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Importação de adubo nitrogenado cai 34% em MS, 32,5% em GO e 26,7% em MT; enxofre recua 23% em sete semanas

O produtor paga mais por menos: em Mato Grosso, o adubo fosfatado importado sai 60,9% mais caro, e o gasto com fertilizantes sobe 18,5% com volume 6,7% menor. Para a StoneX, o alívio no enxofre ainda não chegou ao MAP.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grande pilha amarela de enxofre ao lado de esteiras transportadoras e de um navio graneleiro atracado, com montanhas nevadas ao fundo
Pilha de enxofre em terminal portuário de North Vancouver, no Canadá, em 2008. Foto: KimonBerlin (CC BY-SA 2.0)

Mato Grosso do Sul importou 116 mil toneladas de fertilizantes de janeiro a setembro de 2026, 22% menos que as 148,6 mil toneladas do mesmo período de 2025, segundo o boletim de fertilizantes de setembro da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja/MS), noticiado nesta segunda-feira (19), com base no Comexstat, sistema de comércio exterior do governo federal. A maior queda em volume foi a dos nitrogenados, que passaram de 87,2 mil para 57,6 mil toneladas (34% a menos). Os fosfatados caíram 42%, de 15 mil para 8,7 mil toneladas, e os potássicos subiram 27,7%, para 34,1 mil toneladas. A Bolívia forneceu 86% do adubo importado pelo estado, e a Rússia, 14%.

“Tivemos essa retração no volume importado entre janeiro e setembro, mas esse dado, isoladamente, não significa que haverá falta de fertilizantes. O ponto de atenção é como as condições do mercado internacional podem afetar os custos de aquisição e o planejamento financeiro das propriedades”, afirmou o analista de economia da Aprosoja/MS Linneu Borges Filho, em comunicado da entidade.

A queda dos nitrogenados, base da adubação do milho, se repete nos vizinhos. Pelas contas do Campo em Pauta sobre o Comexstat, importadores de Goiás trouxeram 220,8 mil toneladas de adubos nitrogenados até setembro, 32,5% menos que as 326,9 mil de 2025, e os de Mato Grosso, 940,7 mil toneladas, queda de 26,7%. No total, Goiás importou 895,9 mil toneladas de fertilizantes, 12,5% menos, com recuo de 42,7% nas formulações com dois ou três nutrientes. Em Mato Grosso, a queda total foi menor, de 6,7%, para 3,98 milhões de toneladas, porque o potássio subiu 8,9%, para 1,98 milhão de toneladas, e as formulações, 9,7%; os fosfatados recuaram 15,1%, para 741,5 mil toneladas.

Em Goiás, a única alta foi a dos fosfatados importados, que passaram de 26,8 mil para 86,4 mil toneladas, num ano em que a fábrica da Mosaic em Catalão parou por falta de enxofre, como mostrou o Campo em Pauta. O Comexstat registra a importação pelo estado do importador, e parte do adubo usado no Centro-Oeste entra por empresas de outros estados, como o Paraná, onde as compras externas caíram 20,2%. No país, a importação somou 28,46 milhões de toneladas até setembro, queda de 15,7%.

Mais caro por tonelada

O volume caiu, mas a conta não. O Brasil pagou US$ 11,18 bilhões pelo adubo importado em nove meses, só 3,4% menos que os US$ 11,58 bilhões de 2025, por 5,3 milhões de toneladas a menos. O preço médio subiu 14,5%, para US$ 392,90 por tonelada: 17,9% nos nitrogenados, 29,6% nos fosfatados e 13,4% no potássio. Em Mato Grosso, a tonelada média ficou 26,9% mais cara, e a de fosfatados, 60,9%, de US$ 223 para US$ 358,80; com isso, o gasto do estado com adubo importado subiu 18,5%, para US$ 1,36 bilhão. Em Mato Grosso do Sul, o preço médio avançou 27,2%, para US$ 416,30.

O recuo pesa na safrinha, cujo nitrogênio é comprado no segundo semestre. De julho a setembro, importadores de Mato Grosso trouxeram 707,8 mil toneladas de nitrogenados, 24,6% menos que no mesmo trimestre de 2025. Só em setembro foram 275,9 mil toneladas, 39,8% abaixo de um ano antes, a US$ 270,60 por tonelada, 10,6% mais caro. O Rabobank estima que o gasto com fertilizantes no milho brasileiro suba de US$ 226 para US$ 248 por hectare na safra 2026/27, alta de 10%, e na soja, de US$ 284 para US$ 290, segundo relatório publicado pela CNN Brasil.

Enxofre recua, fosfato resiste

O enxofre, matéria-prima do adubo fosfatado, recuou cerca de 23% nas últimas sete semanas nos portos brasileiros e voltou a ficar abaixo de US$ 1.000 por tonelada, depois de passar de US$ 1.300 no meio do ano, segundo a consultoria StoneX, citada pela Globo Rural. Em setembro, o enxofre a granel importado ainda custou em média US$ 1.161 por tonelada, 4,4 vezes o valor de um ano antes, como mostrou o Campo em Pauta com dados do Comexstat. Para o analista Tomás Pernías, da StoneX, a queda vem em parte da destruição de demanda: com o preço alto, os importadores compraram menos, e o Brasil trouxe 48% menos enxofre de janeiro a setembro.

O alívio ainda não chegou ao adubo. Segundo Pernías, o MAP, fertilizante fosfatado, subiu 23% entre o início da guerra no Oriente Médio e o pico de 2026 e, desde então, recuou apenas 7%. “Isso sugere que os preços dos fosfatados no país ainda apresentam alguma firmeza, o que não é particularmente favorável aos compradores brasileiros que ainda precisam realizar aquisições para o início de 2027”, disse à Globo Rural. Para o Rabobank, a ausência da China nas exportações de fosfatados, somada ao enxofre caro, mantém o preço desses produtos pressionado.

Em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS vê um sinal positivo: o índice de poder de compra de fertilizantes, que compara o valor dos grãos com o custo do adubo, caiu levemente para 1,31, o que representa alívio para o produtor, por causa da alta dos grãos e da estabilidade ou queda dos fertilizantes. A entidade ressalva que a demanda interna fraca e os riscos de preço no exterior mantêm a incerteza e orienta o produtor a decidir compra e manejo considerando, juntos, o custo dos insumos, o poder de compra e a necessidade de cada lavoura.

Com informações de Aprosoja/MS (Boletim de Fertilizantes, setembro de 2026), Aprosoja/MS, Campo Grande News, Mais Soja, Comex Stat (MDIC), Globo Rural (StoneX) e CNN Brasil (Rabobank).

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