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Venda de máquinas agrícolas cai 21,6% até setembro; AGCO estima queda de 38% nas colheitadeiras no Brasil

Abimaq diz que o “fundo do poço” ficou para trás, mas a venda de tratores ao produtor cai 32,5% em setembro. Importação de tratores chineses de 18 a 37 kW salta de 450 para 6.960 unidades, pelos dados do Comexstat.

Por Redação Campo em Pauta ·

Trator Massey Ferguson puxando uma plantadeira com sete caixas brancas de sementes sobre terra vermelha arada, sob céu nublado de fim de tarde
Trator e plantadeira no cultivo de milho em Monte Alegre de Sergipe (SE), em 2013. Foto: Alexandro Batista dos Santos (CC BY-SA 3.0)

A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas faturou R$ 41,47 bilhões de janeiro a setembro, 21,6% menos que no mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que divulgou os números na quarta-feira (28). Em setembro, a receita foi de R$ 5,17 bilhões, queda de 15,7% em um ano e alta de 8,2% sobre agosto. Nesta quinta-feira (29), a AGCO, dona das marcas Valtra, Massey Ferguson e Fendt, informou que as vendas de tratores no varejo brasileiro caíram 17% nos nove meses, e as de colheitadeiras, 38%, pelas estimativas da empresa.

Em unidades, o recuo continua forte. Segundo a Abimaq, 3.577 tratores foram vendidos ao usuário final em setembro, 32,5% menos que um ano antes, embora 7,6% acima de agosto. As vendas de colheitadeiras ao produtor somaram 213 unidades, alta de 90,2% sobre agosto e queda de 24,2% na comparação com setembro de 2025. As exportações do segmento cresceram 12,1% no ano, para US$ 1,31 bilhão.

Para o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, o pior já passou, e as vendas não devem cair mais. “A continuidade da queda se justifica pela baixa rentabilidade das principais culturas: soja, milho e cana”, disse, segundo a Globo Rural. A entidade mantém, desde abril, a projeção de queda de 20% em 2026 e não espera uma recuperação forte em 2027 por causa do endividamento rural. “A rentabilidade será melhor em 2027. Projetamos um ano sem queda ou até uma leve melhora”, afirmou. O risco, para ele, é o clima: “o imponderável El Niño é a nuvem negra no horizonte”.

O aperto vai além do campo. A receita de toda a indústria de máquinas caiu 13,4% em termos reais até setembro, e a Abimaq atribui a retração no mercado interno à política monetária, com a Selic em 13,75% ao ano, que segue limitando as decisões de investimento, segundo o Canal Rural. Só infraestrutura e indústria de base aumentaram as compras de máquinas nacionais neste ano.

Lucro da AGCO desaba

A AGCO lucrou US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre, 83,1% menos que os US$ 305,7 milhões do mesmo período de 2025, segundo o balanço enviado à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. Parte da diferença vem de 2025, quando o resultado incluiu o ganho com a venda da participação na indiana TAFE; pelo lucro ajustado por ação, que exclui esses efeitos, a queda foi de 22,2%, de US$ 1,35 para US$ 1,05. A receita global caiu 8,6%, para US$ 2,26 bilhões.

Na América Latina, as vendas da empresa recuaram 19,1% em moeda constante, para US$ 292,3 milhões no trimestre, e a margem operacional da região ficou em 2,5%, a menor entre as quatro áreas do grupo. A AGCO atribui a queda no Brasil à menor procura por máquinas grandes. “A rentabilidade no campo continuou pressionada por juros mais altos, condições de crédito restritas e economia agrícola fraca”, diz o comunicado, que cita ainda a incerteza econômica e de políticas públicas como motivo para o produtor adiar a compra de equipamentos.

O presidente da empresa, Eric Hansotia, descreveu o momento como “o ambiente de demanda global mais fraco em mais de uma década”. A AGCO prevê receita de US$ 9,8 bilhões a US$ 10 bilhões em 2026 e diz que vai manter a produção alinhada à demanda para não acumular estoque nos concessionários.

Trator chinês avança nos modelos pequenos

Enquanto a venda de máquinas nacionais cai, a de importadas cresce na faixa de menor potência. Segundo Pedro Estevão, o avanço chinês se concentra em microtratores e nos modelos de 18 a 37 e de 37 a 75, faixa que “não é o core da nossa indústria”; acima disso, onde está a base da produção brasileira, a alta das importações foi pequena, disse ele ao Canal Rural. O dirigente associa a entrada desses tratores a reduções temporárias do imposto de importação (ex-tarifário) e a programas da agricultura familiar, como o Mais Alimentos.

Os dados da Secretaria de Comércio Exterior, que classificam os tratores por potência em quilowatts (kW), confirmam a concentração. Pelas contas do Campo em Pauta no Comexstat, as importações de tratores chineses de 18 a 37 kW (cerca de 24 a 50 cavalos) passaram de 450 para 6.960 unidades de janeiro a setembro, com preço médio declarado de cerca de US$ 1 mil por unidade. Na faixa de 37 a 75 kW, foram de 1.522 para 3.578. Os chineses também dobraram na faixa de 75 a 130 kW, de 345 para 749 unidades, quase todas as importadas nessa potência, enquanto nos tratores acima de 130 kW, os usados nas grandes lavouras de grãos, caíram de 52 para 20 e ficaram com 1,5% do valor importado.

A contagem aduaneira registra o estado da empresa importadora e difere da usada pela Anfavea. No Centro-Oeste, o crédito rural para tratores e colheitadeiras também recuou neste ano, como mostrou o Campo em Pauta, e as compras externas da região são quase só de máquinas de grande porte, vindas dos Estados Unidos e da Finlândia. Para Pedro Estevão, a manutenção do dólar na faixa de R$ 5,30, citada por ele, e preços regulares das commodities podem ajudar a virada no ano que vem.

Com informações de Globo Rural (dados da Abimaq de setembro), Canal Rural (receita da indústria de máquinas, Abimaq), Canal Rural (Pedro Estevão sobre importações chinesas), AGCO (resultado do 3º trimestre de 2026, formulário 8-K na SEC), CNN Brasil (AGCO), Comexstat (microdados de importação 2026) e Comexstat (microdados de importação 2025).

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