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Mapa da Embrapa põe Dourados em 2º lugar entre 5.572 cidades a priorizar no monitoramento da água no campo

Estudo cruza adubo, rebanho e vinhaça por município e não mede contaminação; recomenda plantio direto, adubação ajustada e mata ciliar. Rio Miranda sobe mais de 5 metros em nove dias.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rio largo de água barrenta marrom entre margens com mata densa, com uma ponte ao fundo
Rio Miranda com água barrenta no município de Jardim (MS). Foto: Gustavo Siqueira (domínio público)

Um estudo da Embrapa que mapeou onde a agropecuária concentra potenciais fontes de poluição difusa da água coloca Dourados com a segunda maior pontuação entre os 5.572 municípios avaliados, atrás apenas de Rio Verde (GO). O trabalho não mede contaminação. Ele serve para indicar a governos e órgãos ambientais onde vale a pena ampliar o monitoramento da qualidade da água no meio rural.

A pesquisa foi publicada como Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 291 da Embrapa Solos e voltou a circular nesta semana. Os autores são Rachel Bardy Prado, Pedro Gerhard, Robson Barizon, Gustavo Bayma e Sandra Furlan Nogueira, da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), e Alexandre Ortega Gonçalves, da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro.

Poluição difusa é a que não sai de um cano, como o esgoto. Ela se forma quando a água da chuva escorre pelo terreno e leva sedimentos, adubo e resíduos até córregos e rios. O foco do estudo está no nitrogênio e no fósforo, que em excesso na água provocam a eutrofização, a proliferação de algas que compromete o uso da água.

Como o mapa foi feito

Os pesquisadores usaram bases públicas nacionais, com dados de 2020 a 2022: a entrega de fertilizantes por cultura e município, o número de cabeças de animais, a área de cana fertirrigada com vinhaça, o balanço hídrico das microbacias, da Agência Nacional de Águas (ANA), e a erodibilidade do solo. Cada indicador recebeu nota de 1 a 5, e as notas foram somadas em dois mapas: um só com as fontes de poluição e outro que acrescenta a vulnerabilidade às mudanças climáticas.

Pelo estudo, os municípios mais críticos estão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Matopiba. Na tabela publicada pela Embrapa, só seis municípios do país chegam a 10 pontos ou mais no primeiro mapa: Rio Verde (12), Dourados (11), Quirinópolis (GO), Mineiros (GO), Uberaba (MG) e Piracicaba (SP), com 10 cada. Dos 21 municípios com 9 pontos ou mais, 12 ficam no Centro-Oeste:

  • Mato Grosso do Sul: Dourados, Rio Brilhante e Sidrolândia.
  • Mato Grosso: Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Sorriso e Tapurah.
  • Goiás: Rio Verde, Quirinópolis, Mineiros, Jataí e Itumbiara.

Os autores fazem ressalvas. O rebanho foi contado em número absoluto de cabeças, sem ponderar a contribuição de cada espécie, porque não há dados brasileiros sobre o teor de nitrogênio nos dejetos de cada uma, e o manejo adotado nas propriedades não foi avaliado. O objetivo, segundo o texto, não foi classificar municípios ou produtores por sustentabilidade, mas apontar onde há mais fontes potenciais de poluição.

O estudo lembra que apenas cerca de 55% do nitrogênio aplicado nas lavouras é absorvido pelas plantas, segundo uma base de dados da FAO. O restante se perde, com prejuízo para o produtor e para o ambiente. Na cana, a vinhaça é usada em 79,5% da área irrigada do país, ou 2,9 milhões de hectares, segundo a ANA. Em volume excessivo, ela pode levar nutrientes para camadas profundas do solo e atingir o lençol freático. O sul de Mato Grosso do Sul aparece entre as áreas com mais cana fertirrigada.

O que o produtor pode fazer

Os pesquisadores listam práticas para reduzir as perdas, muitas delas já comuns no Centro-Oeste:

  • Rotação de culturas e Sistema Plantio Direto.
  • Adubação equilibrada e no momento certo, para evitar perdas por lixiviação ou volatilização.
  • Análise de solo e agricultura de precisão.
  • Uso de bioinsumos e microrganismos benéficos.
  • Cobertura vegetal do solo, plantio em nível e controle da erosão.
  • Manejo adequado de dejetos e chorume na pecuária.
  • Manutenção da vegetação nativa nas margens de rios e córregos.

Chuva enche o Rio Miranda

A relação entre chuva e o que chega aos rios ficou visível nesta terça-feira (13) no Rio Miranda. Segundo o Campo Grande News, a chuva na cabeceira, na Serra de Maracaju, aumentou o volume e a correnteza perto de Jardim, e um vídeo do guia Bruno Rauhut mostrou galhos e plantas arrastados pela água. O jornal descreve o material como natural; não há medição de qualidade da água divulgada para o episódio.

Rio abaixo, na estação telemétrica da ANA na cidade de Miranda, o nível do rio passou de 1,61 metro em 4 de outubro para 6,68 metros na noite desta terça, e a vazão subiu de cerca de 32 para 380 metros cúbicos por segundo, segundo dados preliminares da agência. Na tabela da Embrapa, Jardim e Bonito, na região da Serra da Bodoquena, aparecem com 4 e 5 pontos no primeiro mapa, contra 11 de Dourados.

Com informações de Embrapa Solos (Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 291), Embrapa/Redape (tabela de classificação dos municípios), ANA (estação telemétrica 66910000, Rio Miranda em Miranda-MS) e Campo Grande News.

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