Rabobank prevê safra de cana 2027/28 mais açucareira; em MS, produção de açúcar cai 31,7% na atual
Banco vê açúcar 14% maior no Centro-Sul e etanol de milho 24,8% maior, a 13,1 bilhões de litros. Até 15 de outubro, MT, MS e GO fizeram 8% mais etanol e 15,8% menos açúcar, e já respondem por 45,2% do etanol do país, pelas contas do Campo em Pauta.

A safra 2027/28 de cana-de-açúcar no Centro-Sul deve ser mais voltada ao açúcar que a atual, segundo projeção apresentada pelo banco holandês Rabobank na quarta-feira (4). A produção de açúcar da região deve subir 14%, de 37,4 milhões para 42,6 milhões de toneladas. No Brasil, a moagem deve passar de 630 milhões para 655 milhões de toneladas de cana, segundo o banco. “A safra global fechou com déficit. A safra que vem deve ser mais açucareira porque o mercado está oferecendo preços que são muito bem-vindos”, disse o analista Andy Duff, segundo a Globo Rural.
Mesmo com mais açúcar brasileiro, o banco prevê que o déficit mundial cresça de 400 mil toneladas na safra atual para 2 milhões de toneladas em 2027/28, com incerteza hídrica na Índia e perda de área na Tailândia, onde a mandioca e o custo do fertilizante tiram espaço da cana. O Rabobank espera o açúcar em Nova York perto de 16 centavos de dólar por libra-peso no fim deste ano e entre 17 e 19 centavos em 2027.
No etanol, o crescimento deve vir do milho. O banco projeta a produção a partir da cana praticamente estável, de 26,6 bilhões para 26,8 bilhões de litros, enquanto a de milho sobe de 10,5 bilhões para 13,1 bilhões de litros, alta de 24,8%. Pelas contas do Campo em Pauta, a fatia do cereal no etanol projetado pelo banco passaria de 28,3% para 32,8%. “Tem muitos projetos de etanol de milho para começar no ano que vem. Muita capacidade vai entrar em serviço”, afirmou Duff.
As chuvas que hoje reduzem os dias de moagem favorecem a produtividade da próxima colheita, segundo o banco, que estima sobra de 20 milhões a 40 milhões de toneladas de cana bisada, que fica no campo de uma safra para a seguinte.
Centro-Oeste troca açúcar por etanol
Nos números da safra atual, o Centro-Oeste já se afastou do açúcar. Pelos dados do Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira (Sapcana), do Ministério da Agricultura, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás moeram 125,9 milhões de toneladas de cana de 1º de abril a 15 de outubro, praticamente o mesmo volume de um ano antes. Pelas contas do Campo em Pauta, os três estados fizeram 4,31 milhões de toneladas de açúcar, 15,8% menos, e 12,70 bilhões de litros de etanol, 8% mais, o equivalente a 45,2% de todo o etanol produzido no país no período.
Mato Grosso do Sul teve a maior virada. O estado moeu 38,86 milhões de toneladas de cana, 5% menos, e a produção de açúcar caiu 31,7%, para 1,27 milhão de toneladas, enquanto a de etanol subiu 5,6%, para 3,47 bilhões de litros. Em Goiás, segundo maior produtor de etanol do país nesta safra, atrás de São Paulo, a moagem cresceu 1,3%, a 70,04 milhões de toneladas; o açúcar recuou 8,4%, a 2,52 milhões de toneladas, e o etanol avançou 12,1%, a 4,85 bilhões de litros. Mato Grosso fez 4,38 bilhões de litros, 5,6% mais, com só 17,03 milhões de toneladas de cana, porque a maior parte do etanol do estado sai do milho.
No país, a moagem da primeira quinzena de outubro caiu 17,8%, para 32,04 milhões de toneladas, segundo o mesmo sistema. No acumulado da safra, a cana processada recua 2,77%, o açúcar cai 14,12% e o etanol sobe 5,97%, a 28,11 bilhões de litros.
Etanol sobe até 11,5% em outubro
Com menos produto e procura firme, o etanol encareceu nas usinas paulistas. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, o anidro, misturado à gasolina, teve média de R$ 3,2326 por litro no mercado spot nas semanas completas de outubro, 11,52% acima de setembro, e o hidratado, de R$ 2,72, alta de 7,9%. As vendas de hidratado pelas usinas de São Paulo subiram 30,8% de setembro para outubro e passaram de 380 milhões de litros, o maior volume desde janeiro de 2024. As de anidro no spot caíram 10,5%.
O açúcar cristal completou 15 semanas seguidas de alta, a sequência mais longa desde 2020. O indicador Cepea/Esalq teve média de R$ 128,57 por saca de 50 quilos entre os dias 26 e 30 de outubro, 2,34% acima da semana anterior, e chegou a R$ 129,97 na quinta-feira (29), a maior cotação desde junho de 2025.
Na bomba, o repasse segue desigual. Na semana de 25 a 31 de outubro, o etanol hidratado subiu em 12 estados e no Distrito Federal, caiu em outros 12 e ficou estável em um, com alta média de 0,49% no país, para R$ 4,13 por litro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Goiás teve a menor média estadual do país. A alíquota zero de PIS/Cofins sobre o hidratado, que equivalia a R$ 192,20 por metro cúbico, vale até segunda-feira (9), segundo o Cepea, e a subvenção às usinas vence no mesmo dia, como mostrou o Campo em Pauta.
Para Duff, do Rabobank, a guerra no Oriente Médio, que elevou o petróleo, provocou o que ele chama de intervenções no mercado, com as subvenções aos combustíveis no Brasil. O analista espera uma correção de preços se o conflito acabar.
Com informações de Globo Rural (Rabobank), Ministério da Agricultura (Sapcana, safra 2026/27 até 15/10), Ministério da Agricultura (Sapcana, safra 2025/26 até 15/10), Canal Rural (Mapa), Canal Rural (Cepea), Canal Rural (ANP) e Cepea.





