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México volta a comprar frango de fora de SC; Mapa manda 9 contêineres catarinenses voltarem da África

Focos da doença entram em vazio sanitário após o abate de 47 mil aves. Antes do veto, MT, MS e GO já tinham vendido 31,8% menos frango aos mexicanos em 2026, a um preço 13% menor.

Por Redação Campo em Pauta ·

Três trabalhadores com protetores de ouvido carregam caixas de frango congelado de uma esteira para dentro de um contêiner refrigerado
Carregamento de contêiner de frango para exportação em frigorífico de Boituva (SP), em 2020. Foto: Daniel Guimarães/AgriculturaSP (CC BY 2.0)

O México passou a reconhecer a regionalização sanitária para a doença de Newcastle e limitou a Santa Catarina o veto à carne de aves do Brasil, segundo nota do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicada na sexta-feira (30) e atualizada no domingo (1º). As compras mexicanas estavam suspensas para o país inteiro desde 19 de outubro. Com a decisão, os frigoríficos habilitados dos demais estados, entre eles os de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, voltam a poder embarcar.

Segundo o Canal Rural, Uruguai e Malásia passam a ser os únicos países com restrição às aves de todo o território brasileiro. Em nota da semana passada, o Mapa estimou que o reconhecimento da regionalização evitou perdas potenciais de cerca de US$ 954 milhões por ano, com base nas exportações de 2025, sendo US$ 485 milhões na China, US$ 293 milhões na Arábia Saudita e US$ 57 milhões na Argentina.

O mercado que reabre já vinha encolhendo para o Centro-Oeste. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, MT, MS e GO venderam 12,8 mil toneladas de carne de aves ao México de janeiro a setembro, por US$ 28,5 milhões. O volume é 31,8% menor que o de igual período de 2025, de 18,8 mil toneladas, e a receita caiu 40,7%.

O preço médio pago pelos mexicanos à região recuou 13%, de US$ 2.557 para US$ 2.224 por tonelada, mas segue 7,7% acima da média que os três estados recebem pelo frango exportado, de US$ 2.065. Goiás foi quem mais perdeu, com queda de 39,7%, para 5,3 mil toneladas, e Mato Grosso do Sul caiu 31,2%, para 6 mil toneladas. Mato Grosso, com volume menor, cresceu 23,7%, para 1,44 mil tonelada. No total, a região exportou 452,6 mil toneladas de carne de aves no período, 15,2% mais que em 2025.

Contêineres de volta

O Mapa determinou o retorno ao Brasil de nove contêineres com produtos avícolas de uma empresa catarinense que estavam no mar a caminho da África, oito deles para Gana e um para Angola, segundo a CNN Brasil. A ordem consta de termo de intimação assinado na sexta-feira (30). Os certificados sanitários das cargas foram emitidos entre 25 de setembro e 15 de outubro e declaravam que os produtos não passaram por áreas sob restrição. Com a data de referência fixada em 21 de setembro, anterior à confirmação do primeiro foco, em 18 de outubro, as cargas entraram nas restrições.

O termo não manda descartar os produtos nem aponta contaminação. A empresa terá de apresentar ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) a programação do retorno e submeter as cargas à fiscalização na chegada. O documento admite a venda no mercado interno, desde que a empresa cumpra a legislação brasileira e obtenha autorização do serviço oficial, e proíbe a comercialização antes disso.

Gana e Angola não fecharam o mercado ao Brasil. Os dois países compraram 93,2 mil e 88,2 mil toneladas de carne de aves brasileira de janeiro a setembro, pelo Comex Stat, das quais 10,6 mil e 16,8 mil toneladas saíram de Santa Catarina. MT, MS e GO venderam 3,2 mil toneladas aos ganenses, 36,9% mais que em 2025, e 4,9 mil toneladas aos angolanos, 23,3% menos. Goiás lidera nos dois destinos.

Vazio sanitário

Os três focos comerciais, em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, entraram em vazio sanitário depois do despovoamento, da limpeza e da desinfecção das granjas, informou a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) na segunda-feira (2). Cerca de 47 mil aves foram eliminadas. A companhia concluiu as vistorias nas mais de 2,7 mil propriedades da área de emergência, incluindo 202 granjas comerciais, e mantém quatro barreiras sanitárias e 68 profissionais. Na semana passada, como mostrou o Campo em Pauta, eram 124 profissionais e cinco barreiras.

Segundo a CNN Brasil, foram feitas 91 análises laboratoriais, e duas amostras ainda aguardam sequenciamento genético. A vigilância epidemiológica terminou no domingo (1º), e o Mapa prevê concluir as análises para iniciar os estudos estatísticos que vão orientar as próximas medidas e a retomada dos mercados. O estado de emergência zoossanitária vale por 60 dias a partir de 18 de outubro e cobre Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Santa Catarina segue fora do México, da China, do Chile e de outros mercados que vetaram o estado, e o resto do país mantém as vendas. “O reconhecimento da regionalização é importante para reduzir os impactos comerciais de ocorrências sanitárias”, afirmou o Mapa na nota sobre a decisão mexicana.

Com informações de Ministério da Agricultura e Pecuária, Canal Rural, CNN Brasil e Comex Stat (MDIC).

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