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Alerta laranja de temporal cobre todo GO, DF e 103 cidades de MT; NOAA vê 83% de chance de El Niño recorde

Sul de MS sai do aviso laranja e terá mínimas de 11 °C no domingo, enquanto o norte de MT chega a 36 °C; Pacífico tem a 2ª maior anomalia de setembro desde 1950.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rodovia asfaltada faz curva em direção a um morro, sob céu fechado por nuvens escuras de chuva, com vegetação de cerrado nas margens
Nuvens de chuva sobre o Morro da Baleia, na estrada entre São Jorge e Alto Paraíso de Goiás (GO), na Chapada dos Veadeiros, em 2016. Foto: Ricardo Henrique Pires de Sousa (CC BY-SA 4.0)

Goiás, o Distrito Federal e a maior parte de Mato Grosso estão sob alerta laranja de tempestade nesta quinta-feira (15). O aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) cobre os 246 municípios goianos, o DF, 103 das 142 cidades mato-grossenses e 41 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Quase todo o restante da região está em aviso amarelo, de perigo potencial; só uma cidade de Mato Grosso fica de fora.

O alerta laranja indica chuva de 30 a 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros no dia, ventos de 60 a 100 km/h e queda de granizo, com risco de corte de energia, queda de árvores e estragos em plantações. Segundo o Inmet, as pancadas ganham força por causa de uma área de baixa pressão no litoral do Sudeste, que deve dar origem a um ciclone extratropical na sexta-feira (16). A Climatempo prevê rajadas de até 70 km/h no nordeste de Mato Grosso e em Goiás, segundo o Canal Rural.

Em Mato Grosso do Sul, que na quarta tinha alerta laranja em todo o território, o aviso mais grave agora fica no norte, no centro e no leste, incluindo Campo Grande, Três Lagoas, Chapadão do Sul, Coxim e Corumbá. O sul do estado, de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Naviraí, passou para o aviso amarelo. A entrada de uma massa de ar mais seco e frio deve diminuir a chuva no sul e no sudoeste do estado a partir da noite, segundo o Inmet.

No Pantanal, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu aviso de evento crítico para o município de Miranda. O Rio Miranda chegou a 680 centímetros na tarde de quarta-feira (14), perto da cota de emergência, de 700 centímetros, considerada nível de inundação. Na segunda-feira (12), a régua marcava 595 centímetros. Segundo o Imasul, a água já avança sobre instalações próximas ao rio.

Fim de semana tem chuva em MT e GO e frio no sul de MS

Na sexta-feira, o aviso amarelo continua em 127 cidades de Mato Grosso, em todo o estado de Goiás, no DF e em 22 municípios de Mato Grosso do Sul, a maioria no norte e no leste do estado. O alerta laranja se concentra em 86 cidades do sul e do sudoeste goiano, como Rio Verde, Jataí, Mineiros, Itumbiara e Catalão, além de Paranaíba (MS). No sábado (17) e no domingo (18), o aviso amarelo segue em cerca de 65 cidades do norte e do leste mato-grossense, como Sinop, Sorriso, Querência e Nova Xavantina, em mais de 150 municípios de Goiás e no DF. Mato Grosso do Sul não tem aviso para o fim de semana.

A previsão do Inmet por cidade mostra o contraste. Em Dourados (MS), a mínima cai a 11 °C no domingo e na segunda-feira (19), e Campo Grande não passa de 25 °C até segunda. No norte de Mato Grosso, o calor volta: Sorriso tem máxima de 35 °C na sexta e no domingo e de 36 °C na segunda, quando Cuiabá deve chegar a 34 °C.

Para o plantio da soja, o Inmet avalia que a chuva da semana ajuda, mas de forma desigual. Em Mato Grosso, o modelo do instituto prevê de 20 a 60 milímetros entre 14 e 21 de outubro, com os maiores volumes no sudoeste e no noroeste. O norte e o leste do estado ainda têm as menores reservas de água no solo, e temperaturas médias de 26 °C a 30 °C aumentam a perda de umidade. O instituto recomenda cautela nas áreas com menos chuva, para evitar falhas na germinação.

Em Goiás e no DF, a previsão é de 10 a 40 milímetros no período, mais no leste e no sul goiano, com a água disponível no solo entre 20% e 50% da capacidade e abaixo de 15% no norte de Goiás. Segundo o Inmet, chuvas isoladas em áreas de solo seco e calor podem fazer a semente germinar sem garantir a emergência, o que deixa o estande desuniforme. Em Mato Grosso do Sul, o solo segue úmido, e o risco é outro: a chuva frequente pode interromper as operações com máquinas.

El Niño ganha força

No Pacífico, o El Niño segue se intensificando. Segundo o Inmet, a anomalia de temperatura do mar na região do Niño 3.4, referência para medir o fenômeno, foi de +2,08 °C em setembro, a segunda maior para o mês desde 1950, atrás apenas de setembro de 1997 (+2,15 °C). Na medição semanal de outubro, o índice já chegou a +2,4 °C. Na região Niño 3, mais perto da costa da América do Sul, a anomalia de +3,4 °C é a segunda maior da série semanal iniciada em 1981.

O Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, agência americana de oceanos e atmosfera, prevê um El Niño de forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027. No boletim de 8 de outubro, o órgão calculou em 83% a chance de o evento superar todos os registrados desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro. Em setembro, segundo o Inmet, a NOAA estimava 75%. O próximo boletim mensal sai em 12 de novembro.

A escala do fenômeno já preocupa outros países do continente. Um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), citado pelo jornal argentino La Nación, aponta risco de enchentes no norte da Argentina e projeta alta mais forte no preço do trigo duro, seguida pelo milho, enquanto a soja poderia ter queda. A própria Cepal admite grau considerável de incerteza nas projeções.

Para o Centro-Oeste, as projeções do Inmet indicam maior chance de chuva abaixo da média em partes de Mato Grosso e no norte de Goiás e acima da média em áreas de Mato Grosso do Sul, com temperaturas acima do normal em grande parte do país.

Com informações de Inmet (avisos meteorológicos), Inmet (previsão para quinta e sexta), Inmet (soja no Centro-Oeste), Inmet (El Niño), NOAA/CPC (ENSO Diagnostic Discussion, 8/10/2026), NOAA/CPC (atualização semanal, 13/10/2026), Imasul/Agência de Notícias MS, Canal Rural e La Nación.

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