México volta a comprar frango de fora de SC; Mapa manda 9 contêineres catarinenses voltarem da África
Focos da doença entram em vazio sanitário após o abate de 47 mil aves. Antes do veto, MT, MS e GO já tinham vendido 31,8% menos frango aos mexicanos em 2026, a um preço 13% menor.

O México passou a reconhecer a regionalização sanitária para a doença de Newcastle e limitou a Santa Catarina o veto à carne de aves do Brasil, segundo nota do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicada na sexta-feira (30) e atualizada no domingo (1º). As compras mexicanas estavam suspensas para o país inteiro desde 19 de outubro. Com a decisão, os frigoríficos habilitados dos demais estados, entre eles os de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, voltam a poder embarcar.
Segundo o Canal Rural, Uruguai e Malásia passam a ser os únicos países com restrição às aves de todo o território brasileiro. Em nota da semana passada, o Mapa estimou que o reconhecimento da regionalização evitou perdas potenciais de cerca de US$ 954 milhões por ano, com base nas exportações de 2025, sendo US$ 485 milhões na China, US$ 293 milhões na Arábia Saudita e US$ 57 milhões na Argentina.
O mercado que reabre já vinha encolhendo para o Centro-Oeste. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, MT, MS e GO venderam 12,8 mil toneladas de carne de aves ao México de janeiro a setembro, por US$ 28,5 milhões. O volume é 31,8% menor que o de igual período de 2025, de 18,8 mil toneladas, e a receita caiu 40,7%.
O preço médio pago pelos mexicanos à região recuou 13%, de US$ 2.557 para US$ 2.224 por tonelada, mas segue 7,7% acima da média que os três estados recebem pelo frango exportado, de US$ 2.065. Goiás foi quem mais perdeu, com queda de 39,7%, para 5,3 mil toneladas, e Mato Grosso do Sul caiu 31,2%, para 6 mil toneladas. Mato Grosso, com volume menor, cresceu 23,7%, para 1,44 mil tonelada. No total, a região exportou 452,6 mil toneladas de carne de aves no período, 15,2% mais que em 2025.
Contêineres de volta
O Mapa determinou o retorno ao Brasil de nove contêineres com produtos avícolas de uma empresa catarinense que estavam no mar a caminho da África, oito deles para Gana e um para Angola, segundo a CNN Brasil. A ordem consta de termo de intimação assinado na sexta-feira (30). Os certificados sanitários das cargas foram emitidos entre 25 de setembro e 15 de outubro e declaravam que os produtos não passaram por áreas sob restrição. Com a data de referência fixada em 21 de setembro, anterior à confirmação do primeiro foco, em 18 de outubro, as cargas entraram nas restrições.
O termo não manda descartar os produtos nem aponta contaminação. A empresa terá de apresentar ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) a programação do retorno e submeter as cargas à fiscalização na chegada. O documento admite a venda no mercado interno, desde que a empresa cumpra a legislação brasileira e obtenha autorização do serviço oficial, e proíbe a comercialização antes disso.
Gana e Angola não fecharam o mercado ao Brasil. Os dois países compraram 93,2 mil e 88,2 mil toneladas de carne de aves brasileira de janeiro a setembro, pelo Comex Stat, das quais 10,6 mil e 16,8 mil toneladas saíram de Santa Catarina. MT, MS e GO venderam 3,2 mil toneladas aos ganenses, 36,9% mais que em 2025, e 4,9 mil toneladas aos angolanos, 23,3% menos. Goiás lidera nos dois destinos.
Vazio sanitário
Os três focos comerciais, em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, entraram em vazio sanitário depois do despovoamento, da limpeza e da desinfecção das granjas, informou a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) na segunda-feira (2). Cerca de 47 mil aves foram eliminadas. A companhia concluiu as vistorias nas mais de 2,7 mil propriedades da área de emergência, incluindo 202 granjas comerciais, e mantém quatro barreiras sanitárias e 68 profissionais. Na semana passada, como mostrou o Campo em Pauta, eram 124 profissionais e cinco barreiras.
Segundo a CNN Brasil, foram feitas 91 análises laboratoriais, e duas amostras ainda aguardam sequenciamento genético. A vigilância epidemiológica terminou no domingo (1º), e o Mapa prevê concluir as análises para iniciar os estudos estatísticos que vão orientar as próximas medidas e a retomada dos mercados. O estado de emergência zoossanitária vale por 60 dias a partir de 18 de outubro e cobre Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Santa Catarina segue fora do México, da China, do Chile e de outros mercados que vetaram o estado, e o resto do país mantém as vendas. “O reconhecimento da regionalização é importante para reduzir os impactos comerciais de ocorrências sanitárias”, afirmou o Mapa na nota sobre a decisão mexicana.
Com informações de Ministério da Agricultura e Pecuária, Canal Rural, CNN Brasil e Comex Stat (MDIC).





