Inadimplência rural de pessoas físicas bate recorde de 9,69%; Goiás tem o maior atraso entre os grandes estados
Índice do Banco Central passou de 5,23% para 9,69% em um ano e é o maior desde 2011; Mato Grosso lidera os pedidos de recuperação judicial no agro, segundo a Serasa.

A inadimplência do crédito rural tomado por pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto, o maior nível da série do Banco Central, iniciada em março de 2011. O indicador mede a fatia da carteira com parcelas atrasadas há mais de 90 dias. Em agosto de 2025, estava em 5,23%. Em julho deste ano, em 8,79%.
O dado de agosto é o mais recente das estatísticas de crédito do BC e foi tema de reportagem do Canal Rural nesta terça-feira (13). O índice do crédito rural de pessoas físicas está acima da média de todo o crédito a pessoas físicas, que ficou em 6,03% no mesmo mês, também o maior da série.
A alta se concentra nas operações com taxas de mercado, feitas fora das linhas com juros regulados, como as do Pronaf e do Pronamp. Nelas, a inadimplência chegou a 17,56% em agosto, ante 9,52% um ano antes. Nas operações com taxas reguladas, o índice foi de 3,83%, também recorde, contra 1,98% em agosto de 2025.
Entre as empresas, o quadro é outro. A inadimplência do crédito rural de pessoas jurídicas foi de 0,96% em agosto, longe do pico de 5,91% registrado em julho de 2019. A carteira rural de pessoas físicas com recursos direcionados somava R$ 557,8 bilhões em agosto, abaixo dos R$ 575,8 bilhões de março.
Goiás e MS acima da média
O Sistema de Informações de Crédito (SCR), também do Banco Central, permite ver a situação por estado, mas com outro critério: a parcela da carteira vencida há mais de 15 dias. Na modalidade rural e agroindustrial de pessoas físicas, que reúne recursos livres e direcionados, essa fatia foi de 6,44% no país em agosto, ante 4,66% um ano antes, segundo cálculo do Campo em Pauta com os dados do SCR.
No Centro-Oeste, os quatro estados tiveram alta em um ano:
- Goiás: 8,99% da carteira vencida há mais de 15 dias, ante 6,28% em agosto de 2025. É o maior percentual entre os dez estados com as maiores carteiras rurais de pessoas físicas.
- Mato Grosso do Sul: 7,43%, ante 6,32%.
- Mato Grosso: 6,13%, ante 5,20%.
- Distrito Federal: 5,81%, ante 2,36%.
Somada, a região tinha 7,51% da carteira nessa situação, acima da média nacional. Os maiores percentuais do país aparecem em estados com carteiras menores, como Maranhão (21,84%) e Tocantins (11,61%).
Mato Grosso lidera recuperações judiciais
O aperto também aparece na Justiça. O agronegócio teve 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre os 389 do mesmo período de 2025, segundo o indicador da Serasa Experian. Somando produtores pessoas físicas, produtores pessoas jurídicas e empresas da cadeia, Mato Grosso teve o maior número de pedidos, 135. Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul aparecem na sequência.
O maior salto foi entre os produtores que atuam como pessoa jurídica: 196 pedidos, 73,5% a mais que um ano antes, a maioria ligada ao cultivo de soja (137) e à criação de bovinos (42). Nesse grupo, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram. Entre os produtores pessoas físicas, os pedidos caíram 6,7%, para 182.
A Serasa atribui o quadro ao crédito mais seletivo, aos custos de produção elevados e ao endividamento maior dos produtores. Para o head de agronegócio da empresa, Marcelo Pimenta, “renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”.
A oferta de crédito também encolheu na região. Como mostrou o Campo em Pauta, as contratações de crédito rural empresarial no Centro-Oeste caíram 44% nos três primeiros meses da safra 2026/27.
Com informações de Banco Central (SGS, série 21148), Banco Central (SCR.data por região), Serasa Experian e Canal Rural.



