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Alerta laranja cobre todo MS nesta quarta; chuva passa de 440 mm em Naviraí e castiga estradas rurais

Inmet ampliou o aviso de tempestade para os 79 municípios; no sul do estado, prefeituras não conseguem patrolar estradas, assentamento ficou sem luz e o plantio da soja avança aos trancos.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rodovia de asfalto passa sob pórtico azul e verde com placas de boas-vindas e de distâncias, sob céu carregado de nuvens
Pórtico de entrada de Amambai (MS), na rodovia MS-156, sob céu nublado, em 2010. Entre 8 e 12 de outubro, a estação do Inmet em Amambai registrou 111,8 milímetros de chuva. Foto: Elias S. Castro (CC BY 3.0)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estendeu nesta quarta-feira (14) o aviso laranja de tempestade, de perigo, aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Na véspera, o alerta para esta quarta valia para 54 cidades. O aviso vai até as 23h59 e prevê chuva de 30 a 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros no dia, ventos de 60 a 100 km/h e granizo, com risco de corte de energia, queda de árvores, alagamentos e estragos em plantações.

O laranja também cobre 56 municípios de Mato Grosso, como Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Verde e Tangará da Serra, e 33 do sul e do sudoeste de Goiás, entre eles Rio Verde, Jataí, Mineiros e Montividiu.

No sul de Mato Grosso do Sul, a chuva que cai quase todos os dias desde o início do mês já deixou marcas no campo. Segundo dados da Embrapa Agropecuária Oeste citados pelo Campo Grande News, Naviraí acumula mais de 440 milímetros desde 1º de outubro, Dourados se aproxima de 230 milímetros e Ivinhema passa de 210 milímetros. Em Dourados, o volume dos primeiros 14 dias já supera a média histórica do mês inteiro, de cerca de 148 milímetros. Em todo o mês de setembro, Naviraí havia recebido 101 milímetros, segundo boletim da Embrapa.

As estações do Inmet confirmam a concentração no sul do estado. Entre 8 e 12 de outubro, os totais destacados pelo instituto no Centro-Oeste foram os de Amambai, com 111,8 milímetros, Ivinhema, com 83,4 milímetros, e Dourados, com 76,4 milímetros.

Estradas sem patrola e assentamento sem luz

Naviraí tem cerca de mil quilômetros de estradas vicinais sob responsabilidade da prefeitura, usadas para levar insumos e máquinas às lavouras em pleno plantio. Com o solo encharcado, as máquinas não conseguem tirar cascalho nem patrolar sem piorar o estrago. “Todos os dias praticamente está chovendo. Se não está chovendo, está garoando”, disse ao Campo Grande News o gerente de Obras do município, Fabiano Costa.

Segundo ele, a prefeitura precisa de pelo menos dois ou três dias de sol para retomar os serviços e vai priorizar os trechos de escoamento da produção, os acessos às áreas de plantio e as rotas do ônibus escolar. A estrada da represa da Fazenda Girassol corre risco de romper: a lateral da pista já começou a desbarrancar.

Em Ponta Porã, a queda de um poste deixou o Assentamento Dorcelina Folador sem energia desde as 3h de terça-feira (13), por mais de 24 horas, segundo moradores ouvidos pelo Campo Grande News. As famílias perderam ovos com o desligamento das chocadeiras e alimentos perecíveis, e um morador acamado depende de aparelho de oxigênio. A Energisa informou ao site que as equipes trabalham na ocorrência. Em Sidrolândia, moradores registraram ventania por volta das 5h30 desta quarta e, logo depois, granizo.

Plantio avança, mas com freio

Mesmo com a chuva, a soja ganhou área. Pelo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul tinha 25% da área semeada até 9 de outubro, ante 15% na semana anterior, 14% no mesmo período de 2025 e 21,8% na média de cinco anos. Segundo a Conab, a semeadura avança, mas está limitada pelas chuvas, e não há problemas nos talhões já implantados; no norte do estado, a chuva ajuda a recompor a umidade do solo.

O projeto Siga-MS, da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), aponta 26,6% da área plantada até 9 de outubro, com o sul à frente, em 35,7%. A entidade alerta que o excesso de chuva em pouco tempo pode provocar o selamento superficial do solo, uma crosta que dificulta a emergência das plantas. Pelo boletim agroclimatológico do Inmet, a água armazenada no solo do sul de Mato Grosso do Sul deve ficar acima de 60% da capacidade em outubro, o que favorece a semeadura, mas a sequência de chuvas pode restringir as operações e o tráfego de máquinas.

Para quinta-feira (15), o aviso laranja continua em 41 municípios do centro, do norte e do leste de Mato Grosso do Sul, como Campo Grande, Sidrolândia, Rio Brilhante, Chapadão do Sul, Costa Rica e Três Lagoas, e o restante do estado fica em amarelo. No sul, a chance de chuva diminui, e uma massa de ar frio derruba as temperaturas: em Campo Grande, a máxima não deve passar de 24 °C, segundo o Inmet.

“Para o produtor, o acompanhamento das condições de solo e das previsões climáticas continua sendo fundamental para definir o ritmo das operações e reduzir os riscos durante a implantação da lavoura”, afirmou o analista técnico da Aprosoja/MS Lucas Santana, ao divulgar o último balanço do Siga-MS.

Com informações de Inmet (avisos meteorológicos), Inmet (previsão para 14 e 15 de outubro), Inmet (Informativo Meteorológico nº 41/2026), Inmet (Boletim Agroclimatológico de outubro), Campo Grande News, Embrapa Agropecuária Oeste (Guia Clima), Conab (Acompanhamento das Lavouras, 5 a 11/10) e Aprosoja/MS.

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