Plantio de soja chega a 75,8% em MT, 15,8 pontos à frente de 2025; Brasil vai a 40%, diz AgRural
Mato Grosso semeou 3,1 milhões de hectares em uma semana e pode passar de 80% até o fim do mês, segundo o Imea; no Centro-Sul, milho verão chega a 68,8%, acima dos 62,4% de 2025.

O plantio da soja da safra 2026/27 chegou a 75,81% da área prevista em Mato Grosso até a sexta-feira (23), segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em sete dias, as máquinas avançaram 23,95 pontos percentuais, o maior salto da temporada. O estado está 15,8 pontos à frente dos 60,05% registrados um ano antes e 11,5 pontos acima da média de cinco anos para a data, de 64,31%. Pelas contas do Campo em Pauta, com os 13,05 milhões de hectares que o instituto projeta para o estado, são cerca de 9,9 milhões de hectares semeados, 3,1 milhões deles só na última semana.
No país, o plantio chegou a 40% da área até a quinta-feira (22), ante 26% uma semana antes e 36% um ano atrás, segundo levantamento da consultoria AgRural divulgado nesta segunda-feira (26). Com menos chuva, o Sul e parte de Mato Grosso do Sul recuperaram o ritmo perdido na semana anterior por excesso de umidade. No Cerrado, a melhora das chuvas impulsionou os trabalhos em parte de Mato Grosso, de Goiás e do Matopiba, mas algumas áreas ainda enfrentam chuva irregular e calor, segundo a consultoria.
Se o ritmo for mantido, Mato Grosso pode superar 80% da área semeada na última semana de outubro, segundo o Imea, citado pelo Canal Rural. Faltam 4,19 pontos percentuais para essa marca, cerca de 547 mil hectares. Para o instituto, o avanço favorece o planejamento do milho segunda safra de 2027, com a perspectiva de que a maior parte da área seja implantada dentro da janela ideal.
Atraso de setembro ficou para trás
A largada foi lenta. O plantio começou na segunda quinzena de setembro, mas andou abaixo do ritmo considerado ideal nas três primeiras semanas por falta de chuva e baixa umidade do solo, segundo o Imea. Em 2 de outubro, o estado tinha só 10,23% da área semeada; uma semana depois, 33,28%; em 16 de outubro, 51,86%, pela série do instituto.
O Médio-Norte praticamente terminou: tem 96,60% da área semeada, ante 84,50% um ano antes. O Oeste está em 86,78%, contra 67,10% em 2025; o Norte, em 78,70%, ante 72,34%; e o Centro-Sul, em 67,35%, contra 57,16%. Os maiores ganhos sobre a safra passada estão no leste do estado. O Nordeste mato-grossense chegou a 63,08%, quase o dobro dos 33,24% de um ano antes, e o Sudeste, que costuma plantar mais tarde, foi a 59,04%, ante 36,35%.
Só o Noroeste está atrás do ano passado. A região tem 64,71% da área semeada, 12,49 pontos percentuais abaixo dos 77,21% registrados na mesma data de 2025, embora tenha avançado 25,72 pontos na semana, segundo o Imea.
O plantio rápido não afasta o risco climático. O Imea trabalha com produtividade de 62,44 sacas por hectare em Mato Grosso, abaixo das 66,03 sacas da safra 2025/26, e produção de 48,88 milhões de toneladas, por causa dos riscos associados ao El Niño.
MS e GO à espera de novos números
Em Mato Grosso do Sul, o dado oficial mais recente ainda é o da semana anterior. Como mostrou o Campo em Pauta, o projeto Siga-MS, da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja-MS), apontava 32% da área semeada até 16 de outubro, cerca de 1,56 milhão de hectares e 1,1 ponto à frente da safra passada, com a semeadura interrompida boa parte daquela semana pelo solo encharcado. O sul do estado tinha 39,7%; o centro, 21%; e o norte, 18,7%. A AgRural relata que a trégua na chuva permitiu acelerar os trabalhos em parte do estado na semana passada. A associação costuma divulgar o boletim semanal às terças-feiras.
Em Goiás, o último acompanhamento estadual da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados até 16 de outubro, mostrava 26% da área semeada, acima dos 5% de 2025 e da média de 19,4%. No Sudoeste goiano, o avanço é maior: na área de atuação da Cooperativa Comigo, com sede em Rio Verde, o plantio chegou a 50% dos 2,4 milhões de hectares previstos até 14 de outubro, segundo a Safras & Mercado. Em Montividiu, eram 90% dos 180 mil hectares; em Jataí, 70% dos 300 mil; em Mineiros, 65% dos 200 mil; e em Rio Verde, 60% dos 450 mil hectares.
Milho verão adiantado
O milho de verão também anda à frente. Até a sexta-feira, o plantio da safra 2026/27 no Centro-Sul chegou a 68,8% dos 3,561 milhões de hectares previstos, ante 62,4% um ano antes e média de 63,2% em cinco anos, segundo a Safras & Mercado. A AgRural, com outra metodologia, aponta 58% até quinta, ante 48% uma semana antes e 55% em 2025.
No Centro-Oeste, onde o milho é sobretudo de segunda safra, plantado depois da soja, a área de verão é pequena, mas acelerou. Goiás e o Distrito Federal têm 16,2% dos 282 mil hectares previstos, cerca de 45,7 mil hectares, ante 1,9% uma semana antes. Mato Grosso do Sul chegou a 14,7% dos 24 mil hectares, e Mato Grosso, a 10,3% dos 10 mil hectares, segundo a Safras.
Com a lavoura no chão mais cedo, a conta passa a ser o preço. Com custo de produção mais alto e a perspectiva de produtividade menor por causa do El Niño, o produtor deve focar especialmente no valor de venda da produção, segundo o Imea.
Com informações de Imea (Relatório da Semeadura de Soja em Mato Grosso, safra 2026/27, até 23/10), Imea (indicadores da soja, semeadura e estimativas), Imea (Boletim Semanal da Soja nº 919), AgRural (release de 26/10/2026), CNN Brasil (AgRural), CNN Brasil (Imea), Canal Rural (Imea), Safras & Mercado (milho verão), Safras & Mercado (Comigo), Campo Grande News (Siga-MS), Aprosoja-MS (Circular Casa Rural nº 683) e Conab (Progresso de safra, 12/10 a 18/10/26).



