Conab prevê safra recorde de 367,1 milhões de t em 2026/27; MT e MS devem colher menos, e Goiás cresce 7,8%
Centro-Oeste fica estável em 181,7 milhões de t, quase metade dos grãos do país; Imea e Aprosoja-MS veem queda maior que a da Conab na soja de MT e MS.

O Brasil deve colher 367,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, um novo recorde, segundo o primeiro levantamento da temporada divulgado nesta quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume é 1,4% maior que o do ciclo 2025/26, ou 4,9 milhões de toneladas a mais. A área plantada deve crescer 2,3%, para 85,4 milhões de hectares.
O Centro-Oeste segue responsável por quase metade dos grãos do país, mas fica praticamente estável: 181,7 milhões de toneladas, alta de 0,3%. A Conab projeta queda de produção em Mato Grosso, de 1,1%, para 114,2 milhões de toneladas, e em Mato Grosso do Sul, de 2,4%, para 30,6 milhões. Nos dois estados, a área cresce, mas a produtividade estimada é menor. Goiás vai na direção contrária e deve colher 35,9 milhões de toneladas, 7,8% a mais. O Distrito Federal fica em 952,1 mil toneladas, alta de 0,7%.
As entidades ligadas aos produtores dos dois maiores estados do Centro-Oeste são mais pessimistas que a Conab na soja. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), da Famato, manteve em outubro a projeção de 48,88 milhões de toneladas para Mato Grosso, 5,2% abaixo da safra anterior. A Conab estima 50,9 milhões. Em Mato Grosso do Sul, o projeto Siga-MS, da Aprosoja-MS, prevê 15,3 milhões de toneladas, queda de 8,4%, enquanto a Conab vê 15,9 milhões, alta de 1%.
Soja estável, milho em alta
Para a soja, a Conab prevê 181,6 milhões de toneladas no país, 0,7% acima da safra passada, em 49,3 milhões de hectares (+1,4%). A produtividade média estimada cai 0,8%, para 3.683 quilos por hectare. Segundo a companhia, a expansão de área se concentra no Norte e no Nordeste, com destaque para Rondônia, Tocantins, Piauí e Maranhão. No Centro-Oeste e no Sul, a área fica perto da estabilidade, porque a cautela nos investimentos e as incertezas com o El Niño limitam novos aumentos.
“Temos no Centro-oeste e no Sul uma expectativa de estabilidade de área diante das condições de mercado e das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño”, afirmou o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, segundo a Globo Rural.
O milho, somadas as três safras, deve chegar a 148 milhões de toneladas, alta de 2,4%, em 23,7 milhões de hectares (+4,9%). O maior avanço é o da primeira safra, de verão: a área cresce 10,7%, para 4,54 milhões de hectares, e a produção sobe 8,9%, para 32,1 milhões de toneladas. A Conab atribui o movimento à demanda das usinas de etanol de milho e à melhor rentabilidade frente a outras culturas. A segunda safra, plantada a partir de janeiro, é estimada em 113,3 milhões de toneladas (+0,4%). No balanço da companhia, o consumo interno de milho sobe para 104,8 milhões de toneladas, ante 98,3 milhões em 2025/26.
O arroz deve recuar 2,9%, para 10,8 milhões de toneladas, com produtividade menor. O algodão terá 3,7% mais área, 2,09 milhões de hectares, e produção de pluma estável, em 4,16 milhões de toneladas. Para o trigo de 2026, ainda em colheita, a estimativa é de 5,7 milhões de toneladas, 27,2% a menos que no ano anterior.
Estado a estado no Centro-Oeste
- Mato Grosso: soja em 13,08 milhões de hectares (+0,6%) e 50,9 milhões de toneladas (-1,4%). O milho segunda safra ocupa 7,89 milhões de hectares (+4,6%) e deve render 57 milhões de toneladas (-1,6%). O milho de verão cresce 36,6%, para 99,3 mil hectares. Segundo a Conab, é provável uma redução no pacote tecnológico das lavouras de soja, por causa das condições de compra de insumos e da maior cautela nos investimentos.
- Mato Grosso do Sul: soja em 4,45 milhões de hectares (+1,8%) e 15,9 milhões de toneladas (+1%). O milho segunda safra fica em 2,17 milhões de hectares (+2%), mas a produção estimada cai 7,7%, para 12,9 milhões de toneladas, com produtividade 9,5% menor. A Conab vê redução da soja em municípios do sul, do sudeste e do nordeste do estado, onde parte da área de solos arenosos migra para mandioca, eucalipto, amendoim e cana.
- Goiás: soja em 5,2 milhões de hectares (+0,9%) e 20,3 milhões de toneladas (+0,8%), com leve expansão em Cristalina e recuo em São João d’Aliança, onde a soja dá lugar ao milho. O milho de verão cresce 26,2%, para 188 mil hectares, puxado pelas novas usinas de etanol de milho. O milho segunda safra deve render 10,4 milhões de toneladas, 18,4% a mais, com recuperação da produtividade.
- Distrito Federal: soja em 90,8 mil hectares e 366,7 mil toneladas (+1,2%); milho em 408,7 mil toneladas. Os produtores esperam a regularização das chuvas e devem semear 30% da área em outubro, 60% em novembro e 10% em dezembro.
A Conab ressalta que o primeiro levantamento usa modelos estatísticos e climáticos, sensoriamento remoto e dados de campo, e que os números serão revisados a cada mês, conforme o plantio avança.
Do lado do produtor, a safra cheia não significa caixa folgado. Em carta enviada aos candidatos à Presidência, a Aprosoja Brasil e 16 associações estaduais lembraram que a soja 2025/26 bateu recorde de 180,4 milhões de toneladas enquanto a inadimplência no crédito rural chegou a 9,7% em agosto, segundo a CNN Brasil. A entidade pede previsibilidade plurianual no orçamento do seguro rural, um fundo garantidor para o crédito rural e prazos de renegociação compatíveis com o ciclo da atividade.
Com informações de Conab (1º levantamento da safra de grãos 2026/27), Conab (tabelas por produto e UF, outubro de 2026), Globo Rural, CNN Brasil, Mais Soja, Canal Rural (Imea), Aprosoja-MS (Circular 682/2026) e CNN Brasil (carta da Aprosoja).



