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Mosaic paralisa fábrica de fosfato na Flórida por falta de enxofre; no Brasil, insumo fica 4,4 vezes mais caro

Produção nacional de fosfatados cai 19,7% até julho, e pedido de subsídio ao enxofre segue sem resposta do governo; diesel S10 sobe 21% no Centro-Oeste desde fevereiro e chega a R$ 7,70 em Rio Verde.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grande morro esbranquiçado de fosfogesso ao fundo, atrás de um campo de grama e de uma porteira de metal, sob céu azul com nuvens
Pilha de fosfogesso, resíduo da fabricação de adubo fosfatado, perto de Fort Meade, na Flórida (EUA), em 2007. Foto: Harvey Henkelman (Attribution)

A americana Mosaic, maior fornecedora de fertilizantes do Brasil segundo o InvestNews, vai paralisar por mais de seis meses a unidade de fosfato de South Fort Meade, no condado de Polk, na Flórida, e demitir 199 empregados a partir de 8 de dezembro por falta de enxofre. A decisão consta de aviso entregue ao Departamento de Comércio da Flórida, datado de 5 de outubro e noticiado nesta sexta-feira (16) pela publicação especializada Fertilizer Daily. A falta do insumo já parou fábricas da empresa no Brasil, inclusive em Goiás, e encarece o adubo da safra que está sendo plantada no Centro-Oeste.

O enxofre é transformado em ácido sulfúrico, usado para converter a rocha fosfática em ácido fosfórico, base do MAP e do DAP. Segundo o professor Seckin Ozkul, da Universidade do Sul da Flórida, à Fox 13, de 40% a 45% do enxofre do mundo passa por Ormuz. Segundo a Fertilizer Daily, a Mosaic já havia reduzido a produção em outras duas fábricas na Flórida, duas na Louisiana e no Brasil, e só retomará South Fort Meade quando a oferta de enxofre permitir.

Enxofre a US$ 1.161 a tonelada

No Brasil, o enxofre a granel importado custou em média US$ 1.161 por tonelada em setembro, 4,4 vezes os US$ 265 de setembro de 2025, pelas contas do Campo em Pauta sobre os dados do Comexstat, sistema de comércio exterior do governo federal. De janeiro a setembro, o país comprou 820 mil toneladas, 48,4% menos que um ano antes. Importadores de Goiás, onde fica o polo de fosfato de Catalão, trouxeram 143 mil toneladas de enxofre no período, a US$ 854 em média, quase quatro vezes os US$ 216 pagos em 2025.

A Mosaic informou em julho, segundo a Estadão Conteúdo, que as unidades de Catalão (GO) e Candeias (BA) haviam parado e que Sorriso (MT) e Palmeirante (TO) operavam com produção reduzida. Em setembro, o Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) estimou ao AgFeed que mais da metade da produção nacional de fosfatados estava parada. A russa Eurochem pôs 450 funcionários em suspensão temporária de contrato em Serra do Salitre (MG); a chinesa CMOC mantinha a produção em Catalão, segundo o AgFeed. Pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), a produção nacional de fertilizantes intermediários caiu 19,7% de janeiro a julho, para 3,34 milhões de toneladas, e as entregas ao mercado recuaram 8,8%.

MAP mais caro e menos importado

Com menos produto nacional, o MAP importado também subiu. Em setembro, custou em média US$ 814 por tonelada, 12,1% acima de um ano antes; no ano, a média foi de US$ 772, alta de 17,6%, com volume 15,3% menor, de 2,19 milhões de toneladas, segundo o Comexstat. O superfosfato triplo saiu a US$ 668 em setembro, 26,5% mais que em 2025. Pelas contas do Campo em Pauta, ao preço da soja em Paranaguá na sexta-feira (US$ 30,47 por saca, pelo Cepea), uma tonelada de MAP importado equivale a 26,7 sacas, sem contar frete e custos de internação até a fazenda.

Uma nota técnica das entidades da indústria, apresentada ao governo no fim de agosto e divulgada pela CNN, afirma que a soja 2026/27 tem o maior custo de produção da última década, 5,7 sacas por hectare acima da média de sete anos, e que o enxofre, que respondia por 15% a 20% do valor de uma tonelada de MAP, passou a 66,7%. Em Mato Grosso, o Imea prevê alta de 5,4% nos gastos com fertilizantes e corretivos nesta safra, segundo o InvestNews. Como mostrou o Campo em Pauta, a Conab vê provável redução do pacote tecnológico nas lavouras do estado por causa das condições de compra de insumos.

A indústria pediu ao governo uma medida provisória que subsidiasse 85% do preço do enxofre acima de US$ 500 por tonelada, a um custo de até R$ 2,02 bilhões em três meses. “Da proposta de subvenção em si não houve nenhum avanço”, disse ao AgFeed o diretor executivo do Sinprifert, Bernardo Silva, depois de reunião com o governo em 1º de setembro. Depois, o ministro da Agricultura, André de Paula, disse à CNN Brasil que o país deve fechar acordo com o Marrocos para garantir fosfatados. “Nos espanta essa priorização e urgência de assegurar fornecimento de Marrocos, substituindo completamente a produção nacional”, reagiu Silva. O Campo em Pauta não encontrou anúncio de decisão sobre o subsídio até este domingo (18).

Diesel 21% mais caro desde a guerra

No diesel, a projeção é de petróleo caro até o fim do ano. A mediana de nove estimativas coletadas pelo Broadcast, divulgada pelo Canal Rural neste domingo (18), aponta o Brent a US$ 87 por barril no quarto trimestre e a US$ 80 em média em 2027; o HSBC prevê US$ 90 no trimestre. A agência de energia dos EUA (EIA) prevê US$ 105 no quarto trimestre e cita o aperto extremo no mercado mundial de diesel. Pelos dados da EIA, o barril no mercado físico valia US$ 126,55 na quarta-feira (14), 77% acima dos US$ 71,32 de 27 de fevereiro, antes da guerra.

Nos postos, o diesel S10 subiu cerca de 21% nos três estados do Centro-Oeste desde a última semana de fevereiro, pelas contas do Campo em Pauta sobre o levantamento semanal da ANP. Da semana de 22 a 28 de fevereiro para a de 4 a 10 de outubro, o litro passou de R$ 6,34 para R$ 7,66 em Mato Grosso (alta de 20,8%), de R$ 6,01 para R$ 7,36 em Goiás (22,5%) e de R$ 6,08 para R$ 7,34 em Mato Grosso do Sul (20,7%). Em Rio Verde (GO), a alta foi de 26,4%, para R$ 7,70; em Sinop (MT), de 23,9%, para R$ 7,88; em Dourados (MS), de 21,2%, para R$ 7,42. Em Alta Floresta (MT), chegou a R$ 8,42, o maior valor entre as cidades da região pesquisadas.

O vice-presidente da Rystad Energy no Brasil, Raphael Faucz, lembrou que o país importa 25% do diesel que consome, segundo a Estadão Conteúdo. No adubo, a indústria diz que a linha de crédito do BNDES oferecida pelo governo não resolve. “Ninguém vai pegar financiamento com a operação dando prejuízo”, disse Bernardo Silva ao AgFeed em setembro.

Com informações de Fertilizer Daily, Fox 13 Tampa Bay, Money Times (Estadão Conteúdo), AgFeed, Brasilagro (CNN), InvestNews, Comexstat (MDIC), Anda, Canal Rural (Estadão Conteúdo), EIA (Short-Term Energy Outlook), EIA (Brent à vista), ANP e Cepea/Esalq.

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