Governo anuncia 700 mercados abertos ao agro desde 2023; sorgo e farelo de milho do Centro-Oeste já chegam à China
Alckmin e André de Paula apresentam a marca nesta terça; aberturas recentes incluem DDG para Argélia e Bangladesh e 21 frigoríficos habilitados na Indonésia, alguns em MT, MS e GO.

O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, anunciam nesta terça-feira (13), às 15h, em Brasília, a marca de 700 novos mercados abertos para produtos agropecuários brasileiros desde o início de 2023. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o número reflete a credibilidade do sistema de defesa agropecuária e a diversificação dos destinos das exportações.
Cada abertura é a autorização sanitária de um país para um produto brasileiro. Ela não garante venda imediata: depois do aval, ainda é preciso habilitar empresas e fechar negócios.
O anúncio ocorre a 12 dias do segundo turno. Alckmin é candidato a vice na chapa de Lula (PT). O plano de governo do petista, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citava 656 mercados abertos e prometia reforçar a diplomacia comercial e os adidos agrícolas. O plano de Flávio Bolsonaro (PL) afirma que defender a soberania “é abrir mercados para quem produz aqui” e promete negociar “com todos os que interessam ao Brasil”.
Aberturas recentes que interessam ao Centro-Oeste
- DDG para Argélia e Bangladesh (29/9 e 1º/10): o grão seco de destilaria é o coproduto das usinas de etanol de milho, concentradas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
- Carne bovina para a Indonésia (10/9): 21 frigoríficos foram habilitados, entre eles unidades em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O total de plantas brasileiras autorizadas subiu de 52 para 73.
- Milho em grão para a Síria (1º/10).
- Miúdos, pele e ossos de suínos para a China (29/9).
- Carne de aves congelada para o estado malásio de Sabah e miúdos de frango para a Namíbia (1º/9).
Quando a abertura vira venda
Dois casos mostram o caminho entre o aval e o embarque. O protocolo do sorgo com a China foi assinado em novembro de 2024, e as primeiras dez unidades exportadoras, quatro delas em Mato Grosso, foram habilitadas em novembro de 2025. Pelo Comexstat, o Centro-Oeste vendeu US$ 54,9 milhões em sorgo aos chineses de janeiro a setembro de 2026, cerca de 249 mil toneladas. No mesmo período de 2025, não houve embarque. Goiás liderou, com US$ 36,3 milhões.
Com o DDG, o protocolo é de maio de 2025, e as cinco primeiras usinas habilitadas ficam em Mato Grosso (quatro) e Mato Grosso do Sul (uma). Os dois estados exportaram à China US$ 111,3 milhões em farelos e resíduos de milho de janeiro a setembro de 2026, cerca de 480 mil toneladas, segundo o Comexstat. Em 2025, as vendas desse item ao país foram nulas.
Nem toda abertura se traduz em alta contínua. O gergelim, liberado pela China no mesmo pacote do sorgo, rendeu a Mato Grosso US$ 76 milhões em vendas aos chineses em 2026, queda de 34% sobre os nove primeiros meses de 2025.
Na Indonésia, segundo o Mapa, o Brasil exportou 17,5 mil toneladas de carne bovina no primeiro semestre de 2026 e 21,2 mil toneladas de miúdos, o que já faz do país o segundo maior comprador de miúdos bovinos brasileiros.
Com informações de Mapa (anúncio da marca de 700 mercados), Canal Rural, Mapa (Kuwait, Nicarágua, Síria e Bangladesh), Mapa (Antígua e Barbuda, Chile, Argélia, China e Paraguai), Mapa (Indonésia), Mapa via Notícias Agrícolas (DDG e sorgo para a China), Notícias Agrícolas (abertura da China a gergelim e sorgo, 20/11/2024), Comexstat/MDIC e TSE (propostas de governo registradas, eleição presidencial 2026).



