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Quem é Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária cotado para a Agricultura se Flávio vencer

Deputado do Paraná, 43 anos, comanda a bancada do agro desde 2023, relatou a nova lei do seguro rural e conduziu na Câmara projetos que punem invasores de terra.

Por Redação Campo em Pauta ·

Pedro Lupion, de terno cinza e camisa branca, fala ao microfone sentado a uma mesa com a placa 'Deputado Pedro Lupion'
Pedro Lupion na Assembleia Legislativa do Paraná, em março de 2017, quando era deputado estadual. Foto: Pedro de Oliveira/Alep (Domínio público)

Pedro Lupion é deputado federal pelo Paraná, filiado ao Republicanos, e preside desde fevereiro de 2023 a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a bancada do agro no Congresso, registrada com a assinatura de 300 deputados e 41 senadores. Aos 43 anos, foi reeleito em 4 de outubro para o terceiro mandato seguido na Câmara, com 109.874 votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O nome dele ganhou evidência nesta semana porque, segundo reportagem do Estadão/Broadcast Agro publicada nesta terça-feira (13), a FPA deve indicá-lo para o Ministério da Agricultura caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o 2º turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. Flávio já confirmou à frente que a escolha do ministro caberá a ela, como em 2018, quando a bancada levou Tereza Cristina ao governo de Jair Bolsonaro.

  • Nome civil: Pedro Deboni Lupion Mello
  • Nascimento: 4 de junho de 1983, em Curitiba (PR), 43 anos
  • Partido: Republicanos, desde outubro de 2025 (antes, DEM, União Brasil e PP)
  • Mandatos: deputado estadual no Paraná (2011–2019) e deputado federal desde 2019; reeleito para 2027–2031
  • Cargo: presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, com mandato até fevereiro de 2027
  • Formação: Publicidade e Propaganda e mestrado em ação política, em Madri

O que Pedro Lupion fez pelo produtor

A principal lei recente com o nome dele é a do seguro rural. Lupion foi o relator na Câmara do projeto da senadora Tereza Cristina (PP-MS), aprovado pelos deputados em 27 de maio de 2026 e transformado na Lei 15.526, publicada no Diário Oficial em 30 de setembro, com três vetos. A lei torna obrigatória, sem contingenciamento, a subvenção ao prêmio do seguro dentro dos limites do Orçamento, regulamenta o Fundo Catástrofe, previsto desde 2010, permite usar a apólice como garantia no crédito rural e fixa prazo de até 30 dias para o pagamento de indenizações.

A mudança responde a uma queixa antiga do campo: o dinheiro da subvenção é cortado ano após ano, e a proteção encolhe. Segundo levantamento do Brasil 61 com dados do Ministério da Agricultura, a área com seguro subvencionado caiu para 3,2 milhões de hectares em 2025.

Em 2022, Lupion relatou a Medida Provisória 1.104, que virou a Lei 14.421. A norma permitiu usar o Fundo Garantidor Solidário em qualquer operação financeira da atividade rural, inclusive títulos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), e liberou a assinatura eletrônica da CPR, hoje um dos principais instrumentos de financiamento privado do setor.

Na Comissão de Agricultura, também relatou o PL 8.676/2017, do Senado, que cria regras para prorrogar e recompor dívidas de crédito rural. O parecer foi aprovado em dezembro de 2025, e o texto está na Comissão de Finanças e Tributação.

O que Pedro Lupion defende

O eixo da atuação de Lupion é o direito de propriedade. Ele relatou o PL 709/2023, do deputado Marcos Pollon (PL-MS), aprovado pela Câmara em maio de 2024 por 336 votos a 120, que proíbe por oito anos quem for condenado por invasão de propriedade de receber programas e benefícios federais, como lotes da reforma agrária e crédito rural. Também relatou o PL 4.357/2023, de Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Zucco (PL-RS), aprovado em novembro de 2025 por 287 a 113, que restringe a desapropriação para reforma agrária a imóveis improdutivos. Os dois aguardam o Senado.

Na disputa sobre terras indígenas, defendeu o marco temporal. Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a tese, em setembro de 2023, disse que a Corte "usurpou" atribuições do Legislativo. "Ninguém diz o que temos que legislar", afirmou ao Poder360. Entre os projetos de autoria própria está um que define regras para demarcações.

No crédito, o foco é o custo do dinheiro e as dívidas. Em 6 de outubro, segundo a CNN Brasil, Lupion disse que o produtor enfrenta juros reais acima de 20%, que a medida provisória de renegociação de dívidas do governo Lula alcançou menos de 12% dos produtores e que as 144 emendas da FPA ao texto foram rejeitadas.

Outra frente é a regulação. Lupion apresentou propostas para sustar a portaria do Ministério da Agricultura que criou o Programa Nacional de Rastreabilidade de Agrotóxicos e, com outros nove deputados, resoluções do Conselho Monetário Nacional que impõem condicionantes ambientais ao crédito rural. Propôs ainda ampliar o conceito de uso insignificante da água na atividade agropecuária. Um projeto dele aprovado pela Câmara em maio de 2026 e enviado ao Senado determina que normas que afetem espécies de interesse produtivo dependam de análise econômica e de manifestação prévia vinculante do Ministério da Agricultura. Fora do agro, apresentou propostas para sustar trechos de decretos do governo Lula sobre armas de fogo.

