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Etanol de MS cresce 18% e chega a 3,56 bilhões de litros; Centro-Oeste faz quase metade do etanol do país

Alta em MS vem da cana desviada do açúcar, e o milho deve perder peso no estado nesta safra; em Mato Grosso, o cereal responde por 86% do combustível, e as usinas absorvem o equivalente a 29% da safrinha.

Por Redação Campo em Pauta ·

Usina de açúcar e etanol com chaminés soltando vapor branco, vista atrás de um canavial verde à beira de uma estrada
Usina São Martinho, de açúcar e etanol, em Pradópolis (SP), em 2011. Foto: Marco Aurelio Esparz…/Panoramio (CC BY-SA 3.0)

Mato Grosso do Sul produziu 3,56 bilhões de litros de etanol de janeiro a agosto de 2026, 547 milhões de litros a mais que no mesmo período do ano passado, alta de 18,2%, segundo os dados abertos de produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O estado respondeu por 13,7% do etanol fabricado no país e ficou em quarto lugar, atrás de São Paulo, com 8,18 bilhões de litros, Mato Grosso, com 5,17 bilhões, e Goiás, com 4,06 bilhões.

Somados, os três estados do Centro-Oeste fizeram 12,79 bilhões de litros nos oito primeiros meses do ano, 49,2% dos 26,01 bilhões produzidos no Brasil, pelas contas do Campo em Pauta com os dados da ANP. Em todo o ano de 2025, a fatia da região foi de 47,9%. O crescimento sul-mato-grossense ficou pouco acima do nacional, de 17,6%, e abaixo do goiano, de 21,2%. Mato Grosso cresceu 12,5%.

Em Mato Grosso do Sul, o etanol hidratado, vendido direto na bomba, somou 2,67 bilhões de litros, 74,9% do total e 15,4% a mais que um ano antes. O anidro, misturado à gasolina, cresceu mais: 27,2%, para 893 milhões de litros.

A cana trocou o açúcar pelo etanol

Boa parte da alta veio de uma escolha das usinas. Pelo Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira (Sapcana), do Ministério da Agricultura, as usinas sul-mato-grossenses moeram 37,98 milhões de toneladas de cana de 1º de abril a 30 de setembro, 0,8% menos que na safra anterior, mas fabricaram 1,23 milhão de toneladas de açúcar, queda de 29,4%, e 3,33 bilhões de litros de etanol, somando cana e milho, alta de 9,7%. Em Goiás, o etanol subiu 15,1% no mesmo período, para 4,56 bilhões de litros, e o açúcar caiu 6,5%. Em Mato Grosso, o etanol avançou 5,7%, para 4,04 bilhões de litros.

A estimativa de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra o mesmo movimento para a safra 2026/27 inteira. Mato Grosso do Sul deve fazer 5,62 bilhões de litros, 14,1% a mais que em 2025/26: 3,54 bilhões de litros de cana, alta de 26,6%, e 2,08 bilhões de milho, queda de 2,4%. Com isso, a fatia do cereal no etanol do estado cai de 43,2% para 37%. Pelos dados da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), o estado tem 22 unidades em operação, 19 de cana e três de milho, e é o segundo maior produtor de etanol de milho do país.

Milho e sorgo viram combustível

Em Mato Grosso, o etanol é sobretudo de milho. A Conab prevê 7,2 bilhões de litros do cereal na safra 2026/27, alta de 15,2%, ou 85,7% dos 8,41 bilhões de litros do estado. Em Goiás, o etanol de milho cresce 50,6%, para 1,18 bilhão de litros, 20,3% do total goiano. O Centro-Oeste deve produzir 10,46 bilhões de litros de etanol de milho, 87,8% do volume nacional, estimado em 11,91 bilhões.

Para o produtor de grãos, isso é demanda firme dentro de casa. A nova usina da Atvos em Nova Alvorada do Sul vai transformar 642 mil toneladas de milho em 273 milhões de litros de etanol por ano, cerca de 425 litros por tonelada. Com esse rendimento, pelas contas do Campo em Pauta, os 2,08 bilhões de litros previstos para Mato Grosso do Sul exigem perto de 4,9 milhões de toneladas de milho e sorgo, cerca de 30% da segunda safra de milho 2025/26 estimada pelo Siga-MS, de 16,25 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, os 7,2 bilhões de litros equivalem a cerca de 16,9 milhões de toneladas, 29% dos 57,8 milhões de toneladas de milho segunda safra que o IBGE estima para o estado em 2026.

O sorgo entra nessa conta. Segundo o IBGE, Mato Grosso do Sul deve colher 956,7 mil toneladas do grão em 2026, alta de 78,9%, expansão que o instituto atribui aos investimentos em biocombustível. Em 2024, a Inpasa anunciou o uso do grão na usina de Sidrolândia. No campo, a circular de 13 de outubro do Siga-MS relata que produtores do oeste do estado avaliam trocar o milho pelo sorgo para reduzir os prejuízos causados por porcos asselvajados.

A capacidade vai crescer. Em junho, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu a licença de instalação da usina da Atvos, investimento de mais de R$ 1 bilhão anexo à unidade de cana Santa Luzia, que também vai produzir 183 mil toneladas de DDG, coproduto rico em proteína usado na ração animal, e 13 mil toneladas de óleo de milho. A obra deve levar de 18 a 24 meses e empregar 2 mil pessoas. Será a quarta usina de etanol de milho do estado, ao lado das duas da Inpasa, em Dourados e Sidrolândia, e da Neomille, da CerradinhoBio, em Maracaju. Segundo a Semadesc, com ela o milho deve passar de metade do etanol sul-mato-grossense.

Do lado da demanda, o setor conta com o aumento da mistura de anidro na gasolina para 32%, o E32. Em nota de 15 de julho, a Biosul afirmou que a medida “amplia a previsibilidade para novos investimentos” e chega “em um momento de expansão da produção e consolidação da integração entre o etanol de cana-de-açúcar e de milho”. Segundo a entidade, a bioenergia está presente em 42 municípios de Mato Grosso do Sul, gera cerca de 34,5 mil empregos diretos e responde por 19% do PIB industrial do estado.

Com informações de ANP (dados abertos de produção de etanol), Ministério da Agricultura (Sapcana, até 30/09/2026), Ministério da Agricultura (Sapcana, até 30/09/2025), Conab (2º levantamento de cana 2026/27, planilha), Conab (2º levantamento de cana 2026/27), Biosul, Semadesc-MS, Agência de Notícias MS, Aprosoja-MS/Siga-MS (Circular 682, 13/10/2026) e Campo Grande News.

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