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Lagarta-da-espiga salta de 10% para 70% das lavouras de milho de MS; lagarta-do-cartucho chega a 94%

Levantamento da Aprosoja-MS na safra 2025/26 registra alta incidência em 24 municípios, enquanto a cigarrinha recua de 41% para 14%. O milho safrinha de 2027 depende da soja que está sendo plantada agora, e a Conab já prevê 9,5% menos produtividade no estado; em Mato Grosso, o gasto com defensivos subiu 23,4%, a R$ 910 por hectare.

Por Redação Campo em Pauta ·

Lagarta verde com listras escuras sobre uma espiga de milho com grãos claros, cercada por restos marrons de grãos roídos
Lagarta-da-espiga sobre espiga de milho, na Geórgia (EUA), em 2012. Foto: Sarah/Flickr (CC BY 2.0)

A lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) passou de 10% para 70% das propriedades de Mato Grosso do Sul com incidência média ou alta nas lavouras de milho, entre as safras 2024/25 e 2025/26, segundo o boletim Casa Rural - Agricultura da Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja-MS), divulgado pelo Campo Grande News nesta quinta-feira (22). A alta incidência foi registrada em 24 municípios, com destaque para Bela Vista, Campo Grande, Dois Irmãos do Buriti e Terenos. A praga ataca diretamente a espiga, danifica os grãos e abre caminho para microrganismos que causam podridão.

O salto é confirmado pelo levantamento anterior da mesma entidade. Na circular nº 634, de novembro de 2025, que fechou a safra 2024/25 com visitas a 702 propriedades e 610 mil hectares, a Aprosoja-MS havia registrado a lagarta-da-espiga com incidência baixa em 39% das propriedades, média em 8% e alta em 2%, ausente em 51% delas, e considerava a situação “sob controle no estado”. Agora, a parcela com incidência média ou alta é sete vezes maior.

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) cresceu ainda mais: a incidência média ou alta passou de 17% para 94% das propriedades, com alta incidência em 47 municípios, entre eles Alcinópolis, Bela Vista, Camapuã e Campo Grande. Segundo o boletim, o aumento é compatível com o clima úmido e quente entre fevereiro e junho e com a perda de eficiência das tecnologias Bt contra a espécie. No caso da lagarta-da-espiga, o documento também questiona a eficiência das proteínas Bt e lembra que, por atacar a espiga, a praga escapa das pulverizações, o que exige atenção na fase reprodutiva do milho.

Nem tudo piorou. A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), que a Aprosoja-MS chamava em 2025 de “principal praga” do milho no estado por transmitir os enfezamentos vermelho e pálido, capazes de reduzir a produção em até 70%, recuou de 41% para 14% das propriedades com incidência média ou alta, e o boletim a considera sob controle. O percevejo-barriga-verde ficou estável, de 34% para 33%, com alta incidência em oito municípios, como Deodápolis, Dois Irmãos do Buriti, Rio Brilhante e Sidrolândia. Entre as plantas daninhas, o capim-pé-de-galinha subiu de 23% para 31% das propriedades e o capim-vassourinha, de 13% para 24%; a buva ficou em 5%.

Safra recorde apesar das pragas

O avanço das lagartas não impediu o melhor resultado da série do projeto SIGA-MS. Pelo levantamento final divulgado pela Aprosoja-MS na quarta-feira (21), Mato Grosso do Sul colheu 16,23 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, 16,5% mais do que os 13,93 milhões de 2024/25, em 2,348 milhões de hectares, com produtividade média de 115,21 sacas por hectare, ante 108,42 sacas no ciclo anterior. Maracaju liderou, com 2,55 milhões de toneladas em 323.822 hectares, seguida por Ponta Porã, Sidrolândia e Dourados; juntos, os quatro municípios responderam por 43% da produção estadual.

A Conab, no primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado em outubro, projeta para o milho segunda safra de Mato Grosso do Sul 2,17 milhões de hectares, 2% a mais, mas produtividade de 5.960 quilos por hectare, 9,5% abaixo da anterior, e produção de 12,92 milhões de toneladas, queda de 7,7%. A conta da estatal é diferente da do SIGA-MS, mas aponta na mesma direção: mais área e um rendimento que volta à média, sem o clima excepcional do último ciclo.

Controle mais caro

Para o produtor, cada ponto de incidência vira pulverização. Não há levantamento público do custo de controle da lagarta-da-espiga em Mato Grosso do Sul, mas o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estimou, em agosto, que os defensivos do milho 2026/27 em Mato Grosso custam R$ 910,23 por hectare, alta de 23,37% sobre a safra anterior, a maior entre os insumos, segundo o Projeto Custo de Produção Agropecuário MT, divulgado pela Revista Cultivar. O custeio total chegou a R$ 3.780,59 por hectare, 13,89% a mais, e o custo total, a R$ 7.378,56. Defensivos, sementes e fertilizantes respondem por 87,53% do custeio.

Na safra passada, segundo a circular nº 634, 90% dos produtores de milho ouvidos em Mato Grosso do Sul disseram adotar o manejo integrado de pragas, e 43% das propriedades, ou 220, usavam controle biológico, em 98% dos casos em toda a área; 373 propriedades (57%) não usavam. O levantamento também registra as cultivares de refúgio, exigidas para preservar a tecnologia Bt. Na classificação da entidade, a incidência é “alta” quando há mais de sete plantas danificadas por metro ou mais de sete insetos por pano de batida; “média”, entre quatro e seis; “baixa”, de uma a três.

O que fazer agora, na soja

O milho safrinha de 2027 começa na soja que está no chão. Pelo calendário da Conab, a segunda safra é plantada entre janeiro e meados de abril, e quanto mais cedo a soja for colhida, mais o milho escapa do fim das chuvas. A Aprosoja-MS mediu o plantio da soja em menos de um terço da área até o dia 16, como mostrou o Campo em Pauta na quarta-feira (21), com semeadura paralisada pela umidade do solo e pragas iniciais, como caramujo, vaquinha e cascudinho, nas regiões Oeste, Sudoeste e Sul-Fronteira. A entidade projeta 4,874 milhões de hectares de soja no estado, 5,5% a mais, com produtividade de 52,4 sacas por hectare, 13,2% menor, e avisa que o trimestre de outubro a dezembro ficará sob um El Niño “de intensidade muito forte”, com calor, ondas de calor e tempestades.

O que o boletim recomenda, em resumo, é fazer na soja o que o milho vai cobrar depois: monitorar as lagartas desde a soja, para chegar ao milho com o histórico de cada talhão; respeitar o refúgio das cultivares Bt, já que a eficiência das proteínas contra as duas lagartas está em queda; e preparar o controle da espiga para o momento certo, na fase reprodutiva, quando a pulverização ainda alcança a praga. Para o produtor de Mato Grosso do Sul, o custo de errar aparece na conta do Imea: defensivos mais caros e um milho que, pela projeção da Conab, já começa 2027 rendendo menos.

Com informações de Campo Grande News (boletim Casa Rural - Agricultura, Aprosoja-MS), Aprosoja-MS (Circular Casa Rural nº 634, produtividade e pragas do milho 2ª safra 2024/25), Aprosoja-MS (SIGA-MS, levantamento final do milho 2025/26), Aprosoja-MS (plantio da soja, 21/10), Aprosoja-MS (Circular Casa Rural nº 683), Conab (1º levantamento da safra 2026/27, planilha por produto, abas Milho 2a e Soja), Conab (boletim do 1º levantamento da safra 2026/27, calendário do milho 2ª safra) e Revista Cultivar (Imea, custo do milho 2026/27 em MT).

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