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Etanol sobe 37,5% nas usinas em três meses e 32,9% em Goiás; imposto zero e subsídio de R$ 0,43 vencem dia 9

Em Mato Grosso, onde 85,7% do etanol previsto para a safra vem do milho, o litro subiu 21,6% na usina e 10,2% na bomba. Até esta terça (3), a Fazenda não havia anunciado se renova, depois de segunda (9), a alíquota zero de PIS/Cofins e a subvenção de R$ 0,428 por litro.

Por Redação Campo em Pauta ·

Tanque branco cilíndrico com escadas amarelas ao lado de uma torre de destilação metálica com tubulações, sob céu azul com nuvens; à frente, cinegrafista e pessoas de terno atrás de grades
Planta de etanol de segunda geração em Piracicaba (SP), no dia da inauguração, em 2015. Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP (CC BY 2.0)

O etanol hidratado vendido pelas usinas paulistas subiu 37,5% em três meses. O indicador Cepea/Esalq fechou a semana de 26 a 30 de outubro em R$ 2,8135 por litro, sem ICMS, contra R$ 2,0457 na primeira semana de agosto, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP. Só na última semana, a alta foi de 2,68%. Em Goiás, o indicador de vendas dentro do estado subiu 32,9% no mesmo período, de R$ 1,9621 para R$ 2,6074 por litro. Em Mato Grosso, onde o indicador inclui o ICMS, a alta foi de 21,6%, de R$ 2.564,52 para R$ 3.119,51 por metro cúbico.

A alta chega a seis dias do fim de dois benefícios federais ao combustível. O Decreto 13.134, de 9 de outubro, zerou o PIS/Pasep e a Cofins sobre o etanol hidratado e fixou em R$ 0,428 por litro uma subvenção paga pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a usinas e cooperativas, ambos até segunda-feira (9). Pelas contas do Ministério da Fazenda, a alíquota zero equivale a R$ 0,19 por litro. Até esta terça-feira (3), a pasta não havia anunciado prorrogação. O decreto permite que um ato do ministro da Fazenda, Dario Durigan, estenda a subvenção.

Somados, os dois benefícios chegam a R$ 0,62 por litro, ou 15,1% do preço médio do etanol nas bombas de Mato Grosso na última semana de outubro, de R$ 4,09, pelas contas do Campo em Pauta. A subvenção não fica com a usina: pelo Decreto 13.119, de setembro, quem adere precisa descontar o valor do preço de venda e identificá-lo na nota fiscal, e a ANP faz o reembolso em até 30 dias.

O pacote foi anunciado em 9 de outubro, 16 dias antes do segundo turno, junto com a desoneração total da gasolina, de R$ 0,89 por litro, e um subsídio extra ao diesel importado. A Fazenda justificou as medidas com a alta do petróleo e estimou o custo da parte da gasolina e do etanol em R$ 3,6 bilhões em 2026, a ser coberto com receitas extraordinárias de petróleo. A subvenção ao etanol subiu de R$ 0,2519 para R$ 0,428 por litro para preservar a vantagem tributária do biocombustível sobre a gasolina, prevista na Lei Complementar 235. “As medidas são temporárias e valem apenas para 2026”, diz a nota da pasta.

Cana atrasada

Para Tarcilo Rodrigues, diretor da consultoria Bioagência, “o atraso da moagem da cana-de-açúcar é o principal fator” da alta, disse ele ao Globo Rural. Segundo ele, há cana em quantidade quase recorde, mas a chuva em excesso impede a entrada das máquinas, e as usinas devem tentar moer até 20 de dezembro. “Nenhuma usina quer ‘bisar’ cana”, afirmou. Rodrigues vê espaço para nova alta do preço pago às usinas, mas diz que é preciso observar a reação do consumidor.

A Datagro projeta moagem de 640,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul na safra 2026/27, alta de 4,8%. Mesmo assim, levantamento com 71 usinas indica que cerca de 5% da cana disponível, ou 34 milhões de toneladas, deve ficar no campo para a safra seguinte. A demanda segue firme: o consumo de etanol hidratado passou de 2 bilhões de litros por mês em agosto e setembro, segundo a consultoria, e a mistura obrigatória de anidro na gasolina subiu de 30% para 32%.

Nas bombas, o repasse foi menor e desigual. Pelo levantamento semanal da ANP, o litro do etanol em Mato Grosso passou de R$ 3,71 na primeira semana de agosto para R$ 4,09 na semana de 25 a 31 de outubro, alta de 10,2%. Em Mato Grosso do Sul, subiu 2,8%, a R$ 4,01. Em Goiás, caiu 7,9%, de R$ 4,20 para R$ 3,87. O etanol custa 60,7% do preço da gasolina em Mato Grosso, 61,5% em Goiás e 62,8% em Mato Grosso do Sul, abaixo da relação de 70% usada como referência de vantagem para o motorista.

Milho no tanque

No Centro-Oeste, o preço do etanol pesa cada vez mais no destino do milho. Mato Grosso deve produzir 8,4 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, dos quais 7,2 bilhões a partir do cereal, ou 85,7%, segundo o levantamento da Conab para a cana-de-açúcar divulgado em agosto. A região responde por 10,46 bilhões dos 11,91 bilhões de litros de etanol de milho previstos no país, volume 17% maior que o da safra anterior. Em Goiás, a produção a partir do cereal deve subir 50,6%, a 1,18 bilhão de litros; em Mato Grosso do Sul, recuar 2,4%, a 2,08 bilhões.

A expansão das usinas de milho já entra nas contas de oferta e demanda do grão. A StoneX projeta consumo interno de milho de 103 milhões de toneladas em 2026/27, 6,7% acima dos 96,5 milhões de 2025/26, impulsionado sobretudo pela capacidade de produção de etanol de milho. Mesmo com exportação de até 42 milhões de toneladas, a consultoria prevê estoques finais de 31,36 milhões, acima dos 29,1 milhões da última temporada. A Datagro estima 10,15 bilhões de litros de etanol de milho no Centro-Sul, ante 9,19 bilhões no ciclo anterior.

A subvenção também pesa na escolha das usinas de cana entre açúcar e etanol. Segundo Rodrigues, o subsídio “praticamente igualou” a remuneração do etanol e do açúcar. “Não há muito estímulo para fazer açúcar”, disse.

Para quem planta a cana, o preço melhor ainda não fechou a conta. Na conferência da Datagro, em São Paulo, o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Leal, disse que a tonelada da cana segue entre R$ 100 e R$ 110 no Centro-Sul. “Uma recuperação de preços não significa automaticamente a recuperação financeira do produtor”, afirmou.

Com informações de Cepea, Senado Federal (Decreto 13.134/2026), Senado Federal (Decreto 13.119/2026), Ministério da Fazenda, ANP, Conab, Globo Rural e Visão Agro.

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