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Clima

Inmet prevê 40 °C em Cáceres no Finados e 41 °C na terça; consultoria vê chuva irregular em MT até dezembro

Máxima da cidade fica 7 °C acima da normal, e Sorriso e Confresa devem chegar a 39 °C. No Pacífico, a água perto da costa do Peru está 5,2 °C mais quente que o normal, e a Aneel aponta risco de queimadas perto de linhas de transmissão no Centro-Oeste.

Por Redação Campo em Pauta ·

Campo de solo vermelho e seco, preparado para o plantio, sob céu limpo
Área preparada para o plantio de soja em Mato Grosso do Sul, em setembro de 2011. Foto: James Martins (CC BY 3.0)

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) atualizada nesta sexta-feira (30) indica máxima de 40 °C em Cáceres (MT) na segunda-feira (2), feriado de Finados, e de 41 °C na terça-feira (3), com mínimas de 25 °C e 24 °C e previsão de chuva apenas isolada. A normal climatológica da temperatura máxima na cidade é de 34 °C, segundo a Climatempo: pelas contas do Campo em Pauta, a previsão de terça fica 7 °C acima dela. Na segunda, o Inmet prevê 39 °C em Sorriso e em Confresa, 38 °C em Santo Antônio do Leverger e 36 °C em Cuiabá.

O calor não fica no feriado. A Climatempo prevê, segundo o Canal Rural, três dias seguidos de máximas entre 37 °C e 39 °C em Confresa, São Félix do Araguaia e Cáceres, entre a quarta-feira (4) e a quinta-feira (5). Em Confresa, a máxima de 37 °C da quarta fica 5,7 °C acima da normal de 31,3 °C; em São Félix do Araguaia, os 38 °C superam em 5,5 °C a normal de 32,5 °C; em Cáceres, os 39 °C da quinta ficam 5 °C acima da normal. Máximas elevadas por dias seguidos estão associadas a estresse térmico nos animais, maior demanda por água e possíveis danos ao desenvolvimento das lavouras, segundo o canal.

Chuva some do norte

Para o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, Mato Grosso fica fora da rota da chuva nos próximos dias, mesmo com a frente fria que deixa o tempo instável na faixa central do país. “Boa parte do Matopiba, incluindo Pará e Mato Grosso, sem nada de chuvas”, disse ele à Agência Safras. Segundo Santos, a chuva só volta a essa região na segunda semana de novembro, depois do fim de semana dos dias 6 e 7.

O especialista atribui ao pico do El Niño uma tendência de tempo mais seco no fim de novembro e no início de dezembro nas regiões central e norte do país, com a chuva concentrada na Argentina, no Paraguai, no Sul, no sul e no leste de Mato Grosso do Sul, em São Paulo, em Minas Gerais e em partes de Goiás. “Matopiba, Mato Grosso e Pará também com poucas chuvas, voltando a querer chover em meados de dezembro”, afirmou. Ele pondera que não se trata de seca total: “Não é uma ausência, deixar bem claro, mas são chuvas um pouco mais irregulares”.

A previsão da Climatempo para novembro, publicada pelo Canal Rural, vai na mesma direção: acumulados ligeiramente abaixo da média em Mato Grosso, em grande parte de Goiás e no Distrito Federal, e acima da média em quase todo Mato Grosso do Sul e no sul e sudeste goiano. A empresa lembra que, em várias áreas do Centro-Oeste, a média histórica de novembro passa de 200 mm, de modo que pancadas frequentes ainda podem deixar o mês abaixo do normal. As temperaturas médias devem ficar acima do normal no centro e no norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. Em Mato Grosso do Sul, o risco é outro: nebulosidade e chuva prolongadas devem reduzir a radiação solar, o que pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, segundo a Climatempo, que vê ainda possibilidade de um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) até 10 de novembro.

Pacífico ainda esquentando

No Pacífico, o aquecimento se espalhou até a costa sul-americana. Pelos dados semanais do Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, a agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, a região Niño 1+2, junto ao litoral do Peru e do Equador, teve água a 26,3 °C na semana centrada em 21 de outubro, 5,2 °C acima do normal; a região Niño 3, no Pacífico leste, ficou 4,3 °C acima. Na média mensal de setembro, a anomalia na região Niño 3.4, referência para o fenômeno, foi de 2,84 °C pelo índice tradicional. Na análise mensal de 8 de outubro, a NOAA registrou temperaturas abaixo da superfície do Pacífico leste mais de 10 °C acima do normal; a agência marcou para 12 de novembro sua próxima análise mensal.

Pelos dois métodos de cálculo usados pela NOAA, o tradicional e o relativo, adotado neste ano, o evento já está na categoria muito forte, com anomalia acima de 2 °C, escreveu a meteorologista Jossana Ceolin Cera, do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em boletim publicado pelo portal Mais Soja. Ela lembra que eventos mais intensos nem sempre trazem impactos maiores, mas aumentam a probabilidade e a intensidade deles. Segundo a Climatempo, o pico deve vir em dezembro.

Conta de luz e linhas de transmissão

Na quinta-feira (29), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) lançou o relatório “O Fenômeno El Niño (2026-2027) e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”, baseado em seminário com concessionárias, órgãos de clima e defesa civil em agosto. Segundo a agência, os extremos do fenômeno combinam inundações e vendavais no Sul com estiagens, vazantes históricas nos rios da Amazônia e queimadas no Centro-Oeste e no Nordeste. Pelo relato do Campo Grande News, o documento cita perdas de milho safrinha no Centro-Oeste e o risco de desligamentos por queimadas perto de linhas de transmissão, além de pressão sobre a conta de luz quando a falta de água nas hidrelétricas obriga a ligar termelétricas, mais caras; o relatório não anuncia aumento de tarifa nem calcula perdas.

Pelo calendário da Aneel, a bandeira tarifária de novembro é anunciada nesta sexta-feira (30). Em Mato Grosso, onde a Climatempo considera comuns máximas perto de 40 °C nesta época do ano, Santos, da Rural Clima, espera que a chuva volte a se firmar só em meados de dezembro.

Com informações de Inmet (previsão por município), Canal Rural, Agência Safras, NOAA/CPC (dados semanais), NOAA/CPC (dados mensais), NOAA/CPC (discussão ENSO), Mais Soja (Irga), Aneel, Campo Grande News e Cenário Energia (calendário das bandeiras).

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