de 800 mil toneladas até o fim do ano. A consultoria AgRural estima 1,8 milhão de toneladas embarcadas em setembro e outubro; para a conta fechar, outubro teria de somar cerca de 1,2 milhão.

Mais área na safrinha

A demanda deve aparecer no campo em 2027. No primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado na quinta-feira (15), a Conab projeta 8,03 milhões de toneladas de sorgo, alta de 9%, em 2,22 milhões de hectares (mais 2,1%), depois de a área ter crescido 32,9% no ciclo anterior. No Centro-Oeste, a produção deve subir 14,7%, para 4,13 milhões de toneladas: Goiás vai a 2,44 milhões (alta de 19,9%), Mato Grosso a 505,1 mil (15,8%) e Mato Grosso do Sul a 1,09 milhão (5,8%). É uma estimativa inicial, já que o sorgo de segunda safra só é semeado a partir de fevereiro.

Para a StoneX, o custo alto do milho e a oferta mais curta de sorgo favorecem o cultivo do cereal em 2026/27, e a disputa pode tirar área do milho. "Agora existe uma demanda externa que abre novas possibilidades de comercialização. Isso muda a forma como a cultura é enxergada", afirmou à CNN Brasil Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom.

O produtor Pedro Ottoni, que colheu cerca de 1,9 mil hectares de sorgo na segunda safra em Uberaba (MG) e vendeu parte do grão à Cofco, com destino à China, diz que a cultura pede outro manejo. "A cultura que existia de 'plantar sorgo por plantar e ver o que vai colher' não deve mais existir nesse novo momento do sorgo", afirmou à Globo Rural. A meta dele, agora, é vender para quem pagar mais, aqui ou lá fora.

Com informações de Comexstat (MDIC), Conab, 1º levantamento da safra 2026/27, Conab, boletim de safras de outubro de 2026, Globo Rural e CNN Brasil.

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