De onde vem Pedro Lupion

Lupion nasceu em Curitiba e é filho de Abelardo Luiz Lupion Mello e de Denise Lupion Mello, segundo a biografia oficial da Câmara. O pai, Abelardo Lupion, foi deputado federal pelo Paraná entre 1992 e 2015, pelo PRN, PFL e DEM, presidiu a Comissão de Agricultura da Câmara e comandou o DEM no Paraná de 2002 a 2011. Moysés Lupion, avô de Abelardo e bisavô de Pedro, governou o Paraná de 1947 a 1951 e de 1956 a 1961 e foi senador. Em 1964, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos pelo Ato Institucional nº 1, de acordo com o registro da Câmara.

Pedro Lupion formou-se em Publicidade e Propaganda pela UniBrasil, em Curitiba, e fez mestrado em ação política na Universidad Rey Juan Carlos e na Universidad Francisco de Vitoria, em Madri, entre 2007 e 2008. Na Câmara, declara as profissões de agropecuarista, empresário, publicitário e cientista político.

Cumpriu dois mandatos de deputado estadual no Paraná pelo DEM, de 2011 a 2019. Já na Câmara, foi vice-líder do governo no Congresso Nacional de março de 2019 a janeiro de 2023, durante a gestão de Jair Bolsonaro, e integrou a comissão externa que revisou o Manual de Crédito Rural. Eleito pelo DEM, passou ao União Brasil com a fusão do partido, em fevereiro de 2022, e ao PP no mês seguinte. Em 29 de outubro de 2025, filiou-se ao Republicanos e assumiu o comando do partido no Paraná.

Na FPA, assumiu a presidência em fevereiro de 2023, no lugar do deputado Sérgio Souza (MDB-PR). Em 3 de dezembro de 2024, depois de uma mudança no estatuto que permitiu a recondução, foi reeleito por unanimidade até fevereiro de 2027, com Tereza Cristina como vice-presidente no Senado, segundo o Canal Rural.

Quantos votos Pedro Lupion teve

Segundo o TSE, a votação de Lupion para a Câmara cresceu de 2018 para 2022 e se manteve em 2026. Em 2018, pelo DEM, teve 92.300 votos. Em 2022, pelo PP, foram 109.043. Em 2026, pelo Republicanos, somou 109.874 votos, 1,76% dos válidos, e foi o 11º candidato a deputado federal mais votado do Paraná, que elege 30. A base eleitoral fica no norte do estado: em 2022, as cidades que mais lhe deram votos foram Arapongas, com 14.066, e Santo Antônio da Platina, com 9.282.

O embate com o governo e a esquerda

Os projetos sobre propriedade que Lupion relatou enfrentaram a oposição da base do governo. No debate do PL 709/2023, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) chamou o texto de inconstitucional, e Patrus Ananias (PT-MG) argumentou que a punição atinge toda a família do condenado, segundo a Agência Câmara. No PL 4.357/2023, Chico Alencar (PSOL-RJ) e Nilto Tatto (PT-SP) disseram que a proposta dificulta a reforma agrária.

Lupion respondeu que "o que motiva a invasão de propriedade neste País é a certeza da impunidade" e que "reforma agrária séria, aquela que o país deseja, não é inimiga do agronegócio, mas é a ele complementar".

Pedro Lupion e Flávio Bolsonaro

Em outubro de 2025, ao entrar no Republicanos, Lupion chamou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de "candidato excepcional" à Presidência, segundo o Poder360. Com Flávio na disputa, passou a apoiá-lo: em abril, durante a Agrishow, já declarava o voto no senador, de acordo com a CNN Brasil. Em 6 de outubro, depois do 1º turno, a FPA formalizou o apoio a Flávio, que na mesma reunião confirmou que a bancada poderá indicar o ministro da Agricultura, segundo a Gazeta do Paraná.

Lupion defende que o próximo governo volte a reunir toda a área agrícola numa só pasta. "Não existem duas agriculturas no Brasil, não existem dois tipos de agricultores no Brasil", disse ao Estadão/Broadcast em 8 de outubro. Sobre a própria indicação, afirmou que o assunto fica para depois da eleição.

Com informações de Câmara dos Deputados (dados abertos: deputado, histórico, órgãos e mandatos externos), Câmara dos Deputados (biografia de Pedro Lupion), Câmara dos Deputados (biografia de Abelardo Lupion), Câmara dos Deputados (registro da Frente Parlamentar da Agropecuária), Câmara dos Deputados (proposições de autoria), TSE (resultado oficial de deputado federal no PR, 2026), TSE (dados abertos, votação por município e zona, 2022), TSE (dados abertos, votação por município e zona, 2018), Câmara dos Deputados (tramitação do PL 2.951/2024, seguro rural), Agência Câmara, Câmara dos Deputados (tramitação do PL 8.676/2017, dívidas rurais), Câmara dos Deputados (tramitação do PL 5.900/2025), Brasil 61, Notícias Agrícolas, Canal Rural, Poder360, CNN Brasil, Gazeta do Paraná, Estadão/Broadcast Agro e Estadão/Broadcast.

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