Tornados atingem Chapecó e Xanxerê; cidades de SC em emergência criam 16% das aves e dos porcos do estado
Defesa Civil catarinense conta 23 municípios em emergência, 4.796 casas afetadas e uma morte. Em Maringá (PR), o Simepar classificou como F2 o tornado de segunda, com ventos de até 250 km/h, e no domingo o frio traz risco de geada a Xanxerê e Passo Fundo.

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou dois tornados no Oeste do estado na manhã de quarta-feira (4), um em Chapecó e outro em Xanxerê, formados entre 10h30 e 11h com o avanço de uma linha de instabilidade. Até a noite, segundo o balanço apresentado ao governador Jorginho Mello, 98 cidades tinham relatado danos e 23 haviam decretado situação de emergência, com 4.796 casas afetadas, 56 pessoas desabrigadas e 208 desalojadas. Uma morte foi confirmada em Rio Negrinho, no Planalto Norte. O estado já enviou quase R$ 2,9 milhões em telhas a nove prefeituras que pediram ajuda.
A lista de emergência cobre o coração da avicultura e da suinocultura catarinenses. Pelas contas do Campo em Pauta, que cruzou os 23 municípios com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025, do IBGE, eles criam 23,3 milhões de galináceos e 1,56 milhão de suínos, 16,3% e 16,7% dos rebanhos do estado. Rio das Antas tem 5,56 milhões de aves; Ipumirim, 2,59 milhões; Iporã do Oeste, 2,5 milhões de aves e 309,7 mil porcos. São Carlos e Palmitos somam quase 400 mil suínos. Em Iporã do Oeste, segundo o governo, o rompimento de cabos de energia causou danos ao setor agropecuário e às estradas municipais.
Xanxerê, que até a noite não constava da lista de emergência, foi o município mais atingido da região, com destelhamentos, árvores caídas, veículos tombados na BR-282 e a SC-480 obstruída. Os 14 municípios da Defesa Civil Regional de Xanxerê, todos com danos, criam 10,8 milhões de aves e 576,5 mil porcos, pela PPM. Em Vargeão, o vento destelhou casas e barracões agrícolas, segundo o balanço regional reproduzido pela rádio Chapecó FM.
Em Chapecó, o prefeito Valmor Scolari decretou emergência por 180 dias em todo o território. O decreto nº 52.988, citado pelo portal ND Mais, registra rajadas de 126,4 km/h, danos característicos de ventos rotacionais e 2.478 ocorrências nas áreas urbana e rural. Pelo governo do estado, cerca de 2.400 residências e indústrias perderam parte do telhado. O aeroporto Serafim Enoss Bertaso teve hangares e o saguão atingidos e fica fechado até sexta-feira (6), segundo a prefeitura.
A Celesc informou que 250 mil unidades consumidoras foram atingidas no estado e que 100 mil ainda esperavam religação na noite de quarta, sobretudo em Mondaí e Palmitos. "Em algumas regiões foram 10 postes, 15 postes quebrados. Nós temos que corrigir um por um", disse o presidente da empresa, Edson Moritz. As aulas da rede estadual estão suspensas também nesta quinta-feira (5).
Maringá teve tornado F2
No Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar) classificou na terça-feira (3) como tornado de categoria F2 na escala Fujita, que tem cinco níveis, o fenômeno que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira (2). A análise de campo, com drones e helicóptero, encontrou telhas arremessadas a mais de 1.300 metros e um rastro de cerca de 15 km a partir do sudoeste da cidade, com ventos estimados entre 180 km/h e 250 km/h.
O governador Ratinho Junior esteve em Maringá na quarta e anunciou R$ 175 milhões em crédito a empresas atingidas pelos temporais, R$ 100 milhões do BRDE, com juros subsidiados pelo estado, e R$ 75 milhões da Fomento Paraná. Até quarta, 862 árvores caídas tinham sido contadas na cidade, e 34 mil unidades seguiam sem luz, segundo a Copel. O boletim da Defesa Civil estadual soma 38 municípios com ocorrências desde domingo (1º); em Guaíra, no Oeste, foram 2.007 pessoas afetadas. "O El Niño será longo e, possivelmente, teremos esse cenário até março, de acordo com o Simepar", disse o governador.
Granizo no milho gaúcho
No Rio Grande do Sul, o granizo da tarde de terça-feira (3) caiu sobre lavouras do Alto Jacuí. A Defesa Civil estadual emitiu alerta de condição severa, com granizo grande e risco muito alto de destelhamento, perto de Mormaço, Espumoso e Tapera. Segundo a cooperativa Cotrisoja, entre Tapera e Espumoso o gelo ainda cobria o chão depois da tempestade, e foram atingidos trigo ainda não colhido, milho em desenvolvimento e soja em plantio. A Defesa Civil de Tapera mediu mais de 100 mm em dois episódios, segundo o Grupo Ceres, e em Espumoso duas pessoas ficaram feridas com a queda de uma árvore sobre um carro.
Em Vespasiano Corrêa, no Vale do Taquari, um produtor relatou ao Canal Rural a perda total da lavoura. "Perdemos tudo. Vamos perder essa safra, provavelmente mais uma, porque o estresse das plantas vai ser enorme", afirmou. O boletim da Defesa Civil gaúcha de quarta previa de 40 mm a 150 mm no dia no Noroeste e no Norte, com risco de tornado, e alertava que os rios Jacuí, Taquari e Uruguai podiam passar da cota de inundação.
Geada no domingo
A trégua é curta. Nesta quinta, uma área de alta pressão firma o tempo no Rio Grande do Sul, mas a Defesa Civil catarinense prevê nova frente fria a partir da noite de sexta, com temporais que podem se estender pelo fim de semana. Depois dela vem o ar polar: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem aviso de declínio de temperatura de 3 °C a 5 °C para 105 cidades gaúchas no sábado (7) e para 2.060 municípios no domingo (8), todos os do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Para domingo, o Inmet prevê mínima de 8 °C em Xanxerê e de 7 °C em Passo Fundo (RS), com possibilidade de geada nas duas cidades, e de 11 °C em Maringá, um dia depois de máxima de 30 °C. Segundo a meteorologia do Canal Rural, as serras gaúcha e catarinense podem chegar a 0 °C. A mesma previsão indica, entre os dias 9 e 13, uma alta pressão com dias seguidos de sol no Sul, janela que o canal vê para drenar o solo e voltar com as máquinas ao campo antes de a chuva ganhar força de novo, entre 15 e 19 de novembro.
Com informações de Governo de Santa Catarina (Secom), Defesa Civil de Santa Catarina, Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, IBGE/SIDRA, PPM 2025 (tabela 3939), Chapecó FM (Defesa Civil Regional de Xanxerê), ND Mais, Gazeta do Povo, Agência Estadual de Notícias do Paraná (Simepar), Agência Estadual de Notícias do Paraná, Defesa Civil do Rio Grande do Sul, Defesa Civil do Rio Grande do Sul (boletim hidrometeorológico), Cotrisoja, Grupo Ceres, Canal Rural, Giro do Boi (Canal Rural), Inmet (avisos meteorológicos), Inmet (previsão por município) e Inmet (previsão para quinta e sexta).





