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Peña recebe empresários brasileiros em Assunção no dia 13 para atrair investimento ao Paraguai

Summit Paraguay–Brasil, do LIDE, põe agro, energia e logística na pauta; comércio entre os dois países cresce 7,9% em 2026 e soma US$ 5,8 bilhões até setembro

Por Redação Campo em Pauta ·

Prédios do centro de Assunção vistos do outro lado do rio Paraguai, com uma balsa e barcos atracados em primeiro plano
O centro de Assunção visto de Chaco'i, na margem oposta do rio Paraguai, em 2016. Foto: P. S. F. Freitas/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, recebe empresários brasileiros em Assunção na sexta-feira, 13 de novembro, no Summit Paraguay–Brasil. O encontro é uma iniciativa do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), com apoio do Ministério da Indústria e Comércio paraguaio, e tem como tema o “novo eixo econômico da América Latina”.

Segundo a página do evento, a pauta inclui infraestrutura, energia, tecnologia, agronegócio, integração, logística, serviços, saúde e comércio exterior, com foco em oportunidades de negócios e investimentos entre os dois países. Em julho, o LIDE informou que a comitiva brasileira seria recebida por Peña e por quatro ministros. A divulgação daquele mês falava em programação nos dias 12 e 13. Hoje, a página do evento traz o dia 13, a mesma data citada pelo presidente paraguaio. O LIDE recebe as manifestações de interesse no próprio site e promete transmissão ao vivo.

Em vídeo divulgado em setembro, Peña convidou o empresariado brasileiro a ir a Assunção. “Empresários do Brasil, o Paraguai está despertando e as oportunidades já estão aqui. Brasil e Paraguai são dois sócios históricos”, disse. “Nossa localização estratégica, os impostos competitivos e nossa população jovem podem contribuir para melhorar a competitividade das indústrias do Brasil, fazendo com que ganhemos mercado e cresçamos juntos.”

No mesmo vídeo, o presidente citou o acordo Mercosul–União Europeia como um dos desafios comuns. Segundo ele, “a única forma de aproveitar como países é trabalhando juntos”.

Comércio em alta

O comércio entre Brasil e Paraguai somou US$ 5,84 bilhões de janeiro a setembro de 2026, segundo levantamento do Campo em Pauta no Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No mesmo período de 2025, o total foi de US$ 5,41 bilhões, o que dá alta de 7,9%. As exportações brasileiras ao vizinho cresceram 10,4%, para US$ 3,19 bilhões. As importações subiram 5,1%, para US$ 2,65 bilhões. Em todo o ano de 2025, a corrente de comércio foi de US$ 7,42 bilhões.

O Brasil vende ao Paraguai sobretudo produtos industriais. Até setembro, máquinas e equipamentos mecânicos somaram US$ 475 milhões, veículos e peças, US$ 375 milhões, e plásticos, US$ 201 milhões.

Do lado paraguaio, o item que mais pesa é a energia elétrica, com US$ 599 milhões no ano. Em seguida vêm produtos do campo: soja em grão (US$ 303 milhões), arroz (US$ 202 milhões), milho (US$ 176 milhões) e trigo (US$ 127 milhões). Leite em pó e carne bovina somaram mais US$ 128 milhões. Somados, esses grãos, o leite e a carne chegam a US$ 936 milhões, mais de um terço de tudo o que o Brasil comprou do Paraguai no período.

Mato Grosso do Sul na fronteira

Mato Grosso do Sul importou US$ 127 milhões do Paraguai de janeiro a setembro e exportou US$ 57 milhões ao vizinho. O principal produto comprado pelo estado foi álcool etílico, com US$ 44,6 milhões.

A integração física também avança pelo estado. Em julho, as duas metades da ponte da Rota Bioceânica sobre o rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, se encontraram. A obra é financiada pela Itaipu. A previsão divulgada na época era entregar a ponte no fim de novembro, mas a liberação total ao tráfego depende dos acessos e da aduana e pode ficar para 2027.

Depois do atrito diplomático

O convite de Peña veio pouco depois de um atrito entre os dois governos. Em julho, o Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que os paraguaios “invadiram” o território brasileiro e deram início à Guerra do Paraguai (1864–1870). A declaração desagradou o governo Peña e parlamentares locais. O Paraguai cobra a devolução do canhão El Cristiano e de outros troféus de guerra.

O LIDE também organiza o Summit Argentina–Brasil, em Buenos Aires, nos dias 11 e 12 de dezembro, com a presença do presidente Javier Milei. Peña encerra o vídeo com um convite direto: “Espero vocês em Assunção no dia 13 de novembro.”

Com informações de LIDE — Summit Paraguay–Brasil, Gazeta do Povo, Economia SC, Comexstat (MDIC) e A Crítica de Campo Grande.

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