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Aviso de temporal desta quarta cobre todo MS; alerta laranja de quinta prevê até 100 mm em 160 cidades de GO

Aviso laranja do Inmet alcança 4,81 milhões de hectares de soja em GO, MT e MS, com ventos de até 100 km/h. No Arco Norte, o Tapajós em Itaituba está 81 cm abaixo de um ano atrás, enquanto o Madeira já é navegado com capacidade plena.

Por Redação Campo em Pauta ·

Nuvens escuras e carregadas cobrem o céu sobre uma planície com pastos, lavouras e matas, vista do alto de um morro com capim em primeiro plano
Nuvens de chuva sobre a planície vista do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), em janeiro de 2013. Foto: Silvana Kelly Akamine Oroides (CC BY-SA 3.0)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou às 9h10 desta quarta-feira (28) um novo aviso amarelo de tempestade, válido até as 23h59, que cobre os 79 municípios de Mato Grosso do Sul, os 246 de Goiás, 141 dos 142 de Mato Grosso e o Distrito Federal, além de áreas de outros 11 estados. Pelas contas do Campo em Pauta, que cruzou a lista do aviso com a área de soja de 2025 na Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, os municípios sob alerta nos três estados somam 21,94 milhões de hectares de soja, 99% da área regional. Só Boa Esperança do Norte (MT) ficou fora.

O alerta prevê chuva de 20 a 30 mm por hora ou até 50 mm no dia, ventos de 40 a 60 km/h e queda de granizo, com baixo risco de corte de energia, estragos em plantações, queda de galhos e alagamentos. A versão anterior para esta quarta, em vigor na segunda-feira (26), incluía só 30 municípios sul-mato-grossenses, no norte e no leste do estado; agora todo o estado entra no aviso.

Quinta tem alerta laranja

Para quinta-feira (29), o Inmet emitiu nesta quarta um aviso laranja, de perigo, para chuvas intensas, com 30 a 60 mm por hora ou de 50 a 100 mm no dia e ventos de 60 a 100 km/h, com risco de corte de energia, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas. Em Goiás, o aviso cobre 160 municípios do centro, do sul e do noroeste do estado, com 3,93 milhões de hectares de soja na PAM, entre eles Rio Verde, o maior produtor goiano, com 428,5 mil hectares, Jataí, com 324 mil, Caiapônia, Mineiros, Montividiu e Paraúna.

Em Mato Grosso, o laranja alcança 15 municípios do sudeste e do vale do Araguaia, como Alto Garças, Alto Taquari, Alto Araguaia, Guiratinga, General Carneiro, Barra do Garças e Nova Xavantina, com 633 mil hectares de soja. Em Mato Grosso do Sul, entram seis municípios do nordeste do estado: Chapadão do Sul, Costa Rica, Cassilândia, Paranaíba, Inocência e Aparecida do Taboado, com 256 mil hectares. Ao todo, o aviso de perigo de quinta-feira cobre 4,81 milhões de hectares de soja nos três estados. No restante da região, vale um aviso amarelo de chuvas intensas, que abrange 140 municípios mato-grossenses, todos os sul-mato-grossenses e 243 goianos.

Para sexta-feira (30), dia para o qual ainda não havia aviso na segunda, o instituto publicou dois alertas amarelos de chuvas intensas. Um cobre 209 municípios de Goiás, com 4,82 milhões de hectares de soja, o Distrito Federal, quatro municípios do vale do Araguaia em Mato Grosso e três do nordeste sul-mato-grossense. O outro, que cobre áreas do Sul e de São Paulo, inclui nove municípios do sul de Mato Grosso do Sul, como Naviraí, Itaquiraí, Iguatemi e Jateí, com 322 mil hectares de soja.

