Dólar abaixo de R$ 5 derruba soja e milho no mercado interno; em MT, saca de soja recua a R$ 139
Com o real mais forte desde o 1º turno, soja cai 4,2% em outubro no porto de Paranaguá e milho perde 1,9% em Campinas; exportação recorde de soja segura parte da queda.

A queda do dólar para menos de R$ 5 puxou para baixo os preços da soja e do milho no mercado brasileiro. Em Paranaguá (PR), principal referência para a soja de exportação, o indicador do Cepea, centro de pesquisas da Esalq/USP, fechou a sexta-feira (9) a R$ 154,75 por saca de 60 kg, queda de 4,2% em outubro. O milho negociado na região de Campinas (SP) recuou 1,9% no mês, para R$ 67,35 a saca.
A Ptax, taxa de câmbio calculada pelo Banco Central, ficou abaixo de R$ 5 em quatro dos cinco dias úteis da semana passada, o que não acontecia desde maio, e fechou a sexta-feira em R$ 4,9892. Em 2 de outubro, estava em R$ 5,2238. A virada veio na segunda-feira (5), primeiro pregão depois do primeiro turno da eleição presidencial, quando o dólar comercial caiu mais de 4%. Segundo analistas citados pelo Canal Rural, investidores reduziram o prêmio de risco cobrado do país diante do cenário para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, e o ambiente externo também favoreceu moedas de países emergentes.
Com o real mais valorizado, cada dólar recebido na exportação rende menos reais. Em dólar, a soja quase não mudou: o indicador de Paranaguá equivalia a US$ 31,04 por saca na sexta, ante US$ 31,23 no fim de setembro. Segundo o Cepea, o câmbio reduz a competitividade da soja brasileira em relação à norte-americana.
Exportação segura a soja
As quedas só não foram maiores por causa do ritmo das exportações, avalia o Cepea. O Brasil embarcou 7,36 milhões de toneladas de soja em grão em setembro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume é 25% menor que o de agosto, recuo comum nesta época, mas é o maior já registrado para um mês de setembro, de acordo com o Cepea. As vendas de farelo de soja somaram 2,45 milhões de toneladas, alta de 10% sobre agosto e de 18,5% sobre setembro de 2025.
No milho, o quadro é mais pesado. Além do câmbio, pesam a safra 2025/26 recorde e as exportações fracas. O país vendeu ao exterior 5,2 milhões de toneladas do cereal em setembro, 31% menos que um ano antes. De julho a setembro, foram 11,8 milhões de toneladas, queda de 30%. Segundo o Cepea, compradores esperam baixas ainda maiores no curto prazo, enquanto produtores, ocupados com o plantio da safra de verão, aceitam negociar preço, prazo de pagamento e data de entrega.
Mato Grosso sente a queda
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, a soja fechou a semana passada na média de R$ 138,99 por saca, recuo de 1,11% em relação à semana anterior, segundo o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado na segunda-feira (12). O instituto atribui a baixa ao dólar, que caiu 4,19% na média da semana, para R$ 4,99, “reflexo da sensibilidade do mercado ao cenário político brasileiro”. Na bolsa de Chicago, a soja subiu 0,56% no mesmo período.
O milho mato-grossense caiu 2,83% na semana, para a média de R$ 47,74 a saca. Em Sorriso, a queda semanal chegou a 10,4%, a maior entre as 39 praças acompanhadas pela consultoria AgRural, segundo a Globo Rural. De acordo com o Imea, Mato Grosso exportou 2,85 milhões de toneladas de milho em setembro, 32% menos que no mesmo mês de 2025, diante da concorrência dos Estados Unidos e da Argentina.
A alta recente em Chicago, por outro lado, fez o produtor do estado adiantar vendas da próxima safra. Até setembro, 43,73% da soja 2026/27 de Mato Grosso já estava negociada, o ritmo mais adiantado desde a safra 2020/21, segundo o Imea.
O mercado financeiro já trabalha com um dólar mais baixo. No boletim Focus mais recente do Banco Central, com projeções coletadas até sexta-feira (9), a mediana para o câmbio no fim de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15. Entre as estimativas enviadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana é de R$ 5,05.
Com informações de Cepea (soja), Cepea (milho), Cepea (indicadores da soja), Cepea (indicador do milho), Banco Central (Ptax, série SGS 1), Banco Central (Focus de 9/10/2026), Imea (boletins semanais de soja e milho, 12/10/2026), Comex Stat/Secex, Canal Rural, Globo Rural e Mais Soja.



