Safra de grãos de MS cresce 7,1% em 2026; sorgo dispara 79% e café mais que dobra, aponta IBGE
Soja com 16% mais produtividade puxa alta de quase o triplo da média nacional; Goiás perde 13,7% com veranico no milho, e Mato Grosso cresce 3,1%.

Mato Grosso do Sul deve colher 30,1 milhões de toneladas de grãos em 2026, 7,1% a mais que em 2025, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de setembro, divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (15). São 2 milhões de toneladas a mais em um ano. O crescimento é quase o triplo do nacional: o país deve produzir 354,5 milhões de toneladas, alta de 2,4% e recorde da série do instituto.
A soja puxa o resultado. O estado deve colher 15,7 milhões de toneladas, 19,7% a mais que no ano passado, com área apenas 2,8% maior. O ganho veio da produtividade, que passou de 3.077 para 3.582 quilos por hectare, de cerca de 51 para quase 60 sacas. Com isso, Mato Grosso do Sul responde por 9% da soja brasileira e é o 5º maior produtor.
Em termos proporcionais, o salto maior foi do sorgo. A produção deve chegar a 956,7 mil toneladas, alta de 78,9%, com a área passando de 131,3 mil para 239,2 mil hectares (+82,2%). Com isso, o estado passou São Paulo e virou o 3º maior produtor do país, atrás de Goiás e Minas Gerais. A fatia sul-mato-grossense na produção nacional de sorgo subiu de 9,9% para 16,0%.
O café arábica mais que dobrou, mas em escala pequena: 209 toneladas, ante 99 toneladas em 2025 (+111,1%), mesmo com a área caindo de 158 para 154 hectares. O rendimento saiu de 627 para 1.357 quilos por hectare. O volume equivale a cerca de 3,5 mil sacas de 60 quilos, menos de 0,01% do arábica brasileiro, estimado em 2,8 milhões de toneladas.
Etanol e janela do milho explicam o sorgo
Segundo o IBGE, Mato Grosso do Sul tem expandido o sorgo em razão de maiores investimentos na produção de biocombustível. O instituto lembra que o grão é alternativa ao milho na segunda safra quando o produtor perde a janela de plantio, por ser mais tolerante à falta de umidade, e cita a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho): usinas de etanol de milho estão se adaptando para processar sorgo, com rendimento semelhante. O IBGE também aponta que o preço do sorgo, historicamente cerca de 30% abaixo do milho, se aproximou do cereal nos últimos anos, e que a China está entre os compradores do grão brasileiro.
A Inpasa, uma das maiores produtoras de etanol de cereais, tem usinas em Dourados e Sidrolândia. Em 2024, ao anunciar o uso do sorgo na unidade de Sidrolândia, a empresa afirmou em comunicado que “aposta no sorgo como uma opção a mais para a segunda safra no Estado”. Em agosto de 2025, o vice-presidente de negócios e originação da companhia, Flávio Peruzzo, disse à Globo Rural que a intenção é processar metade milho e metade sorgo. “O principal não é substituir o milho e sim ser uma nova cultura em regiões que nunca fizeram segunda safra”, afirmou.
O sorgo de Mato Grosso do Sul também rende acima da média: 3.999 quilos por hectare em 2026, ante 3.071 quilos no país.
Milho recua, e números divergem
Nem todas as culturas cresceram. O milho segunda safra deve somar 12,8 milhões de toneladas, queda de 7,2%, com a área estável e a produtividade 6,9% menor, de 6.125 para 5.700 quilos por hectare. O trigo cai 17,7%, para 46,5 mil toneladas; a mandioca, 7,5%, para 1,39 milhão de toneladas; e o algodão, 1,4%, para 165,3 mil toneladas. A cana fica estável, em 55,3 milhões de toneladas.
No milho, a estimativa do IBGE destoa da feita pelos produtores. O Siga-MS, da Aprosoja-MS, calcula a segunda safra 2025/26 em 16,25 milhões de toneladas, 16,7% acima do ciclo anterior, com média de 122,79 sacas por hectare. A produtividade do IBGE equivale a cerca de 95 sacas. O LSPA é uma estimativa mensal e pode ser revisado até a consolidação da safra.
Entre os vizinhos, Mato Grosso deve colher 114,2 milhões de toneladas, alta de 3,1%, e segue com 32,2% da safra nacional. O estado tem 57,8 milhões de toneladas de milho segunda safra (+6,0%) e soja estável (+1,0%). Goiás deve recuar 13,7%, para 33,6 milhões de toneladas: segundo o IBGE, veranicos derrubaram o milho segunda safra goiano em 31,1%, o equivalente a 4,5 milhões de toneladas a menos. A soja de Goiás cai 2,7%. Mesmo assim, o estado segue como 4º produtor de grãos, com 9,5% do total, 3,6 milhões de toneladas à frente de Mato Grosso do Sul, que tem 8,5%.
O LSPA mede a safra do ano civil de 2026, cuja colheita está praticamente encerrada. É um levantamento diferente do da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que nesta semana divulgou sua primeira estimativa para a safra 2026/27, cujo plantio está em andamento.
Com informações de IBGE (LSPA, setembro de 2026), IBGE (Sidra, tabela 6588), Agência IBGE Notícias, Aprosoja-MS (Siga-MS), Globo Rural, via NovaCana, Revista Oeste e Campo Grande News.



