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Chuva de 137 mm em quatro dias em Maracaju freia soja em MS; previsão indica até 200 mm até o fim do mês

Aprosoja-MS ainda não sabe quanto terá de ser replantado; Conab vê risco de atraso para quem tem menos máquinas, e frente fria dá trégua ao sul a partir de sexta.

Por Redação Campo em Pauta ·

Sulco de erosão sinuoso, com pedras soltas, cortando uma lavoura recém-semeada com plantas ainda pequenas
Sulco aberto pela enxurrada em lavoura recém-semeada em Wardley, na Inglaterra, em 2013. A erosão arrasta solo e sementes e pode obrigar o replantio. Foto: Michael Trolove (CC BY-SA 2.0)

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) ainda não consegue dizer quantos hectares de soja terão de ser semeados de novo por causa do excesso de chuva. Segundo a entidade, o monitoramento do projeto Siga-MS não mede falhas de emergência nem a necessidade de replantio, e os danos relatados até agora, como o selamento do solo no Centro e a erosão que arrasta sementes no Sudeste, estão consolidados por região, sem detalhe por município, informou o Campo Grande News.

E a chuva não parou. Nas 96 horas encerradas no início da tarde desta quinta-feira (15), o pluviômetro do Cemaden no Jardim Guanabara, em Maracaju, somou 137,2 milímetros. No mesmo período, Ponta Porã teve 90,8 mm, Mundo Novo, 88,8 mm, e Bela Vista, 80,2 mm.

Nas estações da Embrapa Agropecuária Oeste, Rio Brilhante recebeu 78,9 mm só na quarta-feira (14), 41% de tudo o que choveu no mês por lá até agora, 192,3 mm. Em Ivinhema, o acumulado de 1º a 14 de outubro chegou a 239,3 mm, com chuva em dez dos 14 dias. A estação da UFGD, em Dourados, marcou 237,7 mm.

Previsão: até 200 mm até o fim do mês

A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), publicada no boletim semanal da Aprosoja-MS e do Sistema Famasul, indica de 60 a 200 milímetros em Mato Grosso do Sul entre 13 e 29 de outubro, com pontos acima de 200 mm. Os maiores volumes, de 150 a 200 mm, devem cair no sul, no sudoeste, no centro e no sudeste, as regiões mais adiantadas no plantio. No norte e no noroeste, a previsão é de 30 a 80 mm.

Há uma trégua à vista. Segundo o Cemtec, a frente fria que passa pelo estado deve deixar o tempo mais firme em parte de Mato Grosso do Sul a partir de sexta-feira (16) e no fim de semana, com mínimas de 12 °C a 14 °C no sul. Para sexta, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém aviso amarelo de tempestade em 22 municípios do norte e do leste, como Três Lagoas, Chapadão do Sul, Costa Rica e Coxim, e laranja apenas em Paranaíba. O sul do estado fica fora dos avisos.

Para o trimestre de outubro a dezembro, o boletim prevê chuva acima da média, com acumulados de referência entre 300 e 500 mm, e um El Niño de intensidade muito forte: tempestades com possibilidade de granizo no Centro-Sul e chuvas irregulares com ondas de calor no Centro-Norte.

Replantio, máquinas e área menor

No primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado nesta quinta, a Conab avalia que o volume elevado de chuva e os curtos intervalos de sol dificultam o trabalho no campo e podem atrasar o plantio em Mato Grosso do Sul, principalmente entre os produtores com menos máquinas. A companhia estima a soja do estado em 4,45 milhões de hectares e 15,9 milhões de toneladas, e prevê redução de área em municípios do sul, do sudeste e do nordeste, onde parte dos solos arenosos vai para mandioca, eucalipto, amendoim e cana.

A Aprosoja-MS trabalha com 4,87 milhões de hectares, 5,5% a mais que no ciclo passado, e 15,3 milhões de toneladas, queda de 8,4%. A produtividade inicial, de 52,4 sacas por hectare, 13,2% abaixo da safra anterior, segue a média dos últimos cinco anos do Siga-MS e ainda não incorpora perdas por chuva.

O excesso de agora convive com um passivo antigo. Pelo índice de precipitação padronizado de 12 meses, calculado pelo Cemtec, o Bolsão, no nordeste, e o sul do estado ainda mostram áreas de seca severa a extrema, reflexo das estiagens anteriores. No campo, a chuva também derrubou a energia em fazendas do Assentamento Marcos Freire, em Dois Irmãos do Buriti, na terça-feira (13); a Energisa disse ao Campo Grande News que os registros foram pontuais.

Em Goiás, o quadro é outro. Na área da cooperativa Comigo, com sede em Rio Verde, o plantio chegou a 50% dos 2,4 milhões de hectares previstos, segundo o departamento técnico da cooperativa, ouvido pela Safras & Mercado. As chuvas na região têm sido isoladas e não impedem os trabalhos. Em Montividiu, 90% dos 180 mil hectares já estão semeados.

Para quem teve falhas, a orientação da Aprosoja-MS é avaliar cada área antes de decidir pelo replantio. Segundo o analista técnico Lucas Santana, a decisão deve levar em conta a quantidade de plantas que conseguiu emergir, as condições do solo e o clima local. No boletim desta semana, a entidade resume: “deve-se ter cautela no planejamento das operações e tomada de decisão”.

Com informações de Aprosoja-MS/Sistema Famasul (Circular 682/2026, Boletim Casa Rural), Embrapa Agropecuária Oeste (Guia Clima), Cemaden (pluviômetros automáticos), Inmet (avisos meteorológicos), Conab (1º levantamento da safra de grãos 2026/27), Campo Grande News, Mais Soja e Safras & Mercado.

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