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Alerta de temporal passa a cobrir os 79 municípios de MS na quinta e na sexta; chuva prevista em Dourados quadruplica

Frente fria derruba a mínima para 14 °C em Ponta Porã na segunda (26), segundo a Climatempo; em MT e GO, com o plantio de soja em 60,8% e 26%, a chuva só ganha força depois do dia 25.

Por Redação Campo em Pauta ·

Faixa espessa de nuvens cinza-escuras, em camadas horizontais, avança no horizonte sobre a superfície larga e calma de um rio, sob céu encoberto
Nuvens de uma frente fria sobre o rio Paraná, vistas da usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo, em maio de 2015. Foto: Jose Cicero Alves (CC BY-SA 4.0)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) ampliou nesta terça-feira (20) os avisos de tempestade para Mato Grosso do Sul e passou a incluir os 79 municípios do estado na quinta-feira (22) e na sexta-feira (23). Na segunda-feira (19), o aviso para quinta cobria 59 municípios. O alerta amarelo, de perigo potencial, prevê de 20 a 30 milímetros por hora ou até 50 mm no dia, ventos de 40 a 60 km/h, granizo e “baixo risco de estragos em plantações”. Na quinta, o aviso também alcança 70 municípios de Mato Grosso, como Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sapezal e Tangará da Serra, e 15 do sudoeste de Goiás, como Mineiros, Chapadão do Céu, Quirinópolis e Itumbiara.

A chuva começa pelo sul. Na quarta-feira (21), o aviso vale a partir das 15h para 28 municípios do sul e do sudoeste de MS, como Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Amambai e Caarapó. No sábado (24), seguem sob alerta 50 municípios, entre eles Campo Grande, Maracaju, Sidrolândia, Rio Brilhante e Três Lagoas. Segundo o Inmet, um centro de baixa pressão que se forma entre o norte da Argentina, o oeste do Paraguai e o sul da Bolívia vai puxar ar quente e úmido para o centro-sul do país. A Climatempo prevê que o sistema se intensifique a partir de quinta e espalhe pancadas pelo Sudeste e pelo Centro-Oeste, com “preocupação com eventos de chuva intensa” em São Paulo e em Mato Grosso do Sul.

Modelos se aproximam

Os dois principais modelos globais de previsão passaram a concordar mais sobre o volume no sul do estado. Na rodada desta terça, consultada pelo Campo em Pauta, o modelo do Centro Europeu (ECMWF) prevê 53,8 mm em Dourados até domingo (25), quatro vezes os 13 mm que indicava na segunda-feira. O americano GFS mantém 86 mm. Em Ponta Porã, os modelos vão de 36,8 mm a 118,7 mm; em Naviraí, de 48 mm a 101,2 mm; em Maracaju, de 32,9 mm a 65,2 mm; e em Campo Grande, de 38,2 mm a 71,1 mm. Somada a chuva até quinta-feira (29), Dourados chega a 114 mm no europeu e a 180 mm no americano. No norte do estado, a chuva é pouca: Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste ficam abaixo de 12 mm até domingo nos dois modelos.

A previsão por cidade do Inmet indica pancadas de chuva com trovoadas de quinta a sábado em Dourados, Ponta Porã e Maracaju, com calor antes da chuva: as máximas chegam a 36 °C em Dourados e Maracaju na sexta. Até quarta, o tempo segue firme na maior parte do estado, o que deixa ao produtor do sul de MS dois dias de janela para plantar e pulverizar antes dos temporais.

Frente fria derruba a mínima

Depois da chuva, uma frente fria baixa a temperatura no sul do estado. Segundo a Climatempo, em previsão publicada pelo Canal Rural, a mínima deve cair até 9 °C em dois dias em Aral Moreira, Ponta Porã e Dourados. Em Aral Moreira e Ponta Porã, ela passa de 23 °C no sábado para 14 °C na segunda-feira (26); em Dourados, de 25 °C para 16 °C. Antônio João e Amambai devem ter 14 °C e 15 °C. Nenhuma das fontes consultadas prevê geada em MS: os modelos ECMWF e GFS indicam mínimas de 14 °C a 16 °C em Dourados e de 12 °C a 14 °C em Ponta Porã na segunda. Para a Climatempo, quedas bruscas aumentam o risco de estresse térmico em animais, sobretudo em recém-nascidos, e podem desacelerar o desenvolvimento das lavouras.

A geada desta semana ficou no Sul. Na segunda-feira, a estação do Inmet em Bom Jardim da Serra (SC) registrou -0,5 °C, e 12 estações bateram o recorde de mínima para outubro, como General Carneiro (PR), com 0,2 °C. Em Campo Grande, a mínima foi de 15,1 °C.

O que muda para a soja

Em Mato Grosso do Sul, a chuva cai sobre lavouras que já sofrem com o excesso de água. O plantio de soja chegou a 28% da área, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ante 25% na semana anterior. A Aprosoja/MS relatou selamento superficial do solo na região Centro e erosão com arraste de solo e sementes no Sudeste, o que vai exigir replantio em algumas áreas. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, Dourados recebeu 459,2 mm, segundo a entidade, que orienta o produtor a evitar a entrada de máquinas em solo encharcado.

Em Mato Grosso e Goiás, a semana ainda é de pouca chuva e muito calor. Até domingo, o ECMWF prevê 2,1 mm em Sorriso, 2,8 mm em Sinop, 1,8 mm em Primavera do Leste, 6,5 mm em Rio Verde e 2,9 mm em Jataí, e o GFS não passa de 12 mm em nenhuma dessas cidades. O Inmet prevê máxima de 40 °C em Sorriso no sábado. Mesmo assim, o plantio avançou: segundo a Conab, Mato Grosso chegou a 60,8% da área semeada, e Goiás, a 26%, ante 7% uma semana antes. No país, a semeadura passou de 15,6% para 30,1%, acima dos 21,4% do mesmo período de 2025.

A virada vem depois do dia 25. Pela Climatempo, as chuvas ganham força entre 25 e 29 de outubro e aumentam na virada do mês, com acumulados de 70 a 80 mm em áreas de Goiás e Mato Grosso; em Sinop, podem passar de 100 mm em 30 dias. O agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, prevê que a frente fria chegue ao centro-norte do país nos dias 26 e 27, mas com chuva ainda irregular no Matopiba até o fim do mês. No ECMWF, a chuva somada até quinta-feira (29) sobe para 39,6 mm em Sorriso, 64,2 mm em Primavera do Leste, 68,3 mm em Campo Novo do Parecis e 60,3 mm em Rio Verde.

Para a Aprosoja/MS, o quadro lembra a safra 2015/2016, também sob um El Niño muito forte, quando as chuvas ajudaram no início da semeadura, mas o excesso de água trouxe dificuldades para os produtores do sul do estado. “Quando o solo fica saturado, a capacidade de infiltração de água diminui, favorecendo o escoamento superficial e a ocorrência de erosão”, afirmou o analista técnico da entidade, Lucas Santana. “Além disso, a enxurrada pode transportar fertilizantes e sementes, comprometendo o investimento realizado pelo produtor.”

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