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Plantio de soja chega a 89% em MT e dobra em Goiás ante 2025; StoneX eleva safra a 184,95 milhões de t

Conab aponta 54,3% do país semeado até sexta (30), acima da média; Mato Grosso do Sul, com 68%, fica 7,6 pontos atrás dela. StoneX revisa a safra para cima por causa de MT e fica 3,3 milhões de t acima da Conab, mas Itaú BBA vê solo secando no Centro-Oeste.

Por Redação Campo em Pauta ·

Lavoura de soja verde e fechada até o horizonte, sob céu carregado de nuvens cinzentas com faixas de chuva caindo ao fundo
Lavoura de soja e nuvens de chuva em Campo Verde (MT), em janeiro de 2013. Foto: Paulo Roberto (CC BY-SA 3.0)

O plantio de soja da safra 2026/27 chegou a 54,3% da área nos 12 estados acompanhados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que somam 95% do cultivo no país, até a sexta-feira (30). O levantamento, divulgado na segunda-feira (2), mostra avanço de 11,5 pontos percentuais em uma semana, ante 42,8% na anterior. No mesmo período de 2025, eram 47,7%, e a média dos últimos cinco anos para a data é de 51,8%.

Mato Grosso puxa o ritmo. Pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura chegou a 89,05% da área do estado até sexta-feira, 13,24 pontos a mais em sete dias e 12,92 pontos à frente dos 76,13% de um ano antes. Pelas contas do Campo em Pauta, aplicado aos 13,05 milhões de hectares que o Imea estima para a safra, o índice equivale a cerca de 11,6 milhões de hectares plantados; falta pouco mais de 1,4 milhão. A Conab, com metodologia própria, põe o estado em 90,8%.

O avanço não é uniforme dentro de Mato Grosso. O médio-norte, região de Sorriso, está com 99,71% da área semeada. O noroeste, com 81,65%, é a única das sete regiões do Imea atrás da safra passada, quando tinha 93,27% na mesma data. No nordeste e no sudeste do estado, que um ano antes estavam em 53,94% e 52,84%, o plantio já passa de 80%.

Em Goiás, a Conab registra 58% da soja plantada, o dobro dos 29% de um ano atrás e 13 pontos acima da média de cinco anos, de 45%. Na semana anterior eram 41%, como mostrou o Campo em Pauta. Pelas contas do Campo em Pauta, sobre os 5,2 milhões de hectares que a Conab prevê para o estado, são cerca de 3 milhões de hectares semeados.

Mato Grosso do Sul é a exceção no Centro-Oeste. O estado chegou a 68%, ante 60% uma semana antes, mas segue abaixo dos 73% de 2025 e 7,6 pontos atrás da média de cinco anos, de 75,6%, segundo a Conab. O projeto Siga-MS, da Aprosoja-MS, que usa outra metodologia e outra data de corte, registrou 52,6% até o dia 23, com ritmo 4,8 pontos à frente da safra passada. A entidade estima 4,874 milhões de hectares no estado e produtividade de 52,4 sacas por hectare, 13,2% menor que a de 2025/26.

StoneX vê safra maior

Em revisão de novembro, a consultoria StoneX elevou sua estimativa para a safra brasileira de soja 2026/27 a 184,95 milhões de toneladas, 0,9% acima da projeção de outubro. Na temporada 2025/26, o país colheu 182,60 milhões de toneladas, segundo a consultoria. A maior parte da revisão vem de Mato Grosso, onde a StoneX vê rendimentos melhores depois do plantio acelerado e do clima favorável nos primeiros estágios das lavouras. Pará, Maranhão e Piauí também tiveram a previsão elevada.

A estimativa fica 3,33 milhões de toneladas, ou 1,8%, acima dos 181,62 milhões do primeiro levantamento da Conab, de outubro, que prevê 50,88 milhões de toneladas em Mato Grosso, 1,4% menos que na safra passada, com produtividade 2% menor. O adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília projeta 184 milhões de toneladas para o Brasil, alta de 2%, com área 1,4% maior, de 49,7 milhões de hectares, mas também espera rendimento menor em Mato Grosso, segundo o boletim semanal do Imea. O instituto mantém para o estado 62,44 sacas por hectare e 48,88 milhões de toneladas.

Com a safra maior, a StoneX elevou a previsão de exportação para 115,5 milhões de toneladas, ante 113 milhões em 2025/26, mas fez ressalvas. “As margens de esmagamento passam por momentos pontuais de forte pressão, enquanto persistem dúvidas sobre a sustentação do crescimento da demanda chinesa pela soja brasileira, num momento em que o país asiático amplia as compras de soja norte-americana por motivos políticos”, afirmou a consultoria em nota. Sobre os estados do Norte e do Nordeste que tiveram a estimativa elevada, a StoneX disse que eles “exigem atenção especial em um ano de El Niño, quando o risco climático para as lavouras tende a se intensificar”.

Chuva irregular

A Consultoria Agro do Itaú BBA, em relatório divulgado pela CNN Brasil nesta terça-feira (3), aponta a irregularidade da chuva e a perda de umidade do solo em partes do Centro-Oeste como os principais pontos de atenção da safra. Depois das chuvas do fim de setembro e do início de outubro, a frequência e o volume diminuíram, e o calor acelerou a secagem do solo. Em Mato Grosso, houve relatos pontuais de replantio, que, segundo a consultoria, por ora não comprometem o potencial produtivo do estado.

Os modelos citados pelo Itaú BBA indicam chuva mais abrangente e mais volumosa entre 29 de outubro e 12 de novembro, o que deve recompor a umidade do solo no Centro-Oeste. Em Mato Grosso, a consultoria avalia que a retomada do plantio na segunda metade de outubro reduziu a chance de atraso generalizado do milho e do algodão de segunda safra. Em Goiás e em Mato Grosso do Sul, o risco apontado é o fim antecipado das chuvas em partes do Cerrado, cenário comum em anos de El Niño.

O Imea projeta 7,48 milhões de hectares de milho de segunda safra em Mato Grosso, com 119,64 sacas por hectare e 53,68 milhões de toneladas. Segundo o instituto, a previsão do CPTEC/Inpe para novembro a janeiro indica chuva próxima da média em parte do estado, com desvios negativos no norte. De dezembro a fevereiro, a chuva deve ficar acima da média no centro-sul e no leste, o que pode interromper a colheita da soja e o plantio do cereal.

Em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja-MS alerta que a previsão para o trimestre de outubro a dezembro indica influência de um El Niño muito forte, com possibilidade de ondas de calor, tempestades, ventos intensos e granizo. “As chuvas também estimularam o surgimento de plantas daninhas, especialmente nas regiões Centro, Oeste e Sul, exigindo atenção ao manejo das lavouras”, afirmou o analista técnico da entidade Lucas Santana no último boletim.

Com informações de Conab, Imea, Aprosoja-MS, Globo Rural, CNN Brasil e Canal Rural.

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