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MS cria grupo para dar destino a agrotóxico apreendido; só o DOF recolheu 30,3 t de defensivos ilegais em 2025

Deliberação publicada na quinta-feira prevê cobrar do infrator todo o custo da eliminação. No 1º semestre de 2026, o DOF apreendeu mais 6,5 toneladas e 1,4 mil litros de produtos contrabandeados.

Por Redação Campo em Pauta ·

Três fiscais de uniforme verde com a inscrição Ibama examinam pilhas de caixas de papelão em um galpão de paredes de tijolo; em primeiro plano, sacos brancos empilhados.
Fiscais do Ibama vistoriam depósito de agrotóxicos durante a Operação Deméter, no oeste da Bahia, em 2018. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama (CC BY 2.0)

Mato Grosso do Sul vai montar um grupo de trabalho para decidir o que fazer com os agrotóxicos apreendidos no estado. A Deliberação nº 1/2026 do Conselho Estadual de Agrotóxicos (CEA), assinada na quarta-feira (21) e publicada no Diário Oficial na quinta-feira (22), cita "o aumento das apreensões de agrotóxicos irregulares" e a necessidade de fluxos "claros, seguros e céleres" para dar destino a esses produtos. A criação do grupo foi aprovada pelo conselho em reunião de 25 de agosto.

O grupo terá de levantar o volume apreendido, os locais onde os produtos estão guardados e os gargalos logísticos ou financeiros que travam a eliminação. Também vai propor regras para cumprir o artigo da lei estadual de 2004 que dá ao conselho o poder de decidir o destino dos produtos apreendidos, com a cobrança integral do custo de eliminação ao infrator, e um plano conjunto para recolher, transportar e destruir as cargas.

A medida vale para agrotóxicos, componentes e afins retidos por órgãos de fiscalização ou de segurança pública, registrados ou não, inclusive os contrabandeados, falsificados e adulterados. Integram o grupo a Semadesc, a Iagro, a Superintendência Federal de Agricultura em MS, o Crea-MS, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). Polícia Federal, PRF, Receita Federal, Ibama, Sejusp e CropLife Brasil podem ser convidados. A reunião de instalação deve ser convocada em até 30 dias, e o grupo tem um ano, prorrogável por mais um, para entregar o relatório.

O tamanho das apreensões

A deliberação não traz números, e o levantamento do volume guardado é justamente uma das tarefas do grupo. Os balanços das polícias mostram o salto recente. O Departamento de Operações de Fronteira (DOF), do governo estadual, apreendeu 30,3 toneladas e 4,1 mil litros de defensivos agrícolas em 2025, alta de mais de 350% sobre 2024, segundo dados do departamento divulgados em dezembro. No mesmo ano, a unidade recolheu 741 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai.

No primeiro semestre de 2026, o DOF apreendeu 6,5 toneladas e 1,4 mil litros de defensivos contrabandeados, pouco mais de um quinto do peso de todo o ano passado, segundo o governo do estado. Nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal registrou 4,4 toneladas de agrotóxicos apreendidos em Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2025, de acordo com o balanço da superintendência do órgão no estado.

Os casos chegam à Justiça. Em sentença divulgada em setembro, a 2ª Vara Federal de Ponta Porã condenou três homens pelo transporte de 3,4 mil litros de paraquate, herbicida proibido no Brasil, apreendidos na MS-164, perto da fronteira com o Paraguai. A carga viajava com nota fiscal falsa, como se fosse fertilizante. As penas vão de três anos e seis meses a quatro anos e seis meses de reclusão.

A destruição exige estrutura própria. Em março de 2023, o Ministério da Agricultura informou que 215 toneladas de agrotóxicos contrabandeados haviam sido apreendidas e destruídas em Mato Grosso do Sul desde 2020, a maior parte em operações do programa Vigifronteira. A incineração é feita em câmaras com temperatura acima de 800 °C por empresas registrantes, em parceria com a CropLife Brasil.

Risco para a lavoura

O assunto também está no centro de um seminário que a Iagro realiza desde segunda-feira (19) e encerra nesta sexta-feira (23), em Campo Grande, com o Ministério da Agricultura, a PRF, a CropLife, a Andav e o inpEV, para treinar fiscais a reconhecer agrotóxicos ilegais, sementes clandestinas e fraudes em documentos de transporte, com exercícios de fiscalização em rodovias.

Na abertura, o secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto, disse que o contrabando ameaça o que o produtor construiu. "Mato Grosso do Sul construiu uma base agropecuária importante, com investimentos e trabalho dos produtores rurais, e todo esse esforço pode ser colocado em risco pelo contrabando de insumos", afirmou. Ele lembrou que o estado tem mais de 800 quilômetros de fronteira seca.

Melotto citou o risco para a sanidade das lavouras, com o exemplo da citricultura, que cresce no estado e depende do controle do psilídeo, inseto que transmite o greening. "Se o produtor utiliza um produto falsificado acreditando que está controlando o psilídeo, mas o produto não tem eficácia, podemos comprometer todo o trabalho de prevenção ao greening", disse.

O governo estadual afirma que a fiscalização integrada busca também "condições mais justas de concorrência para quem atua legalmente na agropecuária". A Iagro recomenda comprar apenas em revendas credenciadas, exigir nota fiscal, conferir o registro do produto na Iagro e no Ministério da Agricultura e denunciar comércio clandestino ou transporte irregular.

Para o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, o produtor também é vítima, porque há casos em que embalagens e notas aparentemente regulares escondem produtos sem os ingredientes ativos do rótulo. "Ele compra um produto acreditando que está adquirindo um insumo legítimo, mas, na realidade, pode estar levando para a propriedade algo que não vai resolver o problema", afirmou.

Com informações de Diário Oficial de MS (Deliberação CEA nº 001/2026, edição n. 12.312), Campo Grande News, Agência de Notícias do Governo de MS (balanço do DOF no 1º semestre de 2026), Campo Grande News (balanço do DOF em 2025), Correio do Estado (balanço da PRF em MS no 1º semestre de 2025), Campo Grande News (condenação por paraquate), Notícias Agrícolas (nota do Mapa, março de 2023), Agência de Notícias do Governo de MS (seminário, 21/10) e Agência de Notícias do Governo de MS (seminário, 16/10).

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