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Alerta vermelho cobre 6,4 milhões de ha de soja no Sul nesta quarta; temporais já danificaram 350 casas no PR

Inmet põe toda Santa Catarina e outras 410 cidades do RS e do PR sob risco de ventos acima de 100 km/h antes de um ciclone extratropical. No sábado, o ar polar leva a mínima a 5 °C em Passo Fundo, enquanto Sorriso (MT) deve chegar a 40 °C.

Por Redação Campo em Pauta ·

Imagem de satélite mostra uma grande espiral de nuvens brancas sobre o sul do Brasil, o Uruguai e o leste da Argentina, com o oceano Atlântico escuro à direita.
Ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina, visto por satélite em setembro de 2023. Foto: NASA/Suomi NPP-VIIRS (domínio público)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou nesta terça-feira (3) um aviso vermelho de tempestade, de grande perigo, o nível mais alto da escala, para a quarta-feira (4) em 705 municípios do Sul: todos os 295 de Santa Catarina, 332 do Rio Grande do Sul e 78 do Paraná. O instituto prevê chuva acima de 60 mm por hora ou de 100 mm no dia, ventos acima de 100 km/h e granizo, com grande risco de danos em edificações, estragos em plantações, queda de árvores, corte de energia, alagamentos e transtornos nas rodovias. Pelas contas do Campo em Pauta, que cruzou a lista com a Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2025, do IBGE, essas cidades colheram 6,42 milhões de hectares de soja, 47,7% da área dos três estados.

No Rio Grande do Sul, o vermelho alcança 4,34 milhões de hectares, 64% da soja gaúcha; em Santa Catarina, os 826 mil hectares do estado; no Paraná, 1,25 milhão, 21,3% da área, no sul do estado. Um aviso laranja, de perigo, cobre na quarta todos os 1.191 municípios dos três estados, além de 151 de São Paulo e 46 de Mato Grosso do Sul, com chuva de 50 a 100 mm no dia e ventos de até 100 km/h.

Segundo a Climatempo, citada pela Globo Rural, a chuva vem da combinação de uma área de baixa pressão sobre o Paraguai, do transporte de calor e umidade pelo jato de baixos níveis e de um cavado que intensifica as nuvens. A empresa vê risco extremo de chuva no oeste, noroeste e norte do Rio Grande do Sul e no extremo oeste catarinense. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) prevê para a quarta possibilidade de supercélulas na metade sul do Paraná e, na quinta-feira (5), a formação de um ciclone extratropical na costa do Sul, com uma nova frente fria que leva os temporais para o norte do estado.

Paraná já conta os estragos

O ciclone chega a um Paraná que ainda recolhe os estragos do fim de semana. Pelo levantamento preliminar da Defesa Civil Estadual, até o fim da manhã de segunda-feira (2), feriado de Finados, 17 municípios tinham registrado ocorrências com os temporais de domingo (1º) e segunda: 1.277 pessoas afetadas, nove desalojadas, 350 casas danificadas e uma destruída. Em Maringá, a estação do Inmet marcou rajada de 96,8 km/h às 3h30 de segunda, segundo o Simepar; em Altônia, o vento chegou a 109,1 km/h. O prefeito de Maringá, Silvio Barros, anunciou decreto de calamidade pública, e a prefeitura contou 363 quedas de árvores e mais de 600 famílias atendidas com lonas.

Em Marquinho, no Centro-Sul, o granizo da tarde de domingo afetou 1.080 pessoas e danificou 270 casas, segundo a Defesa Civil. A Band relatou que as comunidades rurais de Pedra Branca, Terra Boa, Gleba Nove e Guampará estão entre as mais atingidas e que cerca de 2,4 mil unidades, 99% do município, ficaram sem luz, segundo a Copel. O Simepar registrou granizo também em Bandeirantes, Cantagalo, São Mateus do Sul, Medianeira, Umuarama, Ibiporã e Jandaia do Sul, e acumulados de 65,2 mm em Palotina e 62,8 mm em Cianorte entre 0h e 8h de segunda.

A chuva cai sobre um estado que saiu de um outubro fora da curva. Pelo balanço do Simepar divulgado na segunda, todas as estações com registro completo tiveram chuva acima da média no mês, com recordes em São Miguel do Iguaçu, Laranjeiras do Sul e Ponta Grossa. Na quinta-feira (29), o Departamento de Economia Rural (Deral) estimou a safra paranaense de trigo em 1,9 milhão de toneladas, 34% abaixo das 2,88 milhões de 2025, e disse que as chuvas frequentes na colheita comprometeram também a qualidade do cereal. Pela previsão publicada pelo Canal Rural, o Sul pode acumular até 150 mm em cinco dias, e a chuva persistente pode atrasar os trabalhos nas lavouras.

Frio no Sul, 40 °C em Mato Grosso

Depois do ciclone, o ar polar derruba as temperaturas. A previsão do Inmet para o sábado (7) indica mínima de 5 °C e máxima de 19 °C em Passo Fundo (RS), mínima de 7 °C em Chapecó (SC) e em Cascavel (PR) e de 12 °C em Maringá. Pela previsão do Canal Rural, as mínimas podem ficar abaixo de 5 °C no fim de semana e se aproximar de 0 °C nas áreas mais altas.

No médio-norte de Mato Grosso, o calor segue. O Inmet prevê para Sorriso máxima de 37 °C na quarta, 39 °C na sexta-feira (6) e 40 °C no sábado, 21 °C acima da máxima prevista para Passo Fundo no mesmo dia. Pela Climatempo, Brasnorte deve chegar a 36 °C na quarta, 5,9 °C acima da normal de 30,1 °C. Ainda assim, o aviso amarelo de tempestade de quarta inclui 78 municípios mato-grossenses, entre eles Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde, com 8,14 milhões de hectares de soja, 63,6% da área do estado, e 205 de Goiás, com 4,08 milhões de hectares.

No boletim para a semana de 3 a 10 de novembro, o Inmet prevê de 40 mm a 80 mm no Sul até o dia 10, com núcleos de 80 mm a 100 mm no centro e no oeste gaúchos e acima de 100 mm em pontos do sul do Paraná. Pela previsão do Canal Rural, uma área de alta pressão deve melhorar as condições para o trabalho no campo no Centro-Sul entre os dias 9 e 13, e Mato Grosso deve receber pelo menos 100 mm em cinco dias na virada para a segunda quinzena de novembro.

Com informações de Inmet (avisos meteorológicos), Inmet (previsão por município), Inmet (previsão da semana), IBGE/SIDRA, PAM 2025 (tabela 5457), Defesa Civil do Paraná, Agência Estadual de Notícias do Paraná (Simepar), Agência Estadual de Notícias do Paraná (Deral), Band, Band B, CNN Brasil, Globo Rural e Canal Rural.

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