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Crédito para tratores e colheitadeiras cai 38,7% em MT, MS e GO até setembro; consórcio de máquinas cai 10,8%

Goiás financia 52,7% menos, e o valor contratado para colheitadeiras cai pela metade na região. No país, o Moderfrota liberou R$ 2,57 bilhões em nove meses, 49,3% abaixo de 2025, segundo dados do Banco Central.

Por Redação Campo em Pauta ·

Colhedora de forragem verde-limão em exposição numa feira agrícola, com placa de financiamento de cooperativa de crédito e estandes ao fundo
Colhedora de forragem em exposição na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), em 2023. Foto: Celio Messias/Governo do Estado de SP (CC BY 2.0)

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás contrataram R$ 2,76 bilhões em crédito rural para comprar máquinas agrícolas de janeiro a setembro, segundo levantamento do Campo em Pauta no Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor), do Banco Central. O valor é 38,7% menor que os R$ 4,50 bilhões do mesmo período de 2025. Foram 3.227 contratos, 41,4% a menos que os 5.511 do ano passado. No país, o consórcio de máquinas agrícolas movimentou R$ 17,57 bilhões nos nove meses, queda de 10,8%, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). O balanço foi noticiado pela CNN Brasil nesta quarta-feira (28).

Goiás teve a maior queda. O crédito para máquinas no estado caiu 52,7%, de R$ 1,43 bilhão para R$ 675,8 milhões, e o número de contratos foi de 2.106 para 979. Em Mato Grosso, o valor recuou 32,2%, de R$ 2,50 bilhões para R$ 1,70 bilhão. Em Mato Grosso do Sul, a queda foi de 32,5%, de R$ 571,6 milhões para R$ 386 milhões.

As colheitadeiras puxaram o recuo. Na região, o crédito para comprá-las caiu de R$ 1,55 bilhão para R$ 776,6 milhões, 49,9% a menos, e os contratos foram de 1.047 para 515. O financiamento de tratores caiu 32,8%, para R$ 686,1 milhões, e o de máquinas e implementos, 33,7%, para R$ 1,27 bilhão. Só cresceram os equipamentos de agricultura de precisão, de R$ 14,3 milhões para R$ 18,5 milhões, e os drones, de R$ 12 milhões para R$ 12,7 milhões.

A queda vai além do que o produtor deixou de investir no conjunto. No país, o Moderfrota, programa do BNDES para tratores, colheitadeiras e implementos, contratou R$ 2,57 bilhões de janeiro a setembro, 49,3% menos que os R$ 5,08 bilhões de 2025. Todo o crédito rural de investimento caiu 6,6% no mesmo período, de R$ 67,05 bilhões para R$ 62,62 bilhões, segundo o Sicor.

Consórcio perde fôlego

O consórcio também esfriou, mesmo sem a cobrança de juros. Segundo a Abac, as vendas de cotas para máquinas agrícolas caíram 9,2%, de 78,15 mil para 70,95 mil entre janeiro e setembro. As contemplações, quando o consorciado ganha o direito de comprar o bem, recuaram 2,5%, para 35,49 mil, e os créditos liberados caíram 4,3%, para R$ 8,74 bilhões. O número de participantes ativos subiu 4,8%, para 488,17 mil, e o valor médio da cota foi a R$ 284,42 mil em setembro, alta de 10,6% em um ano.

Os números de máquinas agrícolas são uma estimativa. A Abac aplica a fatia de 51% que essas máquinas têm entre os consorciados de veículos pesados, grupo que inclui caminhões e implementos rodoviários. Por isso, as variações são as mesmas do segmento inteiro. No balanço, a entidade diz que os resultados dos nove meses refletem “o cenário difícil que o setor de Pesados vem enfrentando no país”.

Juro alto e margem curta

A indústria sente o mesmo movimento. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas somaram R$ 26,2 bilhões de janeiro a julho, queda de 25,8% em um ano, e a entidade projeta recuo de 20% em 2026. Para a Abimaq, com margens menores nas principais culturas, o produtor prioriza as despesas indispensáveis para plantar e adia a compra de máquinas.

O vice-presidente de Vendas da CNH para a América Latina, Paulo Arabian, citou os juros, a restrição de crédito e o risco climático como os principais freios, em entrevista à consultoria Safras & Mercado na Expointer, publicada pelo Canal Rural em setembro. Ele vê demanda represada. “A gente vem de um quarto ano de baixa no volume de vendas de máquinas, o que significa que a frota envelheceu”, disse.

O crédito tende a encarecer. Depois da reeleição de Lula, no domingo (25), os juros futuros subiram, como mostrou o Campo em Pauta, e pesam sobre as linhas a taxas de mercado. O Plano Safra 2026/27 começou em julho, e os dados do Sicor podem ser revisados à medida que os bancos registram operações. O levantamento somou as linhas de tratores, colheitadeiras, máquinas e implementos, agricultura de precisão e drones, em todos os programas e fontes de recursos.

Com informações de Banco Central (Sicor, investimento por UF e produto), Banco Central (Sicor, programas e subprogramas), Abac (balanço de outubro de 2026, dados de setembro), CNN Brasil e Canal Rural (Abimaq e CNH).

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