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Focus eleva Selic de 2027 a 12,5% e IPCA a 4,76%; Ptax fecha a R$ 5,49, 9% acima do pré-urna

Nas respostas dadas depois do 2º turno, economistas já não veem corte da Selic de 13,75% neste ano, e as opções da B3 dão 72,5% de chance de o Copom parar nesta quarta. Tesouro prevê dívida bruta de 89,7% do PIB em 2030.

Por Redação Campo em Pauta ·

Homens de terno sentados em volta de uma mesa comprida de madeira com notebooks, numa sala de paredes de mármore com duas telas desligadas ao fundo
Diretores do Banco Central na abertura de uma reunião do Copom, em Brasília, em julho de 2016. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 2.0)

Os economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram de uma vez as projeções de juros, inflação e dólar no boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3), o primeiro depois do feriado, com respostas coletadas até a sexta-feira (30). A mediana para a Selic no fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50% ao ano em uma semana, e a do IPCA de 2027 foi de 4,34% para 4,76%, 1,76 ponto acima da meta de 3%. Para 2026, a inflação esperada passou de 5,19% para 5,22%, e o crescimento do PIB caiu de 1,80% para 1,76%.

O câmbio foi o que mais mudou. A projeção para o fim de 2026 saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34, e a de 2027, de R$ 5,15 para R$ 5,40. A moeda já está acima disso: a Ptax, taxa do Banco Central usada nos contratos de insumos e de venda de grãos, fechou nesta terça a R$ 5,4935, 1,33% acima da sexta e 9,05% acima de 23 de outubro, último dia útil antes do 2º turno, quando estava em R$ 5,0377. Pelas contas do Campo em Pauta, a nova projeção para 2027 põe R$ 25 mil a mais em cada US$ 100 mil de adubo, defensivo ou peça que o produtor comprar no ano que vem.

Na Selic, o Focus ainda mistura respostas anteriores e posteriores à eleição. Na média dos últimos 30 dias, a mediana prevê um último corte de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (4), de 13,75% para 13,50%, e juro parado até junho de 2027. No recorte dos últimos cinco dias úteis, todo posterior ao 2º turno, o quadro é mais duro: a mediana aponta manutenção em 13,75% nesta semana e em dezembro, e Selic de 12,50% no fim de 2027. Uma semana antes, as medianas indicavam cortes em novembro e em dezembro e juro de 13,25% no fim deste ano.

Pelas contas do Campo em Pauta, os 0,75 ponto a mais na Selic esperada para o fim de 2027, se chegarem inteiros às linhas a juro livre, encarecem em R$ 7,5 mil por ano cada R$ 1 milhão financiado para custeio, máquina ou armazém.

Copom deve parar os cortes

As opções de Copom negociadas na B3 davam, nesta terça, 72,5% de chance de manutenção da Selic e 26% de corte de 0,25 ponto, segundo a Safras & Mercado. Em 23 de outubro, 76% apostavam no corte. O Itaú espera decisão unânime de interromper o ciclo, num cenário de pressões que tendem a se traduzir “em deterioração adicional das expectativas de inflação, que já se encontram desancoradas”. O HSBC passou a prever juro de 13,75% até março de 2027 e Selic de 12,50% no fim do ano que vem, ante 11,75% na projeção anterior. A decisão sai na quarta, a partir das 18h30.

Os juros futuros subiram desde a abertura, com alta maior nos prazos longos. Às 9h10, a taxa do DI para janeiro de 2029 estava em 15,13%, ante 14,962% no ajuste anterior, e a de janeiro de 2031, em 15,43%, ante 15,272%, segundo o Canal Rural. Por volta das 15h45, o DI de janeiro de 2028 pagava 14,61%, o dólar à vista subia 1%, a R$ 5,4922, depois de bater R$ 5,5151 na máxima do dia, e o Ibovespa caía 1,44%, aos 165,5 mil pontos, segundo a CNN Brasil.

A conta pública também piorou no Focus. O déficit primário esperado para 2027 passou de 0,30% para 0,40% do PIB, e a dívida líquida, de 74% para 74,2%. No Relatório de Riscos Fiscais da União, divulgado nesta terça, o Tesouro Nacional projeta a dívida bruta do governo geral em 83,7% do PIB no fim de 2026 e no pico de 89,7% em 2030, antes de cair a 86,3% em 2036, segundo a CNN Brasil. O órgão atribui a alta principalmente à diferença entre os juros pagos e o crescimento do PIB.

Fazenda sem sinal de ajuste

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça que nada do que discute com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justifica medo do mercado. “Nós estamos tratando de um ajuste gradual, que respeite os compromissos de campanha, que seja justo em relação aos mais pobres”, disse, segundo a CNN Brasil. Ele também afirmou que ainda não conversou com Lula sobre novas indicações para a diretoria do Banco Central nem sobre a sucessão na Fazenda.

Durigan negou que haja reunião marcada entre Lula e o economista André Lara Resende e descartou tabelamento de juros e uso das reservas internacionais para segurar o câmbio, segundo a Safras & Mercado. Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propõe levar a Selic a 7,5% em cerca de 12 meses e usar parte das reservas, de mais de US$ 350 bilhões, para conter a pressão sobre o real.

A proposta não encontrou respaldo entre especialistas, segundo a editora de Economia da CNN Brasil, Lucinda Pinto. “Na prática, o que você vai fazer é aumentar ainda mais a taxa de juros que o investidor vai exigir para emprestar dinheiro para o governo”, disse. Para ela, o problema é anterior à proposta: “O que o mercado vê é pouca disposição do governo em fazer esse tal ajuste fiscal que tanto se clama”. E o risco, segundo a analista, é outro: “O perigo hoje que os analistas estão vendo é que o ajuste fiscal seja feito por meio da inflação.”

Com informações de Banco Central (Focus, 30/10/2026), Banco Central (Sistema de Expectativas de Mercado), Banco Central (Ptax), Banco Central (Selic meta, SGS 432), Safras & Mercado, Canal Rural e CNN Brasil.

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