Plantio de soja vai a 30,1%, e MT, GO e MS somam 75% da área semeada; lesmas e chuva ameaçam lavouras de MS
Goiás salta de 7% para 26% da área em uma semana, e Mato Grosso passa de 60%. Em Mato Grosso do Sul, a Aprosoja-MS alerta para lesmas e caracóis que podem forçar replantio; no Paraná, o plantio avançou só 3 pontos com a chuva.

O plantio da soja da safra 2026/27 chegou a 30,1% da área prevista nos 12 principais estados produtores até a sexta-feira (16), quase o dobro dos 15,6% de uma semana antes, segundo o acompanhamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O ritmo supera o do mesmo período de 2025, de 21,4%, e a média de cinco anos, de 26,4%. Pelas contas do Campo em Pauta com a área estimada pela companhia, são cerca de 14,1 milhões de hectares semeados, dos quais 10,5 milhões, ou 75%, em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Mato Grosso lidera, com 60,8% da área plantada, ante 39,8% em 2025 e média de 47,4%, o equivalente a quase 8 milhões de hectares. No boletim de monitoramento divulgado na segunda-feira (19), a Conab relata que as chuvas permitiram avanços em todas as macrorregiões do estado. O levantamento próprio do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com outra metodologia, apontava 51,86% até a mesma data; o próximo relatório do instituto sai na sexta-feira (23).
Goiás teve o maior salto da semana: passou de 7% para 26% da área, acima dos 5% de 2025 e da média de 19,4%, cerca de 1,35 milhão de hectares. Segundo a Conab, a semeadura ganhou ritmo no Sudoeste goiano, onde já supera a safra anterior, segue heterogênea no Sul e ainda é inicial no Leste, no Oeste e no Norte, apoiada por irrigação.
Em Mato Grosso do Sul, as contas divergem. A Conab registra 28%, abaixo dos 34% de 2025 e da média de 35,2%. Já o projeto Siga-MS, da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja-MS), aponta 32% até sexta, cerca de 1,56 milhão de hectares, 1,1 ponto percentual à frente da safra passada e 5,4 pontos acima da semana anterior, segundo a circular nº 683, divulgada na terça-feira (20). O sul do estado tem 39,7% plantados; o centro, 21%; e o norte, 18,7%. As máquinas ficaram paradas boa parte da semana por causa do solo encharcado, e a Conab relata amarelecimento de plantas no sul.
Lesmas, caracóis e replantio
Além da chuva, as pragas iniciais preocupam. Em informativo técnico, a Aprosoja-MS relatou lesmas e caracóis em lavouras do Oeste, do Sul e do Norte do estado nesta safra, principalmente o caracol Drymaeus interpunctus e a lesma Sarasinula linguaeformis. Os animais comem folhas jovens, cotilédones e hastes, podem matar plântulas e, com população alta, reduzir o estande a ponto de exigir replantio. Os caracóis que sobrevivem ao ciclo ainda podem embuchar as colheitadeiras na colheita. “O ataque pode comprometer o estabelecimento da lavoura e reduzir a população de plantas por hectare”, afirmou o analista técnico da entidade Lucas Santana.
A umidade alta, as temperaturas amenas e a palhada do plantio direto favorecem as pragas, que saem ao entardecer e à noite, embora a cobertura do solo, sozinha, não signifique infestação. Segundo a associação, não há consenso científico sobre o nível a partir do qual vale controlar, e o fosfato férrico é o único ingrediente ativo registrado no Ministério da Agricultura para lesmas e caracóis; as iscas devem ser espalhadas sobre o solo no fim da tarde. Pela circular do Siga-MS, caramujo, vaquinha e cascudinho-da-soja já exigem intervenção no Oeste, no Sudoeste e no Sul-Fronteira, onde também apareceu a mancha olho-de-rã. A chuva rompeu curvas de nível e abriu erosão em solos arenosos, e o granizo em Ivinhema, Angélica e Caarapó danificou folhas, sem necessidade de replantio nas áreas monitoradas.
O peso do manejo aparece em estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), feito em cooperação com a CropLife Brasil, que representa empresas de insumos. Num cenário simulado sem controle de pragas, doenças e plantas daninhas, a soja brasileira perderia em média 121,3 milhões de toneladas, o equivalente a R$ 223,5 bilhões; com controle ótimo, a perda cairia para 24,3 milhões. Para o coordenador de Sustentabilidade da CropLife, Pedro Duarte, “gargalos regulatórios que atrasam a chegada de novas tecnologias e restrições às ferramentas disponíveis podem comprometer a capacidade do produtor de enfrentar pragas, doenças e plantas daninhas”.
Chuva trava o Sul
No Paraná, o plantio está em 39%, igual a 2025 e perto da média, mas andou só 3 pontos percentuais na semana, ante 36% uma semana antes, pela Conab. Setembro teve o maior volume de chuva da série de mais de 25 anos em 14 estações do Simepar, e a umidade dificulta a entrada das máquinas e a colheita do trigo, segundo a CNN Brasil. O presidente do Sistema Faep, Ágide Meneguette, defende seguro rural e políticas públicas para as perdas, e o atraso pode estreitar a janela do milho safrinha.
O Rio Grande do Sul tem 1% dos 6,74 milhões de hectares semeados, número próximo da média para a data, de 0,4%, porque o estado planta mais tarde. Mas as janelas secas são raras: na Fronteira Oeste, maior região produtora, só 3 mil de 1 milhão de hectares previstos tinham sido plantados, segundo o Canal Rural, que cita a previsão da Emater-RS de 3.183 quilos por hectare, de 1% a 2% menos que no ciclo anterior.
Para esta semana, a Conab prevê condições favoráveis ao manejo no Centro-Oeste, com chuvas persistentes, mas fracas, no oeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, e temporais com granizo no extremo sul sul-mato-grossense entre quinta-feira (22) e domingo (25). No Sul, a chuva pode somar de 70 a 150 milímetros, pontualmente acima de 200 mm. “A presença do fenômeno El Niño aumenta a possibilidade de instabilidades climáticas em Mato Grosso do Sul. Dessa forma, deve-se ter cautela no planejamento das operações e tomada de decisão”, afirmou Santana, da Aprosoja-MS.
Com informações de Conab (Progresso de safra, 12/10 a 18/10/26), Conab (Monitoramento semanal das condições das lavouras, 19/10/2026), Conab (1º levantamento da safra 2026/27, planilha por produto), Imea (Boletim Semanal da Soja nº 919), Aprosoja-MS (Circular Siga-MS nº 683), Aprosoja-MS, Campo Grande News, CropLife Brasil, CNN Brasil e Canal Rural.



