Campo em Pauta
Receba no WhatsApp
Campo em Pauta

Notícias do agronegócio

Mercado

Crédito rural empresarial soma R$ 107,1 bi em três meses de safra; no Centro-Oeste, contratações caem 44%

CPR responde por quase metade do volume de julho a setembro, segundo o Mapa; dados do Banco Central mostram queda forte do crédito rural em MT, GO e MS na comparação com 2025.

Por Redação Campo em Pauta ·

Colheitadeira amarela avança sobre lavoura de soja seca levantando poeira, com outra máquina ao fundo
Colheita de soja em fazenda de Rondonópolis (MT), em 2009. Foto: Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

O crédito rural usado pela agricultura empresarial somou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/27, de julho a setembro. O valor reúne os financiamentos de médios produtores, pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), e dos demais produtores, fora da agricultura familiar, além dos recursos captados com Cédulas de Produto Rural (CPR). Os números estão no boletim do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgado na sexta-feira (9).

A CPR, título em que o produtor recebe dinheiro hoje com o compromisso de entregar a produção no futuro, respondeu por R$ 50,3 bilhões, ou 46,9% do total. O custeio, crédito para bancar sementes, adubos e defensivos, somou R$ 36,4 bilhões, 34% do volume. Juntos, CPR e custeio chegaram a R$ 86,7 bilhões, reflexo do período de plantio da safra de verão.

O investimento, que financia máquinas, armazéns e irrigação, somou R$ 7,4 bilhões. A comercialização teve R$ 8 bilhões, e a industrialização, R$ 5 bilhões. Foram 116.274 contratos, dos quais 36.638 de CPR.

Juros equalizados só saíram em setembro

A programação de recursos com juros equalizados, em que o Tesouro Nacional cobre parte da taxa, é de R$ 97,6 bilhões para a safra 2026/27. As novas linhas só foram publicadas em 25 de setembro, pela Portaria MF nº 2.922. Até o fim do mês, tinham sido concedidos R$ 20,4 bilhões, cerca de 21% do total programado.

O boletim não compara os números com os da safra passada. Segundo o Mapa, a omissão se deve ao período de defeso eleitoral.

Centro-Oeste tem o maior contrato médio

Sem contar a CPR, o Centro-Oeste recebeu R$ 12,7 bilhões em 11.889 contratos, atrás do Sul, com R$ 18,6 bilhões, e do Sudeste, com R$ 17,8 bilhões. A região tem o maior valor médio por operação do país, R$ 1,07 milhão, compatível com propriedades de maior escala, segundo o Mapa. Mato Grosso ficou com 40% do crédito da região, Goiás com 37% e Mato Grosso do Sul com 23%. O Distrito Federal teve participação próxima de zero. Entre as fontes de recursos, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) respondeu por R$ 994 milhões.

Os dados do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor), do Banco Central, permitem a comparação que o boletim deixou de fora. Pelo levantamento do Campo em Pauta, a agricultura empresarial do Centro-Oeste contratou R$ 13,3 bilhões em crédito rural de julho a setembro deste ano, sem contar a CPR, ante R$ 23,6 bilhões no mesmo período de 2025, queda de 44%. O número de contratos caiu 38%, de 20.265 para 12.512.

  • Mato Grosso: R$ 5,5 bilhões, ante R$ 10,9 bilhões em 2025 (queda de 50%).
  • Goiás: R$ 4,8 bilhões, ante R$ 8,3 bilhões (queda de 43%).
  • Mato Grosso do Sul: R$ 3 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões (queda de 28%).
  • Distrito Federal: R$ 38 milhões, ante R$ 158 milhões.

Só o custeio caiu 42% na região, de R$ 14,7 bilhões para R$ 8,6 bilhões. Os dados de 2026 ainda são provisórios: no levantamento usado pelo Mapa, extraído em 5 de outubro, o total da região era de R$ 12,7 bilhões. A comparação também não inclui a CPR, que não passa pelo Sicor e é registrada à parte.

Com informações de Mapa, Mapa (Boletim de Desempenho do Plano Safra 2026/2027, julho a setembro), Banco Central (Sicor, Matriz de Dados do Crédito Rural) e Mais Soja.

Mais em Mercado