Soja cai 0,7% em Paranaguá após sete altas; Chicago recua pela 8ª sessão e produtor se afasta das vendas
Em MT, MS e GO, a saca perde até R$ 1 e fica R$ 18,67 abaixo do porto. No milho, o Rabobank prevê que as usinas de etanol fiquem com 30,5% do consumo interno em 2027, pelas contas do Campo em Pauta.

O indicador Cepea/Esalq da soja em Paranaguá (PR) caiu 0,70% na quarta-feira (4), para R$ 158,17 por saca, e encerrou uma sequência de sete altas seguidas, iniciada em 23 de outubro, que tinha levado a cotação a R$ 159,28 na terça-feira (3). A queda veio com a Bolsa de Chicago no menor nível em 11 semanas e sem a ajuda do dólar, que recuou 0,65%. O indicador Paraná, que mede o preço no interior do estado, cedeu 0,16%, para R$ 152,21.
No mercado físico, os preços caíram na maior parte das praças, mas com perdas moderadas, segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado. Os prêmios de exportação quase não se mexeram, os produtores ficaram afastados das negociações e as tradings trabalharam com poucas ofertas, de acordo com a consultoria.
No Centro-Oeste, a saca recuou de R$ 141 para R$ 140 em Rondonópolis (MT) e de R$ 142 para R$ 141 em Rio Verde (GO), e ficou parada em R$ 140 em Dourados (MS), pelos dados da Safras. Em Paranaguá, a consultoria apontou queda de R$ 160 para R$ 159. Pelas contas do Campo em Pauta, a média das três praças da região, de R$ 140,33, fica R$ 18,67 abaixo do porto, 11,7% menos.
Em Mato Grosso do Sul, o interior já vinha descolado do porto. A média estadual caiu 2,02% entre 26 e 29 de outubro, de R$ 145,69 para R$ 142,75, segundo o Boletim Casa Rural da Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famasul), divulgado na terça. No mesmo intervalo, pelas contas do Campo em Pauta, o indicador de Paranaguá subiu 1,76%, de R$ 155,55 para R$ 158,28. Sonora teve a maior baixa, de 4,79%, para R$ 139, seguida de Chapadão do Sul, com 3,05%. A média sul-mato-grossense ainda está 14,52% acima da do mesmo período de 2025, de R$ 124,90, e a Famasul lembra que os preços levantados não são necessariamente os recebidos pelo produtor.
Chicago na mínima desde agosto
Em Chicago, o contrato de janeiro caiu 11,75 centavos de dólar, ou 0,96%, para US$ 12,02 1/4 por bushel, na oitava sessão seguida de perdas, e o de março fechou a US$ 12,10 1/4. O óleo de soja de dezembro recuou 2,68%, e o farelo subiu 0,18%, para US$ 318,60 por tonelada. Medido na posição novembro, o grão chegou a US$ 438,44 por tonelada, o menor preço desde 14 de agosto, depois de cair em 17 dos últimos 21 pregões, segundo o jornal argentino La Nación.
A pressão vem da colheita americana, que chegou a 88% da área com rendimentos considerados muito bons, e da expectativa de que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) eleve a produtividade média no próximo relatório mensal, segundo as consultorias argentinas Grassi e Granar. As compras chinesas seguem abaixo do esperado pelos operadores, e a queda de 8,67% do petróleo Brent, para US$ 94,62 o barril, pesou sobre o óleo. Os exportadores americanos informaram ao USDA a venda de 167 mil toneladas para a Espanha.
Para Alê Delara, diretor da Delara Agronegócios, a comercialização da safra nova está pelo menos oito pontos percentuais à frente da do ano passado. “Se não houver nenhum problema grave de produção, os preços irão trabalhar dentro de uma normalidade sazonal e os prêmios podem sofrer um pouco mais de pressão de baixa devido ao dólar mais alto”, disse à Globo Rural na terça. O Rabobank avalia que, depois de chegar a US$ 13 por bushel, a soja se acomodou em Chicago e não deve ter novas altas, mas com volatilidade, e espera que os Estados Unidos dobrem as vendas à China, que somaram 12 milhões de toneladas, o que tira espaço do Brasil naquele mercado.
Milho se apoia no mercado interno
No milho, o banco holandês vê o consumo doméstico como o principal suporte dos preços em 2027. Nas projeções apresentadas na quarta em São Paulo, o uso interno sobe 7,1%, de 98 milhões para 105 milhões de toneladas, e só as usinas de etanol de milho passam de 27 milhões para 32 milhões. Pelas contas do Campo em Pauta, o etanol responde por 5 dos 7 milhões de toneladas a mais, 71% do aumento, e sua fatia no consumo interno sobe de 27,6% para 30,5%. As exportações devem ir de 36 milhões para 38 milhões de toneladas.
“Essa nova dinâmica do mercado interno está mudando a precificação do milho, com exportadores olhando mais para o longo prazo. O diferencial de base está encolhendo”, disse a analista de grãos do Rabobank Marcela Marini, segundo a Globo Rural. Para o banco, a demanda deve compensar o aumento da colheita e limitar a pressão sobre as cotações.
Em Chicago, o milho de dezembro subiu 0,39%, para US$ 4,44 1/4 por bushel, numa recuperação técnica depois de bater o menor nível desde 1º de julho, com a produção de etanol nos EUA 2,23% maior na semana, a 1,143 milhão de barris por dia, segundo a Safras. No Brasil, o indicador Cepea de Campinas (SP) subiu 0,42% na quarta, para R$ 66,47 por saca. Na terça, a Safras apontava R$ 52 a R$ 56 em Rondonópolis e R$ 57 a R$ 60 em Rio Verde; pelas contas do Campo em Pauta, o meio da faixa mato-grossense fica R$ 12,50 abaixo do milho posto em Campinas, 18,8% menos.
Segundo o analista Paulo Molinari, da Safras, os produtores acreditam que o câmbio pode puxar as cotações, enquanto os compradores não veem espaço para alta por causa da oferta e do bom clima para a safra de verão. Para Marcela Marini, mesmo com pouca margem para investir, o produtor deve ampliar a área de milho. “Estamos vendo a importância do milho na composição da receita do produtor, e ele tende a maximizar o uso do seu principal ativo, que é a terra”, afirmou.
Com informações de Cepea/Esalq (indicador da soja), Cepea/Esalq (indicador do milho), Canal Rural, Globo Rural, Campo Grande News (Boletim Casa Rural, Famasul), CNN Brasil, La Nación, Safras & Mercado e Agência Brasil.





