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Chuva de quinta fica em até 6,4 mm no sul de MS; alerta laranja desta sexta cobre 1,15 milhão de ha de soja

Rio Pardo cai abaixo da cota de estiagem, e o Dourados baixa 2,41 metros desde domingo. Os modelos agora jogam a chuva para o fim de semana, com até 64,5 mm em Aral Moreira até domingo.

Por Redação Campo em Pauta ·

Vista aérea de pulverizador autopropelido laranja com a barra aberta lançando névoa sobre lavoura de milho verde; em primeiro plano, uma palmeira e vegetação iluminadas pelo sol baixo.
Pulverizador em lavoura de milho em Maracaju (MS), em abril de 2018. Foto: Marcos Roberto Rojas (CC BY-SA 4.0)

O temporal previsto para a quinta-feira (22) quase não molhou o sul de Mato Grosso do Sul. Pelas estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da rede estadual do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), consultadas pelo Campo em Pauta entre as 9h de quinta e a 0h desta sexta-feira (23), no horário de Brasília, a maior marca entre as estações da região foi de 6,4 milímetros em Iguatemi, seguida de 3,6 mm em Aral Moreira, onde uma rajada chegou a 82,8 km/h por volta do meio-dia, e 0,8 mm em Juti. Dourados teve 0,2 mm, e Caarapó, Ponta Porã e Laguna Carapã não registraram chuva.

Com isso, a região chega ao alerta laranja desta sexta depois de quase uma semana seca: desde a manhã de sexta-feira (16), nenhuma dessas estações somou mais de 6,4 mm. Antes, nos sete dias até a manhã de quinta-feira (15), Juti havia acumulado 215 mm, Iguatemi, 201,8 mm, e Dourados, 146,6 mm. Pelas contas do Campo em Pauta, a estação de Dourados soma 277,4 mm desde 1º de outubro.

Foi naquela semana que o plantio parou. Segundo o projeto Siga-MS, da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), a semeadura ficou paralisada em grande parte da semana pela umidade alta do solo e só foi retomada perto do fim de semana. Até a sexta-feira (16), 32% da área estava plantada no estado, como mostrou o Campo em Pauta, e 39,7% no sul. O levantamento registrou rompimento de curvas de nível, enxurradas e início de erosão, principalmente em solos arenosos e mistos. “Esse processo pode remover partículas da camada superficial, onde se concentra boa parte dos nutrientes e da matéria orgânica”, afirmou o analista técnico da entidade Lucas Santana, em informativo sobre o excesso de chuva.

Rios em queda

Sem chuva, os rios baixaram rápido. Pela telemetria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o rio Dourados, na estação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) na cidade, marcava 1,95 metro na última leitura da noite de quinta-feira, 2,41 metros abaixo do pico de 4,36 m da noite de domingo (18), quando passava da cota de alerta, de 4 metros. O rio Pardo, na estação Fazenda Buriti, caiu de 6,14 m na madrugada de terça-feira (20) para 5,23 m, abaixo da cota de estiagem de 5,30 m usada pelo Imasul, e a vazão recuou 23%.

Para a lavoura, a semana seca teve dois lados. Abriu espaço para as máquinas, com máximas de até 35,4 °C em Dourados na quarta-feira (21), mas é também o cenário em que a Aprosoja/MS pede atenção ao selamento superficial: a chuva forte desagrega o solo, as partículas entopem os poros e, ao secar, formam uma crosta que pode dificultar a emergência da soja. A entidade orienta avaliar o estande antes de decidir por replantio. O próximo boletim do Siga-MS vai mostrar quanto a semana seca rendeu no plantio.

Alerta laranja nesta sexta

O Inmet manteve para esta sexta o aviso laranja de tempestade, de perigo, para 19 municípios do sul do estado, com 50 a 100 mm no dia, ventos de 60 a 100 km/h, granizo e risco de estragos em plantações, e o amarelo, de perigo potencial, para os 79 municípios. Na quinta, o instituto havia ampliado o aviso laranja de 14 para 19 municípios, com a inclusão de Caarapó, Laguna Carapã, Aral Moreira, Juti e Coronel Sapucaia. O aviso amarelo segue no sábado (24), para 57 municípios sul-mato-grossenses, e no domingo (25), dia do segundo turno, para os 79.

Pelas contas do Campo em Pauta com a tabela municipal do Siga-MS, os 19 municípios do aviso laranja somam 1,15 milhão de hectares de soja previstos para a safra 2026/27, 23,6% dos 4,87 milhões de hectares do estado. Os cinco incluídos na quinta respondem por 467,8 mil hectares, com Caarapó (133 mil), Aral Moreira (131,3 mil) e Laguna Carapã (122,6 mil) entre os maiores produtores do sul. Na quarta-feira (21), a área de soja sob alerta laranja era de 680,6 mil hectares.

Os modelos de previsão mudaram de novo e agora jogam a chuva para o fim de semana. Nas rodadas mais recentes, consultadas pelo Campo em Pauta na madrugada desta sexta, o modelo europeu (ECMWF) prevê de 0,1 mm a 6,8 mm para esta sexta nas cidades do sul analisadas, e o americano (GFS), até 10,8 mm. Somada a chuva até domingo, o europeu indica 38,8 mm em Dourados, 53,6 mm em Caarapó, 51,1 mm em Laguna Carapã e 64,5 mm em Aral Moreira, e o americano fica entre 12,4 mm e 17,6 mm nessas quatro cidades. Na divisa com o Paraná, o europeu reduziu a previsão de sexta a domingo em Sete Quedas de 82,2 mm, na rodada de quinta, para 31,8 mm.

Mato Grosso e Goiás

Em Mato Grosso, a quinta-feira teve aviso de tempestade para 64 municípios, mas pouca chuva nas regiões produtoras: até a 0h desta sexta, a estação do Inmet em Sorriso registrou 2,2 mm, a de Sapezal, 0,2 mm, e as de Lucas do Rio Verde, Nova Ubiratã e Rondonópolis, nada. Em Goiás, choveu 15,8 mm em Itumbiara e 14,4 mm em Cristalina, mas só 0,8 mm em Rio Verde. Desde a manhã de sexta-feira (16), Sorriso soma 22 mm, e Rio Verde, 2,4 mm. Para esta sexta, o aviso amarelo cobre 46 municípios goianos, como Rio Verde, Jataí e Mineiros, e 6 mato-grossenses.

O calor ficou abaixo do previsto. Em Rondonópolis, para onde o Inmet previa 42 °C na quarta-feira, a estação marcou 39 °C naquele dia e 39,2 °C na quinta. Em Corumbá (MS), a previsão para quarta era de 44 °C, e a estação do Inmet registrou 37,2 °C.

Para a Aprosoja/MS, o momento pede cautela no planejamento das operações. A orientação da entidade é evitar a entrada de máquinas em solo encharcado, para não compactar a área, verificar sinais de erosão, crosta e falhas na emergência depois de cada chuva forte e manter a palhada e as práticas de conservação, como terraços e curvas de nível, que reduzem a enxurrada capaz de levar solo, adubo e semente das lavouras.

Com informações de Inmet – dados das estações automáticas (Inmet e Semadesc/Cemtec), Inmet – avisos meteorológicos ativos, ANA/Imasul (telemetria, estação Dourados 64608900), ANA (telemetria, estação Fazenda Buriti 63970000), Aprosoja/MS (Circular Siga-MS nº 683), Aprosoja/MS, Campo Grande News, Campo Grande News (boletim do Imasul), Campo Grande News (previsão do Inmet para quarta) e Open-Meteo (modelos ECMWF IFS e GFS).

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