Açúcar sobe 3% em Nova York com temor de quebra da cana pelo El Niño; produção do país cai 14% na safra
Chuva trava a colheita no Centro-Sul e derrubou a moagem em 31,5% na 1ª quinzena de setembro; Goiás e Mato Grosso do Sul são o 2º e o 4º estados que mais moeram cana na safra.

O açúcar demerara fechou em alta de 3,01% na bolsa de Nova York na segunda-feira (12), com o contrato para março de 2027 a 20,86 centavos de dólar por libra-peso, segundo a Globo Rural. A consultoria norte-americana Barchart atribuiu o movimento à intensificação do El Niño, que pode comprometer a produção de cana-de-açúcar no mundo, principalmente no Brasil, maior exportador de açúcar.
O mercado tem oscilado com força. Na quinta-feira (8), o mesmo contrato havia caído 3,21%, para 20,15 centavos. Naquele dia, a consultoria StoneX avaliou, segundo a Globo Rural, que o mercado estava sobrecomprado e que os preços podem voltar à faixa de 14 a 15 centavos até o fim do ano, com o avanço da colheita no Brasil.
Chuva trava a colheita
No Brasil, o problema imediato é o excesso de chuva no Centro-Sul, que paralisa as colhedoras. Dados do Ministério da Agricultura mostram que as usinas do país moeram 33,1 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de setembro, 31,5% menos que no mesmo período de 2025. A produção de açúcar caiu 39,6% na quinzena, para 2,25 milhões de toneladas.
No acumulado da safra 2026/27, de abril até 15 de setembro, a moagem soma 453,7 milhões de toneladas, 1,5% abaixo do ciclo anterior. A produção de açúcar recuou mais: são 26,4 milhões de toneladas, 14,2% a menos.
Segundo o Cepea, centro de pesquisas da Esalq/USP, a cana colhida com excesso de umidade rende menos açúcar e favorece a produção de etanol, o que tem levado as usinas a reduzir a parcela destinada ao adoçante. Consultorias citadas pelo Cepea apontam que parte da cana pode ficar para a próxima safra e que a moagem pode se estender até o fim de fevereiro ou o início de março.
A oferta curta sustenta os preços no mercado interno. O indicador do açúcar cristal do Cepea em São Paulo fechou a sexta-feira (9) a R$ 123,16 por saca de 50 kg, alta de 1,7% em outubro, depois de subir 6,5% em setembro.
Goiás e MS entre os maiores
O Centro-Oeste tem peso grande na cana. Pelos dados do Ministério da Agricultura, Goiás é o segundo estado que mais moeu cana na safra 2026/27 até 15 de setembro, com 61 milhões de toneladas, atrás apenas de São Paulo, com 249 milhões. Minas Gerais aparece em terceiro, com 58,3 milhões, e Mato Grosso do Sul em quarto, com 35 milhões. Mato Grosso soma 14,4 milhões de toneladas.
Em açúcar, Goiás produziu 2,09 milhões de toneladas no período, e Mato Grosso do Sul, 1,11 milhão.
Nos próximos meses, o El Niño deve agir de forma diferente dentro da própria região. Como o Campo em Pauta mostrou, a Embrapa prevê maior risco de seca em Goiás e Mato Grosso entre novembro e janeiro, enquanto o sul de Mato Grosso do Sul deve ter mais chuva.
Com informações de Globo Rural, Mapa (Análise comparativa das safras 2026/27 e 2025/26, dados quinzenais), Mapa (Sapcana, acompanhamento da produção até 15/9/2026), Cepea (açúcar) e Cepea (indicador do açúcar cristal).



