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Milho cai 3,7% na semana e vai ao menor preço desde julho; fundos cortam 25% da aposta de alta em Chicago

Em Mato Grosso, a saca disponível vale R$ 46,19, e a venda antecipada para julho de 2027 paga R$ 43,20. A soja ensaia reação em Chicago nesta segunda, depois de cinco quedas seguidas.

Por Redação Campo em Pauta ·

Trator verde puxa uma plantadeira vermelha sobre terra revolvida, enquanto três homens acompanham o plantio
Plantio de milho com trator e plantadeira em Muzambinho (MG), em 2017. Foto: Ernani Zimmermann (CC BY-SA 4.0)

O preço do milho acelerou a queda no mercado brasileiro na semana passada e começa esta segunda-feira (19) no nível mais baixo desde meados de julho. O Indicador Esalq/B3, referência para a região de Campinas (SP), fechou a sexta-feira (16) a R$ 64,85 por saca de 60 quilos, recuo de 3,7% sobre a sexta anterior (9), quando estava em R$ 67,35, e de 5,6% em outubro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Na quinta-feira (15), o indicador marcou R$ 64,81, o menor valor desde 15 de julho, pela série histórica do centro.

Segundo o Cepea, a oferta nacional está acima da demanda, e as novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de produção maior em 2026/27, reforçam a pressão, mesmo com a preocupação com o El Niño. Os compradores seguem retraídos. Do outro lado, parte dos vendedores aceita negociar, preocupada com as baixas recentes e com o espaço nos armazéns, que podem chegar cheios à colheita da safra de verão, no início de 2027.

Os números da Conab explicam o receio. No primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado na quinta-feira (15), a companhia projeta que o país termine o ciclo atual, em fevereiro de 2027, com 16,04 milhões de toneladas de milho em estoque, 33% acima dos 12,06 milhões do ciclo anterior. Para 2026/27, a estimativa é de 148 milhões de toneladas colhidas, alta de 2,4%, com consumo interno de 104,8 milhões de toneladas, puxado pelas usinas de etanol de milho.

Preços no Centro-Oeste

Em Mato Grosso, o milho disponível valia em média R$ 46,19 por saca na sexta-feira, queda de 0,47% no dia, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em Sorriso, a saca saiu a R$ 46,50; em Rondonópolis, a R$ 50; em Primavera do Leste, a R$ 49,50. Em Tangará da Serra, a cotação recuou 2,2%, para R$ 44.

Em Goiás, a cooperativa Comigo pagava R$ 53 em Rio Verde na sexta-feira, ante R$ 54 uma semana antes e R$ 55 no dia 8; o sindicato rural de Jataí indicava o mesmo valor. No Distrito Federal, a Coopa-DF pagava R$ 58,50. Em Mato Grosso do Sul, os preços resistiram: a Granos Corretora apontava na quinta-feira R$ 53 em Campo Grande, Dourados, Maracaju e Sidrolândia e R$ 54 em Chapadão do Sul. Em Dourados e Maracaju, a saca tinha caído a R$ 51 no dia 9 e voltou a R$ 53 na terça-feira (13).

Para quem vende agora a safra que ainda vai a campo, a conta é menor. A paridade de exportação calculada pelo Imea para o milho de Mato Grosso com entrega em julho de 2027 ficou em R$ 43,20 por saca na quinta-feira, queda de 1,27% no dia, cerca de R$ 3 abaixo do milho disponível. Até o fim de setembro, os produtores do estado tinham vendido 80,2% do milho 2025/26 e 19,8% da safra 2026/27, segundo o instituto. Na soja, a diferença é maior: a saca disponível em Mato Grosso fechou a sexta a R$ 135,78, enquanto a paridade para março de 2027 estava em R$ 116,66. Pelas contas do Campo em Pauta, quem trava a soja nova hoje recebe cerca de 14% menos que pelo grão disponível. O estado já tinha vendido 43,7% da soja 2026/27 até setembro, a uma média de R$ 119,94 por saca nos negócios fechados em setembro, segundo o Imea.

Fundos saem do milho em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os fundos reduziram a aposta na alta dos grãos. Pelo relatório semanal da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), a posição líquida comprada dos gestores de recursos no milho caiu 25,3% na semana encerrada na terça-feira (13), de 329.839 para 246.425 contratos. Eles se desfizeram de 63 mil contratos de compra e abriram outros 20,4 mil de venda. Na soja, o saldo comprado recuou 3,2%, de 258.066 para 249.807 contratos.

O milho para dezembro fechou a sexta-feira a US$ 4,7425 por bushel, na quarta queda seguida e com perda de 1,15% na semana, pelos dados da CME Group compilados pelo Notícias Agrícolas. Desde o dia 8, quando estava acima de US$ 5, o contrato perdeu 5,2%. No relatório de outubro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou a produtividade estimada do milho americano de 178,5 para 181,2 bushels por acre e os estoques finais da safra 2026/27 de 1,567 bilhão para 1,849 bilhão de bushels.

A soja, que na sexta encerrou a quinta sessão seguida de baixa, ensaia reação nesta segunda-feira. Por volta das 8h35, o contrato de novembro era negociado a US$ 12,62 por bushel, alta de 0,05%, segundo a Agência Safras, citada pelo Canal Rural. A volta das compras chinesas sustenta os preços, mas o avanço da colheita nos EUA e a expectativa de safra americana recorde limitam os ganhos. O USDA divulga nesta segunda-feira o novo relatório de acompanhamento das lavouras americanas.

Safra recorde contra El Niño

No Brasil, o Cepea afirma que a perspectiva de safra recorde de soja em 2026/27 continua pressionando as cotações, com a colheita no Hemisfério Norte e a semeadura acelerada no país. A queda só não é maior porque parte dos produtores, preocupada com os efeitos do El Niño, saiu do mercado à vista. O excesso de chuva no Sul alimenta, segundo o centro, especulações sobre a troca de parte da área de soja por milho. O Brasil responde por mais de 40% da soja do mundo, lembra o Cepea.

O milho de verão avança. Até a sexta-feira, o plantio da safra 2026/27 no Centro-Sul chegou a 58,8% dos 3,561 milhões de hectares previstos, ante 55% um ano antes e média de 55,2% em cinco anos, segundo a Safras & Mercado. No Centro-Oeste, onde o milho é sobretudo de segunda safra, o plantio está no começo: 6,7% dos 24 mil hectares de Mato Grosso do Sul, 1,9% dos 282 mil hectares de Goiás e do Distrito Federal e 0,3% dos 10 mil hectares de Mato Grosso.

O ritmo da semeadura de verão pode permitir que a segunda safra seja plantada na janela considerada ideal, observa o Cepea. Com estoque alto e preço em queda, a decisão de quando vender ficou mais difícil: no milho, parte dos vendedores já aceita valores menores; na soja, parte dos produtores prefere esperar uma definição do clima antes de ampliar as vendas, segundo o centro.

Com informações de Cepea/Esalq (Indicador do milho Esalq/B3), Cepea/Esalq (série histórica do milho), Mais Soja (Cepea, milho), Mais Soja (Cepea, soja), Canal Rural (Cepea), Canal Rural (Agência Safras), Canal Rural (CFTC), CFTC (Commitments of Traders, 13/10/2026), Safras & Mercado, Conab (1º levantamento da safra 2026/27), Imea (indicadores do milho), Imea (indicadores da soja), Notícias Agrícolas (milho em Chicago, CME Group), Notícias Agrícolas (milho, sindicatos e cooperativas), Notícias Agrícolas (milho em MS, Granos Corretora) e USDA (WASDE, outubro de 2026).

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