Pela previsão do Inmet, nesta quarta chove com trovoadas em praticamente todo o Centro-Oeste, com menos intensidade só no extremo sul de Mato Grosso do Sul, e as máximas recuam depois de dias de calor: 27 °C em Brasília e Campo Grande, 28 °C em Goiânia e 34 °C em Cuiabá. Na quinta, o dia será chuvoso no oeste e no sul de Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul e no oeste e no sul de Goiás, e a máxima em Cuiabá cai a 30 °C. A chuva vem de cavados atmosféricos que se estendem do Centro-Oeste ao interior do Sudeste, com muita umidade disponível; o modelo do instituto indica acumulados acima de 50 mm em 24 horas em áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Outubro termina instável, segundo a Climatempo, em previsão publicada pelo Canal Rural. Na sexta, a chuva fica mais localizada, mas ainda pode ser forte na região de Brasília, no sul de Goiás e no sudeste de Mato Grosso; no sábado (31), as pancadas seguem em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, e o norte e o leste de Mato Grosso do Sul podem ter chuva moderada a forte. A previsão agrometeorológica da Conab para a semana considera as condições, em geral, favoráveis à semeadura.

Rios do Arco Norte

No Norte, por onde sai parte da soja do Centro-Oeste, a situação dos rios varia. Segundo Edeon Vaz, diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon), em entrevista ao Canal Rural, o Madeira “voltou a ser normal, se navega com capacidade plena”, enquanto no Tapajós a baixa do nível limita a carga das embarcações. “Isso tudo é o verão amazônico. Não é só o El Niño”, disse. A preocupação do setor é a chegada de insumos ao Amazonas, concentrada em janeiro e fevereiro.

A telemetria da Agência Nacional de Águas (ANA), consultada pelo Campo em Pauta nesta quarta, confirma o quadro. Em Porto Velho, a régua do Madeira marcava 3,92 metros às 11h15; o rio chegou a 2,43 metros na média do dia 16 de outubro, subiu a 4,95 metros no dia 22 e agora desce, mas segue longe dos 67 centímetros de 28 de outubro de 2024, ano da seca histórica. No Tapajós, a régua de Itaituba, em frente às estações de transbordo de Miritituba, marcava 1,82 metro às 11h30, contra 2,63 metros na noite de 28 de outubro de 2025; o rio chegou a 1,65 metro na média do dia 21 e voltou a subir. Em Santarém, na foz do Tapajós, a régua estava em 1,36 metro, contra 2,52 metros um ano antes, e oscilou entre 1,35 metro e 1,45 metro na média diária da última semana. As réguas medem a cota local, não a profundidade do canal.

A previsão climática do Inmet para novembro, divulgada nesta quarta, indica chuva abaixo da média no Pará, no Tocantins, em Roraima, no leste de Rondônia e no norte e no sudoeste do Amazonas, e chuva perto ou acima da média na região do Madeira-Guaporé, em Rondônia. A Embrapa avisa que a baixa dos rios pode se intensificar entre o fim de 2026 e o início de 2027 e afetar navegação, transporte e abastecimento. Vaz conta com a volta da chuva para recompor os níveis até janeiro, mas diz que até lá a evolução dos rios vai definir o planejamento logístico e o abastecimento de insumos.

Com informações de Inmet (avisos ativos), Inmet (aviso de tempestade de 28/10, 9h10), Inmet (aviso amarelo de chuvas intensas de 29/10), Inmet (aviso laranja de chuvas intensas de 29/10), Inmet (avisos de chuvas intensas de 30/10), Inmet (aviso de chuvas intensas de 30/10, Sul e sul de MS), Inmet (previsão para quarta-feira 28 e quinta-feira 29), Inmet (Novembro: como será o clima no Brasil), IBGE (Produção Agrícola Municipal 2025, tabela 5457, soja), Canal Rural (Climatempo: outubro termina com chuva forte), Canal Rural (verão amazônico e logística da soja, Adecon), ANA (telemetria, Rio Madeira em Porto Velho, estação 15400000), ANA (telemetria, Rio Tapajós em Itaituba, estação 17730000), ANA (telemetria, Rio Tapajós em Santarém, estação 17900000), Conab (monitoramento semanal das condições das lavouras, 26/10) e Canal Rural (recomendações regionais da Embrapa para o El Niño).

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