Produtor vende 2,3 milhões de t de soja na semana do dólar, 70% da safra nova; em MT, preço cai 0,37%
Com a Ptax 7,15% mais alta na média da semana, a paridade de exportação para março sobe 5,89% em Mato Grosso, mas ainda paga R$ 14 a menos que o disponível. Chicago cai 1,42% na segunda e vai ao menor nível em quase 11 semanas.

Os produtores brasileiros venderam cerca de 2,3 milhões de toneladas de soja na semana seguinte à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quase duas vezes e meia as 950 mil toneladas negociadas na semana anterior, segundo a Agrinvest Commodities. Cerca de 70% do volume foi da safra 2026/27, que deve começar a ser colhida no fim de dezembro, e 30%, da 2025/26, segundo a consultoria.
“Apesar do clima sombrio no setor do agronegócio após a vitória do presidente Lula no segundo turno das eleições, os produtores venderam volumes razoáveis”, afirmou o diretor de mercado físico da Agrinvest, José Fabiano da Silva, em nota a clientes publicada pela Globo Rural. “O dólar valorizou-se em 9%, enquanto os futuros de Chicago recuaram 2,7% e os prêmios nos portos ficaram estáveis. Com um ganho líquido de aproximadamente 6% nos preços à vista, alguns agricultores aproveitaram a oportunidade para vender, principalmente por meio de contratos a termo.”
Em Mato Grosso, o câmbio não chegou ao grão disponível. O indicador do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fechou a semana com média de R$ 133,78 por saca, 0,37% abaixo da anterior, enquanto o dólar subiu 7,15% na média, segundo o boletim do instituto com data de segunda. A alta apareceu na venda antecipada: a paridade de exportação para março de 2027 subiu 5,89%, para R$ 119,79. Pelas contas do Campo em Pauta, a saca da safra nova ainda vale R$ 13,99 menos que a disponível, 10,5% abaixo.
O estado tinha vendido 43,73% da safra 2026/27 até outubro, ante 39,12% até setembro, e 97,51% da 2025/26, pelo Imea. Nesta terça-feira (3), a saca ficou em R$ 133,95 em Sorriso, pelo sindicato rural, alta de 0,11%, e em R$ 134 em Rio Verde (GO), pela Comigo. Em Campo Grande (MS), a VA Corretora de Cereais manteve R$ 142, segundo o Notícias Agrícolas. Em Paranaguá (PR), a Insoy Commodities indicava R$ 159, R$ 25,05 acima do preço de Sorriso.
Porto reage, mas fecha outubro no vermelho
No porto, o indicador Cepea/Esalq de Paranaguá fechou a sexta-feira (30) a R$ 158,88 por saca, 4,25% acima de 23 de outubro e o maior valor desde 2 de outubro. O indicador Paraná, que mede o preço no interior do estado, foi a R$ 152,22, alta de 3,77% na semana. Os dois ainda terminaram outubro em queda, de 1,66% e 1,74%. Em dólar, a saca de Paranaguá caiu de US$ 30,53 para US$ 29,14 na semana, recuo de 4,55%, pelos dados do Cepea.
Segundo o Cepea, o dólar mais caro atraiu compradores estrangeiros e deu liquidez ao mercado disponível, também puxado pelo receio de alta do frete com o diesel. Do lado contrário, os agentes têm mostrado menos interesse em contratos a termo, sobretudo para embarque em 2027, por causa da incerteza sobre o frete rodoviário e das discussões sobre a reforma tributária, e parte deles prefere segurar o estoque que sobrou da safra passada.
“Tivemos mais negócios registrados ao longo da semana, mas os volumes ainda não foram muito significativos”, disse Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado. Para esta semana, a consultoria espera suporte do dólar aos preços internos, mas avalia que a falta de recuperação em Chicago deve manter o produtor “em cima do muro”.
Chicago na mínima em 11 semanas
Na bolsa americana, o contrato de janeiro caiu 1,42% na segunda, para US$ 12,1675 por bushel, o menor patamar em quase 11 semanas, segundo a Safras, e operava em queda de 0,21%, a US$ 12,14, na manhã desta terça. Em outubro, o vencimento perdeu 6,05%. A colheita nos Estados Unidos chegou a 88% da área, e o mercado espera que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) eleve a estimativa de produtividade no relatório de terça-feira (10), segundo a consultoria Granar, citada pela CNN Brasil.
A China segue comprando. O USDA confirmou na segunda a venda de 136 mil toneladas da safra 2026/27 aos chineses, e das 2,44 milhões de toneladas inspecionadas para exportação entre 23 e 29 de outubro, 1,52 milhão tinham a China como destino. Os fundos, porém, reduziram em 12,45% a posição líquida comprada em soja na semana até 27 de outubro, de 221.325 para 193.781 contratos, pelos dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) dos EUA.
Para a Agrinvest, o ritmo do campo pode destravar mais negócios da safra nova nas próximas semanas. “Este forte progresso do plantio, combinado com um otimismo crescente a respeito das condições climáticas, pode trazer mais liquidez às vendas da soja da safra nova”, afirmou Silva.
Com informações de Globo Rural (Agrinvest Commodities), Imea (boletim semanal da soja nº 921), Cepea (indicador da soja), Mais Soja (Cepea), Canal Rural, Safras & Mercado, Notícias Agrícolas, CNN Brasil, Globo Rural e CFTC.





