Embarque de soja do Brasil à China cai 21,3% em setembro, e chineses voltam aos EUA; inspeções sobem 80,4%
Mato Grosso vendeu 9,1% menos aos chineses até setembro e ampliou as vendas a Turquia, Tailândia e Paquistão. A soja caiu pela sexta sessão seguida em Chicago, e a saca ficou em R$ 135,21 em MT.

A China voltou a receber soja dos Estados Unidos em setembro e reduziu as compras do grão brasileiro, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas do país divulgados nesta terça-feira (20) e publicados pela agência Reuters. Os chineses importaram 360,9 mil toneladas de soja americana no mês, ante nenhuma carga em setembro de 2025, e 10,7 milhões de toneladas do Brasil, 2,4% menos que os 10,96 milhões de um ano antes. O total importado pelo país caiu 7,7%, para 11,88 milhões de toneladas, e o Brasil ainda respondeu por 90% do volume, pelas contas do Campo em Pauta.
Na ponta brasileira, a queda foi mais forte. Pelos dados do Comexstat, sistema de comércio exterior do governo federal, o país embarcou 5,33 milhões de toneladas de soja para a China em setembro, 21,3% menos que os 6,77 milhões de setembro de 2025. Os números das duas pontas não coincidem porque a carga leva semanas para atravessar o oceano: parte do que a alfândega chinesa registrou em setembro saiu dos portos brasileiros em agosto, mês em que os embarques à China já haviam caído 12,5%, de 7,93 milhões para 6,94 milhões de toneladas.
No acumulado do ano, o Brasil vendeu mais soja, mas menos para a China. De janeiro a setembro, os embarques totais cresceram 6,7%, para 100,15 milhões de toneladas, enquanto os destinados aos chineses recuaram 3,6%, para 70,01 milhões. A fatia da China caiu de 77,4% para 69,9%. Ganharam espaço a Espanha, com 4,2 milhões de toneladas, a Tailândia (3,22 milhões), a Turquia (3,09 milhões), o Paquistão (2,49 milhões) e a Holanda (2,26 milhões). O preço subiu: a tonelada embarcada para a China em setembro saiu em média a US$ 475,40, 12,5% acima dos US$ 422,70 de um ano antes.
Mato Grosso vende menos à China
O recuo é maior no Centro-Oeste. Mato Grosso, maior exportador do país, mandou 18,31 milhões de toneladas para a China até setembro, 9,1% menos que no mesmo período de 2025, e a participação chinesa nas vendas do estado caiu de 69% para 59,1%, embora o total exportado tenha crescido 6,1%, para 30,97 milhões de toneladas. A Turquia passou de 1,1 milhão para 1,77 milhão de toneladas, a Tailândia, de 590 mil para 1,35 milhão, e o Paquistão, de 500 mil para 1,03 milhão. Goiás embarcou 8,12 milhões de toneladas aos chineses, queda de 16,7%. Mato Grosso do Sul foi na direção contrária: vendeu 5,2 milhões de toneladas à China, alta de 16,7%, e o total exportado pelo estado subiu 26,3%.
Do lado americano, a retomada ainda é parcial. De janeiro a setembro, a China comprou 11,06 milhões de toneladas dos EUA, 34% menos que um ano antes, e 65,84 milhões do Brasil, alta de 3,4%, segundo a alfândega chinesa. Depois do encontro entre os presidentes dos dois países, em outubro de 2025, Pequim comprou cerca de 12 milhões de toneladas da safra americana anterior, ainda abaixo do volume de antes da guerra comercial, e já adquiriu mais de 60% da meta de 25 milhões de toneladas de soja americana para a temporada 2026/27, segundo operadores ouvidos pela Reuters.
Embarques americanos aceleram
As cargas já aparecem nos portos dos EUA. Na semana encerrada em 15 de outubro, as inspeções de soja para exportação somaram 2 milhões de toneladas, alta de 80,4% sobre a semana anterior (1,11 milhão) e de 25,8% sobre a mesma semana de 2025, segundo o relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgado na segunda-feira (19). A China ficou com 1,28 milhão de toneladas, 64% do total, pelas contas do Campo em Pauta: 598,8 mil toneladas saíram pelo rio Mississippi, 470,7 mil pelo rio Columbia e 212,1 mil por Puget Sound, no noroeste do país.
Mesmo assim, Chicago segue em queda. O contrato de novembro fechou a segunda-feira a US$ 12,535 por bushel, baixa de 0,61% e sexta sessão seguida de perdas, com recuo de 3% desde o fechamento de 9 de outubro (US$ 12,92), pelos dados da CME Group compilados pelo Notícias Agrícolas. A venda de 114 mil toneladas à China, anunciada no dia, não compensou o avanço da colheita, que chegou a 64% da área nos EUA, segundo o Canal Rural. Nesta terça, o mercado ensaiava recuperação: pela manhã, o contrato de novembro subia 0,29%, a US$ 12,5725, acompanhando a alta de mais de 6% do petróleo, segundo a Safras & Mercado.
Saca recua no porto e no interior
No Brasil, o indicador Cepea/Esalq da soja em Paranaguá (PR) fechou a segunda-feira a R$ 154,24 por saca, queda de 0,24% no dia e de 4,53% no mês; em dólar, US$ 30,56. O prêmio de exportação no porto ficou parado em US$ 1,40 por bushel para outubro e US$ 1,55 para novembro, pelas cotações do Notícias Agrícolas, e o dólar comercial caiu 0,51%, a R$ 5,0468. “Os prêmios não compensaram as quedas em Chicago e no dólar, e tivemos recuos nas ofertas dos compradores no físico”, disse ao Canal Rural o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado. Pelo levantamento da consultoria, a saca caiu de R$ 141 para R$ 140 em Rondonópolis (MT), de R$ 140,50 para R$ 138 em Dourados (MS) e de R$ 139 para R$ 138 em Rio Verde (GO).
Em Mato Grosso, a média estadual da soja disponível ficou em R$ 135,21 na segunda-feira, baixa de 0,42%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com R$ 134,50 em Sorriso, R$ 134,10 em Sinop e R$ 140,80 em Rondonópolis. A pressão vem também do campo: o plantio da safra 2026/27 chegou a 26% da área do país até quinta-feira (15), ante 15% uma semana antes e 24% um ano atrás, segundo a AgRural, com Mato Grosso à frente e avanço em Goiás, enquanto o excesso de chuva travou a semeadura no Paraná. Em Mato Grosso, o Imea calcula 51,86% da área plantada até sexta-feira (16), com 69,32% no médio-norte.
O produtor, por ora, segura a soja. Segundo o Cepea, o receio com os efeitos do El Niño levou parte dos agricultores a se retrair no mercado à vista, o que limita as quedas. Pela Safras, os negócios de segunda-feira foram pontuais, com entrega imediata e pagamento em janeiro, e os vendedores seguem fora do mercado nos preços atuais.
Com informações de Reuters (via Business Recorder), Canal Rural, Comex Stat (MDIC), USDA AMS (Grain Inspections, WA_GR101), Safras & Mercado, Globo Rural, Cepea/Esalq, Notícias Agrícolas (CME Group), Notícias Agrícolas, Imea e Canal Rural (AgRural).



