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MT já vendeu 78,7% do algodão da safra 2025/26, e gasto com defensivos na cultura bate recorde de R$ 8,2 bi

Vendas da pluma estão 8,8 pontos à frente de um ano atrás, segundo o Imea; levantamento da Kynetec mostra 107 aplicações por safra, puxadas pelo bicudo.

Por Redação Campo em Pauta ·

Lavoura de algodão com capulhos abertos e plantas secas; em primeiro plano, uma armadilha verde em forma de cone presa a uma haste, ao lado de um poste
Armadilha para o bicudo-do-algodoeiro (cone verde) na beira de uma lavoura de algodão pronta para a colheita no condado de Brooks, na Geórgia (EUA), em 2014. Foto: Michael Rivera (CC BY-SA 4.0)

Os cotonicultores de Mato Grosso chegaram ao fim de setembro com 78,74% da pluma da safra 2025/26 negociada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea). O avanço foi de 3,21 pontos percentuais em um mês. Na mesma época do ano passado, a safra 2024/25 tinha 69,95% vendidos, o que deixa o ritmo atual 8,79 pontos à frente.

O preço médio dos negócios fechados em setembro foi de R$ 137,28 por arroba, queda de 1,48% em relação a agosto, acompanhando o recuo da bolsa de Nova York no mês. No caroço, subproduto usado na ração animal e na indústria de óleo, as vendas chegaram a 69,14% da produção, a R$ 756,80 por tonelada em média.

Entre as regiões do estado, o Centro-Sul (85,16%) e o Noroeste (85,12%) são as mais adiantadas. O Sudeste, com 73,12%, tem o menor percentual negociado.

Safra 2026/27 já tem 43% vendidos

A venda antecipada da próxima safra, que ainda nem foi plantada, também acelerou. Em setembro, 43,38% da pluma projetada para 2026/27 já estava comprometida, alta de 4,05 pontos no mês. Um ano antes, a safra 2025/26 tinha 32,49% vendidos no mesmo estágio. O preço médio dessas vendas foi de R$ 138,64 por arroba. O ponto de equilíbrio calculado pelo Imea para cobrir o custo operacional efetivo da safra 2026/27 estava em R$ 120,21 por arroba em agosto.

O instituto projeta 1,43 milhão de hectares de algodão em Mato Grosso em 2026/27, 3,84% a mais que na safra atual, com produção de 6,65 milhões de toneladas de algodão em caroço, a terceira maior da série histórica do Imea. A produtividade prevista, de 310,39 arrobas por hectare, é 6,01% menor que a de 2025/26, porque o instituto considera um clima menos favorável com o El Niño. Atrasos na colheita da soja podem empurrar o plantio do algodão de segunda safra para uma janela de maior risco de falta de chuva, alerta o Imea.

A safra 2025/26 foi menor em área, com 1,37 milhão de hectares, recuo de 11,18%, mas teve produtividade recorde, de 330,25 arrobas por hectare. A produção fechou em 6,81 milhões de toneladas de algodão em caroço, 6,92% abaixo da anterior.

Os embarques ganharam ritmo depois da colheita. Em setembro, Mato Grosso exportou 94,41 mil toneladas de pluma, 18,17% a mais que um ano antes, e respondeu por quase metade das 191,55 mil toneladas embarcadas pelo Brasil, segundo dados da Secex compilados pelo Imea. Índia, Bangladesh e Turquia compraram 52,80% do algodão mato-grossense exportado em agosto e setembro.

O Imea calcula que Mato Grosso terminará a temporada comercial com 916,24 mil toneladas de pluma em estoque, das quais 893,35 mil toneladas já vendidas, com embarque previsto para o ciclo seguinte. Como mostrou o Campo em Pauta, metade do algodão do país ainda esperava beneficiamento no fim de setembro.

Defensivos: R$ 8,22 bilhões

No custo da lavoura, o destaque é o gasto com defensivos. O levantamento FarmTrak Algodão, da empresa de pesquisa Kynetec, divulgado pela Globo Rural, aponta movimentação recorde de R$ 8,22 bilhões na safra 2025/26, alta de 14,3% sobre os R$ 7,19 bilhões da safra anterior. Em dólar, foram US$ 1,48 bilhão, 10% a mais. A pesquisa cobriu 97% da área de algodão do país, de 1,95 milhão de hectares.

O número médio de tratamentos por safra subiu de 95 para 107, e o preço médio de cada tratamento aumentou 21%. Os inseticidas responderam por metade do mercado, com R$ 4,12 bilhões. Só o controle do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura, exigiu em média 18 tratamentos por propriedade e custou R$ 2 bilhões. O combate às lagartas somou R$ 928 milhões, alta de 15%.

Os fungicidas cresceram 19%, para R$ 1,98 bilhão, e passaram a representar 24% dos gastos com agroquímicos na cultura, ante 22% na safra 2024/25. Os herbicidas somaram R$ 1,13 bilhão, alta de 6,3%.

Com informações de Imea (Boletim Semanal do Algodão nº 843, 12/10/2026), Imea (Relatório de Comercialização de Algodão, safras 2025/26 e 2026/27), Imea (Oferta e Demanda de Algodão, 5/10/2026), Globo Rural, Safras & Mercado e Mais Soja.

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