Chuva obriga MS a replantar 22,7 mil ha de soja; em MT, juro alto e crise cancelam a Parecis SuperAgro
No Centro e no Norte do estado, o replantio chega a 1,6% da área, mais de três vezes a média, pelas contas do Campo em Pauta. Em Campo Novo do Parecis (MT), há fazenda com 50 mm de chuva desde setembro e talhão replantado duas vezes.

O plantio de soja da safra 2026/27 chegou a 68,6% da área de Mato Grosso do Sul até a sexta-feira (30), o equivalente a cerca de 3,34 milhões de hectares, segundo o boletim semanal Casa Rural, da Aprosoja-MS e do Sistema Famasul, com dados do projeto Siga-MS, divulgado na terça-feira (3). O mesmo levantamento encontrou 22.718 hectares que precisaram ser semeados de novo depois das chuvas de outubro, perto de 0,5% da área prevista para a cultura no estado.
O replantio ficou concentrado. A região Centro, que reúne Sidrolândia, Campo Grande, Rio Brilhante e Santa Rita do Pardo, responde por 13.213 hectares replantados, e a Norte, de São Gabriel do Oeste, Bandeirantes e Sonora, por outros 9.435 hectares. Pelas contas do Campo em Pauta, sobre a área de soja que o próprio Siga-MS estima nos municípios de cada região, o replantio atinge 1,5% da lavoura no Centro e 1,6% no Norte, mais de três vezes a média do estado.
Os técnicos apontam como causas o encharcamento, o selamento e a erosão laminar do solo. “Naquele período, o plantio havia alcançado 32% da área acompanhada. As operações ficaram paralisadas durante grande parte da semana devido às condições de umidade do solo”, disse o analista técnico da Aprosoja-MS Lucas Santana, sobre a segunda quinzena de outubro. Segundo ele, houve rompimento de curvas de nível, enxurradas e início de erosão, principalmente em solos arenosos e mistos.
Com o tempo firme na última semana do mês, as máquinas voltaram ao campo. O Sul do estado tem 76,2% da área semeada, o Centro, 60,3%, e o Norte, 52,2%. O ritmo está 0,6 ponto percentual à frente do registrado na mesma data da safra passada. Pelas contas do Campo em Pauta, faltam cerca de 1,53 milhão de hectares para completar os 4,874 milhões previstos. A entidade mantém a estimativa de 15,33 milhões de toneladas, 8,4% menos que em 2025/26.
Em MT, plantio parado à espera de chuva
Em Mato Grosso, o problema é o contrário. Em Campo Novo do Parecis, a chuva irregular parou a semeadura em algumas fazendas e obrigou replantio em outras, segundo reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Na propriedade de Marciano Martelli, o acumulado desde o fim de setembro é de cerca de 50 milímetros, e ainda falta plantar 25% da área. “Plantar nas condições que estão agora não vai nem germinar”, disse o agricultor, que também teme perda na soja já semeada.
Em outra fazenda do município, um talhão de 40 hectares precisou ser replantado duas vezes, porque a semente não germinou por falta de chuva. O agricultor Maurício Gilioli estima que os custos adicionais do replantio representam de 15 a 20 sacas por hectare. Além do gasto com semente, produtos e manejo, a lavoura que nasce em datas diferentes perde uniformidade. “Foi plantado com segurança, nas melhores condições, com umidade (...) e infelizmente toda a precaução que tivemos não foi suficiente, a chuva não veio”, afirmou.
No conjunto do estado, a semeadura chegou a 89,05% até a sexta-feira (30), segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), como mostrou o Campo em Pauta.
Milho de verão e algodão
O plantio do milho de primeira safra chegou a 44,2% da área nos nove estados acompanhados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) até a sexta-feira (30), ante 40% uma semana antes, 42,3% um ano atrás e 42,5% na média de cinco anos. Em Goiás, a semeadura está em 15%, ante 12% na semana anterior e 3% em 2025. Segundo a Conab, o ritmo goiano segue lento porque o produtor prioriza a soja.
No algodão, o Imea manteve em novembro a estimativa para Mato Grosso: 1,43 milhão de hectares na safra 2026/27, 3,84% a mais que na anterior, estimulados pelo preço da pluma. Com a soja avançada, a janela de plantio da fibra não deve ser comprometida, diz o instituto, mas o El Niño segue como ponto de atenção. A produtividade prevista é de 310,39 arrobas por hectare, 6,01% abaixo do recorde da última safra, e a produção, de 6,65 milhões de toneladas de algodão em caroço, 2,41% menor.
O caroço, subproduto vendido para ração e óleo, perde valor. Com 65,62% da safra 2025/26 já beneficiada, o preço médio em Mato Grosso fechou outubro em R$ 718,40 por tonelada, 5,54% abaixo de setembro e 23,76% menos que um ano antes, segundo o Imea, que atribui a queda à demanda fraca no estado. A pluma reagiu no fim do mês com a alta do dólar: o indicador Cepea/Esalq subiu 1,7% entre os dias 26 e 30, mas fechou outubro em queda de 1,05%, a R$ 4,1302 por libra-peso, e recuou mais 0,75% nos dois primeiros pregões de novembro, a R$ 4,0992 na quarta-feira (4).
Feiras de MT e MS ficam fora de 2027
A crise no campo chegou ao calendário de eventos. O Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis cancelou a 18ª Parecis SuperAgro, que estava marcada para 14 a 16 de abril de 2027. O presidente da entidade, Antônio Brólio, citou os juros elevados, o cenário político e as condições do mercado; segundo ele, os expositores mantinham a parceria, mas muitos não viam interesse em participar da próxima edição. “Dá uma dor no coração ter que cancelar uma feira, mas quando não é rentável para quem está lá expondo… O investimento do Sindicato Rural também é alto”, disse ao Canal Rural Mato Grosso.
Em Mato Grosso do Sul, o Sindicato Rural de Chapadão do Sul suspendeu a 33ª Exposul, também prevista para 2027. A diretoria, presidida por Gilberto Mosena, decidiu por unanimidade depois de duas edições com resultado financeiro negativo, e citou o custo das atrações musicais, a concorrência com eventos gratuitos e as dificuldades do agronegócio e das empresas parceiras. As duas entidades tratam a decisão como pausa para reorganizar os eventos e não anunciaram data de retorno.
Para Brólio, a conta vai além do sindicato. “A sociedade vai sentir, infelizmente isso vai ocorrer. A feira fazia um giro para o município, era o maior evento da região, isso aí o pequeno e o médio vão sentir bastante”, afirmou.
Com informações de Aprosoja-MS (boletim Casa Rural 686), Aprosoja-MS (boletim Casa Rural 686, PDF), Campo Grande News, Mais Soja (Aprosoja-MS), Canal Rural Mato Grosso, Canal Rural, Canal Rural Mato Grosso (Imea), Conab, Mais Soja (Conab), Mais Soja (Imea), Globo Rural (Cepea), Cepea, Nortão MT e Infoverus (Compre Rural).





