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Milho sobe 2,2% em Campinas e cai 2,2% em MT na semana do dólar; Sorriso fica a R$ 42,80

Saca mato-grossense vale 34,6% menos que a paulista, e o estado vendeu só 19,8% da safra 2026/27. Fundos cortam de novo pela metade a aposta de alta em Chicago, e a China deve levar só 900 mil t de milho americano.

Por Redação Campo em Pauta ·

Lavoura de milho verde em primeiro plano sob céu carregado de nuvens escuras, com uma árvore isolada à esquerda e um morro ao fundo
Lavoura de milho safrinha em Goiatuba (GO), em março de 2013. Foto: Tiago Firmino Boaventura de Oliveira (CC BY 3.0)

O milho subiu no mercado paulista e caiu em Mato Grosso na semana em que o dólar disparou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O indicador Cepea/Esalq de Campinas (SP) passou de R$ 64,24 por saca na segunda-feira (26) para R$ 65,64 na sexta-feira (30), alta de 2,18%. No mesmo período, a saca disponível em Mato Grosso, calculada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), caiu de R$ 43,88 para R$ 42,92, recuo de 2,19%. Pelas contas do Campo em Pauta, o milho mato-grossense terminou a semana valendo R$ 22,72 a menos por saca que o paulista, 34,6% abaixo.

Segundo o Cepea, a reação em São Paulo veio do dólar, da alta nos portos e da retração de parte dos vendedores, atentos às incertezas da reforma tributária, enquanto os compradores fecharam só lotes pontuais, à espera de preço melhor. Mesmo com a semana positiva, o indicador de Campinas caiu 4,41% em outubro, e a média do mês, de R$ 65,76, ficou 5,92% abaixo da de setembro, segundo a Globo Rural. Em dólar, a saca paulista recuou de US$ 12,87 para US$ 12,04 entre as sextas-feiras 23 e 30, queda de 6,45%, pelos dados do Cepea.

No interior, o quadro é de preço baixo. Nesta terça-feira (3), a saca estava em R$ 42,80 em Sorriso (MT), pelo sindicato rural, queda de 0,47%, em R$ 45 em Campo Novo do Parecis e em R$ 47 em Tangará da Serra, pela Ceres. Em Goiás, Rio Verde e Jataí subiram para R$ 54, e em Mato Grosso do Sul a VA Corretora de Cereais manteve R$ 50 em Campo Grande, Maracaju e São Gabriel do Oeste, segundo o Notícias Agrícolas. Em outubro, 36 das 39 praças acompanhadas pela AgRural tiveram queda, e a maior, de 11,5%, foi em Sinop (MT), segundo a Globo Rural.

Venda antecipada sobe, mas segue lenta

O dólar 7,15% mais caro na média da semana levou a paridade de exportação de Mato Grosso para julho de 2027 a R$ 41,23 por saca, alta de 11,94%, segundo o boletim do Imea com data de segunda-feira (2). O ganho foi limitado pelo milho na bolsa de Chicago, que caiu 2,35% na semana, e pelo prêmio de exportação em Santos, que recuou 8,41%, para US$ 0,81 por bushel. Até outubro, o estado tinha vendido 19,79% da safra 2026/27 e 80,23% da 2025/26.

No país, as vendas de milho somaram cerca de 2,5 milhões de toneladas na semana passada, quase 67% acima de 1,5 milhão de toneladas da anterior, segundo a Agrinvest Commodities. O diretor de mercado físico da consultoria, José Fabiano da Silva, avalia que o plantio adiantado da soja deve abrir uma janela ideal para a segunda safra de milho. “Esse é só mais um fator de baixa para o milho, entre tantos outros que atualmente pesam sobre o mercado”, afirmou, em nota publicada pela Globo Rural. Para ele, a exportação dificilmente passará de 38 milhões de toneladas, e os compradores internos devem seguir em posição “muito confortável” no ano que vem, com compras a termo e estoques altos.

Os juros altos pesam também do lado de quem compra. Para a Grainsights, plataforma de inteligência de mercado da Grão Direto, os juros elevados encarecem o financiamento e limitam a capacidade de indústrias e outros compradores de antecipar grandes volumes. “Assim, a sustentação regional dos preços dependerá não apenas do consumo, mas também da capacidade financeira dos compradores”, afirma a análise, que vê as usinas de etanol de milho de Mato Grosso e Goiás ampliando a absorção do grão. Na B3, o contrato de novembro fechou a sexta a R$ 67,22, e o de janeiro de 2027, a R$ 71,16.

Chicago e China pressionam

Em Chicago, o contrato de dezembro subiu 0,11% na segunda, para US$ 4,4825 por bushel, depois de cinco semanas seguidas de queda, segundo a Granar, citada pela CNN Brasil. Na manhã desta terça, voltava a cair 0,95%, a US$ 4,44, com o avanço da colheita americana, segundo a Globo Rural. Os fundos reduziram em 50,67% a posição líquida comprada em milho na semana até 27 de outubro, de 164.423 para 81.113 contratos, pelos dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) dos EUA.

A demanda chinesa também não ajuda. A China comprou só US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos fora a soja entre janeiro e setembro, o menor valor para o período desde 2019, segundo análise da Reuters publicada pela CNN Brasil. A Cofco Futures, ligada à estatal chinesa, prevê importar cerca de 900 mil toneladas de milho americano na safra 2026/27, ante quase 20 milhões de toneladas em 2021, no auge. O sorgo brasileiro, liberado pela China em setembro de 2025, já embarcou 1,7 milhão de toneladas para o país neste ano, segundo a Marex.

Para a Grainsights, a disputa por mercado lá fora tende a seguir dura. “No Brasil, a concorrência norte-americana e a postura agressiva da Argentina dificultam a comercialização”, afirma a análise.

Com informações de Cepea (indicador do milho), Imea (boletim semanal do milho nº 921), Globo Rural, Globo Rural (Agrinvest Commodities), Canal Rural, Canal Rural (Grão Direto), Mais Soja (Cepea), Notícias Agrícolas, CNN Brasil, CNN Brasil (Reuters) e CFTC.

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