Ferrovias do agro ficam para 2027, e BNDES vai estruturar 3.137 km de rodovias, nenhum deles no Centro-Oeste
Ministro promete leilões no 1º semestre de 2027, já no próximo governo. Ferrogrão, Fico-Fiol e Malha Oeste estavam previstas para 2026; MT, GO e DF têm três leilões de rodovias até dezembro.

O ministro dos Transportes, George Santoro, disse na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, que o governo deixará ao próximo presidente condições de leiloar rodovias e ferrovias já no primeiro semestre de 2027. Segundo ele, serão lançados 11 projetos de concessão rodoviária e 18 de ferrovias. De acordo com a Agência iNFRA, a lista ferroviária inclui os três projetos que mais interessam ao produtor do Centro-Oeste, todos antes previstos para ir a leilão em 2026: Ferrogrão, Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol) e Malha Oeste.
No mesmo dia, o ministério e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram contrato para estruturar a concessão de 3.137 km de rodovias federais. São cinco trechos, nenhum no Centro-Oeste: BR-153 (PA e TO, 775 km), BR-010 (MA e PA, 678 km), BR-226 (PI, MA e TO, 717 km), BR-116 (CE, PB e PE, 473 km) e BR-104 (PB, PE e AL, 494 km). A estruturação deve terminar até o fim de 2030.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, foram priorizados trechos “em regiões com forte expansão econômica, sobretudo na produção agrícola”, mas com falta de investimento em infraestrutura.
Ferrovias do Centro-Oeste ainda sem leilão
Nenhuma ferrovia é leiloada no país desde 2021, segundo a Agência iNFRA. Em junho, reportagem da Folhapress mostrou que nenhuma das oito concessões ferroviárias previstas para 2026 cumpriu o cronograma. Na época, o ministério informou que pretendia publicar no segundo semestre os editais da Ferrogrão, da Fico-Fiol e da Malha Oeste. Agora, os três projetos aparecem na carteira de 2027. Segundo a Agência iNFRA, a Ferrogrão e a Malha Oeste ainda têm propostas de modelagem em análise no Tribunal de Contas da União (TCU).
- Ferrogrão: 933 km entre Sinop (MT) e os portos de Miritituba, em Itaituba (PA), para grãos, fertilizantes e granéis líquidos. Investimento estimado de R$ 33,3 bilhões e capacidade de 66 milhões de toneladas por ano. O trecho até Lucas do Rio Verde (MT) fica como investimento opcional.
- Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol): 1.647 km entre Água Boa (MT) e Caetité (BA), passando por Goiás, com ligação à Norte-Sul em Mara Rosa (GO) e ao Porto Sul, em Ilhéus (BA). Investimento estimado de R$ 58,2 bilhões. O ramal de 505 km até Lucas do Rio Verde também é opcional.
- Malha Oeste: 1.593 km entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP), passando por Campo Grande e Três Lagoas, com investimento estimado de R$ 29 bilhões. A ferrovia será relicitada depois do fim do contrato com a Rumo.
Três leilões de estradas na região até dezembro
Para as rodovias do Centro-Oeste, a agenda é de 2026. A carteira do ministério, atualizada nesta quinta-feira (15), lista três editais abertos na região:
- BR-163/230 (MT/PA): otimização do contrato da Via Brasil, com 1.010,5 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), 245,8 km de duplicação e R$ 10,55 bilhões em investimentos. Leilão previsto para 12 de novembro.
- Rota Agro Central (BR-070/174/364, MT/RO): 887,6 km ligando Várzea Grande a Cáceres, Comodoro, Sapezal e Vilhena (RO), com R$ 6,13 bilhões em investimentos. Leilão previsto para 3 de dezembro.
- Rota do Pequi (BR-060/153, DF/GO): 211,6 km entre Brasília e Hidrolândia (GO), na concessão hoje operada pela Concebra. Leilão marcado pela ANTT para 11 de dezembro, na B3.
Segundo o ministério, a fatia de soja, milho e algodão exportada pelos portos do Arco Norte, para onde seguem a BR-163 e a BR-364, saltou de 16% em 2012 para 36% em 2022, com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O peso do transporte aparece no bolso do produtor. Pelo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o frete de grãos de Sorriso (MT) a Santos (SP) custava R$ 491,92 por tonelada na semana encerrada em 9 de outubro, ou R$ 29,52 por saca de 60 kg. Com a soja disponível a R$ 136,20 a saca em Sorriso no dia 14, o frete até o porto equivale a cerca de 22% do preço pago ao produtor.
Pelas mesmas cotações, o caminhão de Sorriso até Rondonópolis (MT), onde a soja embarca no trem da Rumo rumo a Santos, custava R$ 170,61 por tonelada. Até a estação de transbordo de Miritituba, de onde a carga segue em barcaças pelo rio Tapajós, eram R$ 282,50 por tonelada, sem contar o trecho fluvial. É esse trajeto que a Ferrogrão pretende substituir por trilhos.
Com informações de Agência BNDES de Notícias, Ministério dos Transportes (Concessões Rodoviárias 2026), Ministério dos Transportes (briefing Rota Agro Central), Ministério dos Transportes (briefing BR-163/230/MT/PA), ANTT (Aviso de Edital do Processo Competitivo nº 3/2026), Ministério dos Transportes (Concessões Ferroviárias), Imea, Canal Rural, Agência iNFRA e Folhapress/Jornal de Brasília.



